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domingo, 15 de agosto de 2010

Another Brick In The Wall (Hey Ayatollah, Leave Those Kids Alone!).

Matéria sugerida pelo advogado Edemar Utpadel, que deu na Folha de São Paulo.

"MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO

1979. No Reino Unido, vinha à luz "The Wall", o álbum conceitual do Pink Floyd que se tornaria um dos ícones da história do rock.
No Irã, a Revolução Islâmica comandada pelos mulás e aiatolás punha abaixo o governo secular e sangrento do xá Reza Pahlevi. "Another Brick in the Wall", o megahit de protesto do vinil da banda inglesa, rapidamente se transforma em referência para a juventude que saía às ruas da capital, Teerã.

2010. Dois irmãos iranianos cuja família se exilou no Canadá durante a revolução de 1979 recriam o clássico de Pink Floyd para atacar a opressão contra a mulher na sociedade de seu país.
Vitaminado pela polêmica em torno de Sakineh -que pode ser apedrejada até a morte por supostamente trair e assassinar o marido-, o vídeo do Blurred Vision (visão embaçada) rapidamente se torna sucesso no YouTube.

Às 12h07 de ontem, "Hey, Ayatollah, Leave Those Kids Alone!" (ei, aiatolá, deixe essas crianças em paz) -cruzamento bombástico entre o autoritarismo das salas de aulas britânicas do pós-guerra com a opressão do regime iraniano atual- já contava com 257.426 acessos.
Misturando ficção e cenas de violência contra manifestantes capturadas na internet, ele retrata uma jovem em fuga da perseguição de líderes religiosos.
Com um iPhone nas mãos, tenta passar desesperadamente, em tempo real, mensagens e imagens da opressão em seu país.

"A tecnologia é crucial para combater os regimes autoritários", diz Sepp, um dos membros do grupo. "O que nos motivou a realizar o projeto foram as cenas na web de mulheres sendo agredidas na cabeça ou torturadas", diz. "A ideia era captar a essência do que ocorre nas ruas do Irã e tornar o vídeo mais impactante", conclui.

Criador da versão original, Roger Waters, 66, se entusiasmou com o projeto desde o início. "Nosso herói", como Sepp define o baixista e vocalista do Pink Floyd, "nos levou a outro grau de determinação para tocar o projeto".

O CENTRO DA QUESTÃO

Com os parcos recursos da Universidade de Toronto, onde moram, foram atrás do premiado diretor Babak Payami, cuja carreira aborda os direitos da mulher.

O cineasta diz ter se inspirado abertamente no filme "The Wall", de 1982, dirigido por Alan Parker.
"Mas, para mim, o grande desafio era trabalhar com a versão do Blurred Vision sem repetir visualmente ou copiar o que já estava feito [por Parker]", diz Payami.

Na comparação dos dois vídeos, é evidente o paralelo entre as crianças humilhadas nas salas de aula (Pink Floyd) e as mulheres atacadas (Blurred Vision). As mulheres, afirma Payami, "estão no centro do conflito nas sociedade religiosas repressivas, especialmente no contexto da repressão monoteísta".
Mas a música pode transformar balas em flores? Sepp abranda o tom messiânico e pondera: ""Pode ser. Mas o mais importantes é que ela pode nos revelar que coisas assim estão acontecendo no Irã -não só com Sakineh, mas com outros presos"."

O vídeo:

terça-feira, 31 de março de 2009

Van da Morte.

China cria "Van da Morte" para diminuir custos de execuções.

Para conter os custos das execuções de condenados pela Justiça na China, autoridades criaram a "Van da Morte". O invento deve ajudar o país a saltar dos 1,715 executados no ano passado para mais de 10 mil neste ano, informou neste sábado o Mail Online.

O serviço de execuções móveis foi lançado há 3 anos e sofreu severas críticas de organizações de direitos humanos. Por isso, ano passado, durante a Olimpíada de Pequim, as "Vans da Morte" sumiram das ruas.

As vans custam cerca de R$ 190 mil, podem chegar a até 80 km/h e se parecem com um veículo de polícia. No lado interno, porém, os veículos parecem salas de cirurgia. As execuções são monitoradas por duas câmeras, para garantir que todas as regras serão seguidas. Os condenados, após serem sedados, são amarrados em macas. Os médicos, em seguida, injetam três tipos de drogas: uma para causar perda de consciência, outra para parar a respiração e a última para interromper os batimentos cardíacos.

De acordo com investigações de organizações de direitos humanos, a polícia, o judiciário e os médicos estão envolvidos em um esquema de venda de órgãos dos condenados executados. O esquema renderia milhões aos participantes.

Os médicos aproveitam que as injeções não danificam os órgãos e retiram o que pode ser aproveitado para vender no mercado negro. O esquema teria favorecido a criação de uma indústria de "turismo de órgãos", onde japoneses, coreanos e taiuaneses viriam ao país para receber os tecidos retirados dos executados.

Lido originalmente no Terra.

Sou contra a pena de morte. E por diversas razões. As duas principais dizem respeito ao erro irremediável e ao nivelamento do Estado por baixo, ou seja, pelo bandido. Assim, me parece extremamente assustador uma máquina de execução da pena de morte praticamente em série. Os números são assombrosamente espantosos: 10 mil mortos previstos para esse ano.

O outro aspecto interessante da notícia é a venda de órgãos. Claro, feito dessa maneira é um absurdo, pois é tráfico simples e puro. Mas, aceitando a provocação de Hélio Schwartsman, colunista da FolhaOnline, qual o problema de se permitir a venda de órgãos, se hoje já se pode doar? (Obviamente dentro de previsões legais bem engendradas).