Bacafá

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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Lições do absurdo.


Em outro texto (Vaias sim – clique aqui para ler completo) mencionei o filósofo Voltaire e sua famosa frase: “Posso não concordar com uma palavra do que dizes, mas defenderei até o último instante teu direito de dizê-las”.

Defendi, naquele texto, o direito às vaias em contraposição a alguns políticos que simplesmente reputaram – em episódios daquela época – que isso é pura falta de educação. Escrevi lá: “Ora, se podemos aplaudir o que gostamos, por que não podemos vaiar o que não gostamos? As vaias nada mais são do que as manifestações de repúdio a determinados comportamentos ou idéias. São desconfortáveis? Sim, são, sem dúvida. Mas quem vive no mundo público, em especial o político, deve saber assimilar e aprender com as vaias. Podem, as vaias, ter conotação puramente político-partidária, sem conteúdo construtivo ou de mérito? Podem, sim, infelizmente. Entretanto, nestes casos, a pessoa vaiada deve ter discernimento e postura suficientes para não cair no jogo.”

Lembrei do assunto com a polêmica envolvendo a blogueira cubana Yoani Sánchez, que se autodefine como “um pouco jornalista, um pouco filóloga, muito ativista, não dedicada integralmente à política, uma soma de muitas tendências, compromissada com a liberdade, preocupada com os mais pobres; uma pessoa transversal” (programa Roda Viva, da TV Cultura, desta última segunda-feira, 25.02.2013).

Foi surpreendente o comportamento de alguns brasileiros com a sua vinda para cá. Algumas pessoas simplesmente não permitiram que a bloqueira ministrasse suas palestras, chegando a conseguir impedir que a mesma acompanhasse uma sessão de um documentário e de, em outro momento, lançar seu livro. Surpreende sobremaneira porque não faz, historicamente, tanto tempo assim que lutávamos por liberdade de expressão, jornais livres e debate aberto e amplo.

Os “contra” a blogueira argumentam que ela não passa de uma fraude, desmascarada no final do ano passado pelo Wikileaks e por um jornalista francês, alegando que a enorme quantidade de seguidores no Twitter é irreal, com muitos perfis falsos, que tem estreitíssima relação com o governo norte-americano e que não conseguiu provar nada sobre um suposto sequestro seguido de espancamento que sofreu em Cuba.

Não quero discutir, aqui, se Yoani Sánchez é uma farsa ou não. Não quero, também, dizer se as vaias são devidas ou indevidas. Apenas gostaria que após as vaias se desse voz para que ela se defendesse ou se manifestasse. Ou que a deixassem dizer o que tem a dizer para, se discordassem, então a vaiarem.

A liberdade é uma via de mão dupla: pode-se discordar, mas se deve saber ouvir. O argumento é a principal arma. As vaias e os aplausos apenas uma parcela do jogo democrático. Quem não sabe – ou não quer – ouvir hoje, não poderá reclamar amanhã.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Conar vai investigar posts pagos da Sephora em blogs.


O Conar vai investigar se a loja de cosméticos francesa Sephora, recém-chegada ao país, e três blogs de moda desrespeitaram as regras da entidade. A suspeita é de que sugestões de compra feitas pelas blogueiras Lala Rudge (Lala Rudge e Maria Rudge), Thássia Naves (Blog da Thássia) e Mariah Bernardes (Blog da Mariah) sejam propaganda paga, embora não identificadas desta maneira.

As três postaram em seus respectivos blogs, no mês passado, elogios a produtos da marca YSL - representada no Brasil pela Sephora -, como delineador e máscara.

O Conar afirma que o material coletado vai além dos textos publicados nos canais das blogueiras, levando em conta também a publicação de fotos na rede social Instagram.

Os processos relativos a esses blogs, que estão registrados com a numeração 221/12, 222/12 e 223/12, foram abertos em 21/8, e têm o mesmo relator. Segundo o Conar, as partes já foram comunicadas.

Em caso de condenação, o conselho pode solicitar o fim ou a alteração da campanha. A decisão pode servir de embasamento para algum processo jurídico posterior. As decisões da entidade costumam ser seguidas pelo mercado publicitário.

