Bacafá

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Contos de quinta.

Peço desculpa aos meus leitores, pois não consegui preparar um texto decente para hoje. A semana foi atribulada demais. Mas prometo que tentarei deixar tudo pronto para a próxima quinta. Para não ficar em branco, todavia, eu transcrevo parte do discurso proferido ontem no jantar em homenagem ao Dia do Advogado, ocorrido em Jaraguá do Sul.

"Boa noite a todos. Com grande alegria vejo a casa cheia nesse dia do Advogado e de homenagem à experiência dos colegas com 25 anos de carreira e inscrição na OAB.

Quero prestar minhas homenagens especiais aos advogados hoje lembrados pelos seus 25 anos de carreira e inscrição na OAB, Dra. Márcia, Dra. Aurilene, Dr. Leonel e Dr. Roberth. Todos ligados de alguma forma à minha história. O Dr. Roberth foi o presidente que me entregou minha carteira da Ordem, em uma festa do Dia do Advogado, também. A Dra. Márcia eu conheci e com quem aprendi muito na época em que estudamos juntos na nossa especialização. Ali se iniciou uma amizade que acabou se estreitando com o tempo. O Dr. Leonel, na realidade, joga menos futebol do que pensa que joga, mas como advogado é uma das referências em Direito Público na nossa região. E, por fim, a Dra. Aurilene, que foi nossa referência na última gestão, e por quem nutro uma amizade e uma admiração especiais. Era a pessoa que limitava certos ímpetos e que, ao mesmo tempo, trazia-nos soluções calcadas na sua experiência. Uma pessoa especial que, juntamente com o Dr. Leonel, como disse o Dr. Darwinn no discurso anterior, forma o Casal 20 da advocacia jaraguaense.

Bem, vou começar lembrando Shakespeare que dizia que o homem é feito da matéria dos seus sonhos. E que o humano é humano porque tem desejos.

Quem me conhece sabe que sou um sonhador irremediável. Sonho com um mundo mais justo, um mundo mais ético, um mundo mais igualitário. Às vezes me chamam de iludido. Mas continuo sonhando.

Sonhando e desejando.

E hoje é um dia que vai além dos sonhos e dos desejos. É um dia para reflexão. Nós, que abraçamos essa carreira, nós que optamos pela vida de ser advogado, devemos todos os dias, e não só hoje, refletir sobre a nossa função na sociedade e para a sociedade. Somos um dos pilares da Justiça e sabemos que sem Justiça não há democracia.

Sem justiça célere, sem justiça ética, sem justiça preocupada com os rumos da sociedade, sem justiça preocupada com a vida dos cidadãos, não há democracia. Como já dizia Voltaire, “Um direito deixado muito longe torna-se uma injustiça”. Por isso precisamos, cada vez mais, fortalecer a classe, precisamos cada vez mais nos unir para alcançarmos os resultados necessários.

Não podemos silenciar quando nossas prerrogativas são cerceadas ou limitadas; não podemos silenciar quando os processos não andam; não podemos silenciar quando percebemos desvios nos comportamentos ou nos procedimentos. Poucas coisas são mais tristes do que um ser humano acomodado. E as vestes da acomodação não combinam definitivamente com o manto sagrado da advocacia.

A humanidade evolui e os advogados e o Poder Judiciário devem acompanhar tal evolução. É mais do que uma obrigação.

Afinal, estamos entrando na era dos processos virtuais! Mas nem por isso podemos esquecer que os direitos, dilemas e problemas dos nossos clientes, dos jurisdicionados, são bem reais, podem ser bem dolorosos e são por demais importantes para cada um deles.

Precisamos mais do que isso.

Precisamos, nós advogados, esquecer das vaidades pessoais e egoístas e pensar mais no grupo, para que possamos valorizar a advocacia em si. Repito, para uma Justiça verdadeira é necessário uma advocacia forte. E advocacia forte se consegue com advogados fortes e independentes. Advogados estudiosos. Advogados cônscios de seus deveres, direitos e prerrogativas. Advogados dedicados e comprometidos com a busca do melhor pra sociedade. Não podemos ser como aqueles insetos que ficam enfeitiçados pela luz e não sabem o que fazem voando a sua volta. Estamos aqui para melhorar a sociedade, para trabalhar na construção de uma sociedade, como eu disse antes, mais justa e igualitária.

Por isso essa gestão se empenha em trazer os novos advogados para dentro da OAB, insiste na formação profissional contínua e na preocupação com a ética em todos os aspectos, valoriza os advogados que tem experiência para compartilhar, defende os advogados contra arbitrariedades, procura as soluções possíveis para os problemas diariamente enfrentados, e busca levar à sociedade trabalhos comunitários que contribuam para o conhecimento e aprimoramento dos cidadãos. Seja com os nossos projetos como o OAB nos Bairros e OAB vai à Escola, seja com a preocupação diuturna e o empenho das nossas diversas comissões.

É a contribuição da OAB e deve ser a contribuição dos advogados. Não partilhar do que entendemos errado, não sermos coniventes e não silenciarmos. O dia é de comemoração, mas a luta é contínua.

Gosto e tenho orgulho de ser advogado. Não consigo me ver atuando em outra seara. Por isso quero o melhor para OAB, o melhor para a Advocacia, o melhor para os Advogados. Quero que minha filhasinta orgulho de ter um pai advogado, que dorme e acorda com a consciência tranquila, assim como tem orgulho a Bárbara e o Emílio, filhos do nosso Casal 20, Drs. Aurilene e Leonel. Se trabalharmos unidos conseguiremos, não tenho dúvidas. E todos os filhos de advogados, os pais, os maridos, as esposas, poderão ter orgulho de seus entes advogados.

Parabéns a todos os advogados que honram o juramento que fizeram ao receber suas carteiras profissionais.

Obrigado."

2 comentários:

andrielandrade disse...

Espero que na próxima comemoração ao dia dos advogados possa eu estar presente para comemorar e também para contribuir.
Parabéns pelo dia que passou e pelo discurso.

Eraldo Paulino disse...

Existe muito preconceito para com os advogados. Sabemos que há advogados canalhas, assim como existem canalhas em qualquer profissão.

Tenho vários amigos advogados e admiro muito os advogados, sobretudo a oratória dos advogados criminalistas. Filmes com juri popular me fascinam.

Parabéns!