A Sephora abriu uma loja da marca no Brasil no mês passado, no shopping JK Iguatemi, de SP.

Fonte: Portal jurídico Migalhas. Na notícia original também há fotos.

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Só para constar: o Código de Defesa do Consumidor prevê expressamente que toda publicidade, ainda que em caráter de merchandising, deve ser anunciada como tal, com o consumidor não podendo ser enganado por disfarces.

A internet criou e cria novas situações que devem ser bem observadas pelos órgãos de fiscalização e pelo Poder Judiciário.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Polêmica ou ignorância?

Segue um texto do Marcos Bagno sobre a discussão decorrente dos livros didáticos que viraram assunto no Jornal Nacional, nos comentários rancorosos de Luiz Carlos Prates e na às vezes mal intencionada ou mal informada blogosfera por conta do tratamento lingüístico em sala de aula.

Finalmente um texto nú. Tomei conhecimento através do blog do Jean Mafra (minúsculas). Para ler os comentários do próprio Jean Mafra, clique aqui (nesse caso, mais uma crítica ao Jornal Nacional do que à questão do livro propriamente dita, mas, ainda assim, com apontamentos bem pertinentes).

O texto do Bagno:

"Para surpresa de ninguém, a coisa se repetiu. A grande imprensa brasileira mais uma vez exibiu sua ampla e larga ignorância a respeito do que se faz hoje no mundo acadêmico e no universo da educação no campo do ensino de língua.

Jornalistas desinformados abrem um livro didático, leem metade de meia páginae saem falando coisas que depõem sempre muito mais contra eles mesmos doque eles mesmos pensam (se é que pensam nisso, prepotentementeconvencidos que são, quase todos, de que detêm o absoluto poder da informação).

Polêmica? Por que polêmica, meus senhores e minhas senhoras? Já faz mais de quinze anos que os livros didáticos de língua portuguesa disponíveis no mercado e avaliados e aprovados pelo Ministério da Educação abordam o tema da variação linguística e do seu tratamento em sala de aula. Não é coisa de petista, fiquem tranquilas senhoras comentaristas políticas da televisão brasileira e seus colegas explanadores do óbvio.

Já no governo FHC, sob a gestão do ministro Paulo Renato, os livros didáticos de português avaliados pelo MEC começavam a abordar os fenômenos da variação linguística, o caráter inevitavelmente heterogêneo de qualquer língua viva falada no mundo, a mudança irreprimível que transformou, tem transformado, transforma e transformará qualquer idioma usado por uma comunidade humana. Somente com uma abordagem assim as alunas e os alunos provenientes das chamadas “classes populares” poderão se reconhecer no material didático e não se sentir alvo de zombaria e preconceito."

Continue lendo diretamente na página de origem, de Marcos Bagno, clicando aqui. As conclusões são interessantes e, no mínimo, nos fazem refletir.

Isso tudo só reforça o que tento ensinar aos meus alunos: Não tomem tudo o que vêem na televisão e nas revistas por absoluta verdade. Há muitos interesses em jogo. Procurem sempre saber o outro lado. E reflitam.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Blog anti-bullying.

Bela a iniciativa da oitava série da escola Teresa Ramos, em Corupá, de criar um blog para discussões sobre problemas relacionados ao bullying.

Segue o endereço: http://www.teresabullying.blogspot.com/

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Blogs que eu recomendo.

Descobri esse final de semana mais dois novos blogs interessantes, que recomendo e que passarão a fazer parte da lista aí do lado esquerdo.

O primeiro é o Decipimur specie recti, do advogado e professor Dr. Mario César Felippi Filho.

O segundo é o A arte da Excelência, do juiz federal Dr. Emmerson Gazda.

Há vida inteligente no mundo virtual...

sábado, 26 de março de 2011

sábado, 19 de março de 2011

Ainda sobre anencefalia.

Em artigo publicado em seu blog, Samantha Buglione traz pertinentes colocações sobre a questão da anencefalia:

"(...) Enquanto isso, milhares de mulheres que sofrem com a loteria da natureza ficam à mercê de decisões judiciais específicas. Infelizmente, esse é mais um daqueles processos que não deveriam chegar ao Supremo, na verdade, não tinha nem mesmo que virar processo judicial.

As razões são simples:

1) Interrupção de gestação de feto anencéfalo não é aborto.
2) Aborto é interrupção de feto vivo, e feto vivo é aquele com desenvolvimento encefálico.
3) O direito brasileiro não tem qualquer conceito e definição sobre o que é vida ou sobre o seu início, contudo, define o que é morte. Na lei de transplantes está o conceito de morte: morte é morte encefálica.
4) Se não é aborto a interrupção de gestação de feto anencéfalo, não há por que criar demanda judicial, porque não há qualquer violação ao direito. O bem vida, que deveria ser protegido, não existe nesta hipótese. Novamente: feto anencéfalo não é feto vivo, conforme a lei brasileira que define morte como morte encefálica.
5) Fetos anencéfalos são humanos, mas jamais se tornarão pessoa. Pessoa, ao contrário de humano, é um conceito político. Enquanto humano é um dado biológico, que caracteriza os membros de uma espécie, pessoa é um conceito vinculado à capacidade de viver a vida, o que não acontecerá com os fetos anencéfalos.
6) Trata-se de crueldade obrigar mulheres e casais a levar a cabo uma gestação de um filho que jamais virá a ser. A gestação não é um fim em si mesmo. Ela é o meio para a constituição de um novo ser. (...) "

Leia o interessante texto na íntegra clicando aqui.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

E na música de sexta...

... começando bem o final de semana, diretamente da Ilha da Magia, o figuraço Jean Mafra, numa produção de surraxco de alface e guerrilha cultural:



Para conhecer mais o trabalho e a opinião deste artista, acesse o minúsculas.

sábado, 6 de novembro de 2010

Em algum lugar do passado... para o presente.

Revirando o baú do meu próprio blog, de vez em quando encontro imagens e textos que não lembrava mais e que trazem boas lembranças ou me surpreendem de alguma forma. E achei isso que volto a compartilhar com meus leitores:


Na época peguei do blog da Daniella, Pelos cantos e recantos deste mundo.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Senzatia - Roteiros de Turismo Personalizados

Paula e a Carina, duas apaixonadas por viagens, viviam fazendo roteiros para pais, amigos, parentes e afins para salvá-los de roubadas e tornar suas viagens muito mais bem aproveitadas. Depois de tantas viagens e tantos roteiros, as duas viram que estava na hora de começarem juntas uma nova empreitada. Decidiram começar a personalizar os roteiros e criaram a Senzatia, que quer dizer Sensação em Romeno. Simples assim. A idéia da Senzatia é criar roteiros personalizados para que os viajantes não tenham o menor trabalho fazendo isso e curtam suas férias felizes e sem nenhum stress. Os roteiros terão sugestão de passeios, restaurantes, espetáculos, hotéis e muito mais e atenderão também pessoas com necessidades especiais, que viajam com crianças, idosos, etc, para minimizar o trabalho e ampliar a diversão.

Pensou em viajar? Nós personalizamos os seus sonhos.

Basta entrar em contato pelo e-mail senzatia@gmail.com ou visitar nosso blog http://senzatiaroteiros.wordpress.com/

Teremos o maior prazer em transformar seus sonhos em realidade.

sábado, 27 de março de 2010

Música para o final de semana.

Jean Mafra, de Florianópolis.


Clique aqui para ouvir ou aqui para ir ao blog do Jean.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Rosa marisco.

Li no Piores Briefings do Mundo.

Mais uma para a coleção dos atendimentos com suas escalas Pantone diferenciadas.

"Agência cria modelo de convite de casamento para um de seus clientes onde havia a caricatura dos noivos, floral, etc... O fundo do convite tinha um tom de marrom e os detalhes e letras estavam em dourado...

eis que chega a bendita alteração....

ATENDIMENTO: ficou muito bom, o cliente adorou a idéia das caricaturas e da faca de corte... vai ficar muito diferente... a única alteraração é nas cores do fundo do convite...
CRIATIVO: tranquilo.. isso é o de menos.. manda!
ATENDIMENTO: O cliente quer um degradê de rosa babaloo para rosa marisco...

Que diabos é rosa babaloo e rosa marisco????"

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Câmara temática do meio-ambiente do PROJARAGUÁ cria um blog

A Câmara temática do meio-ambiente é "formada por aproximadamente 20 membros das mais variadas áreas de conhecimentos, unidos de forma voluntária, que visam conceber deliberar e monitorar de forma dinâmica as diretrizes de desenvolvimento sustentável de Jaraguá do Sul, buscando assim, uma sociedade mais justa e perfeita".

Daquelas iniciativas que devem ser festejadas. Ainda há luz no fim do túnel (e não é o trem vindo na contramão).

O blog: http://ctmeioambienteprojaragua.blogspot.com/

sábado, 5 de setembro de 2009

Bem no fundo...

Já que hoje é dia de jogos das seleções (a nossa, no SESC, às 15 horas, e a do Dunga, na TV, não sei que horas), meus amigos fluminenses que me perdoem... mas piada não se perde...



Essa vi no Blog do Anselmo Gois.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Escolas podem salvar Mata Atlântica.

"O tema “meio ambiente” é bastante amplo e geralmente são negligenciados os problemas ambientais mais relevantes para a humanidade, onde o Brasil está no foco, como a questão do desmatamento que causa perda da biodiversidade, dos recursos hídricos, agravamento do aquecimento global etc.

Ninguém gosta de estimular as escolas a lidarem com estes temas porque batem de frente com os interesses econômicos, do lucro imediato de agentes locais. Então, dentro da temática ambiental o assunto preferido das escolas é trabalhar com reciclagem de lixo. Porém, a maioria sequer aborda corretamente este tema e simplesmente usam os alunos para catarem os recicláveis para levantamento de fundos, competindo com os catadores que tiram seu sustento da atividade.

A conseqüência disso é que estamos perdendo a Floresta Amazônica e o que resta da Mata Atlântica e a sociedade brasileira parece que não se importa muito. Aceita passivamente o desmonte da legislação ambiental, as investidas contra a Floresta Amazônica e o que resta da Mata Atlântica.

Quero mostrar um exemplo de como poderemos mudar esta realidade e salvar a Mata Atlântica e o futuro do nosso País.

A secretaria de educação do município de São João do Itaperiú (SC), que fica na região litorânea, com muitas áreas preservadas, convidou a equipe do Instituto Rã-bugio para trabalhar com as escolas do município.

Observe como dá resultados este trabalho que realizamos em parceria com as escolas. Acabamos de receber o projeto completo de Wilmar Delmonego, Professor de Ciências e Biologia da Escola de Educação Básica “Professora Elvira Faria Passos” do município de São João de Itaperiú (SC)."

Continue lendo no interessante blog Rã-bugio.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Mamãe, eu quero.

Texto de Samantha Buglione.
(PROFESSORA DE DIREITO E DO MESTRADO EM GESTÃO E POLÍTICAS PÚBLICAS DA UNIVALI)
http://samanthabuglione.blogspot.com/

Lido no A Notícia.

1. Um heliponto para eu poder pousar meu “meio de transporte” sempre que eu precisar e quiser, seja de dia ou de noite, bem ao lado do meu apartamento, em área residencial, sem qualquer problema de impacto de vizinhança, segurança ou barulho. Afinal, eu tenho direito de ir e vir.

2. Uma Vila Olímpica, em área residencial, para matar meu desejo de ser atleta e ter à minha disposição quadras e mais quadras de esporte e piscina de tamanho olímpico, mesmo que invada área de preservação permanente, derrube árvores e incomode os outros. Não podemos esquecer que a saúde é um direito fundamental e o meu bem-estar também.

3. Uma casa milionária na beira da praia sem precisar fazer fossa ou qualquer tratamento de esgoto, podendo ligar os canos dos meus dejetos diretamente no mangue. Até porque preservar o meio ambiente é coisa de ecochato.

4. Fazer festa no meio de um bairro quieto, ganhar milhares de reais, sair no jornal, pagar hotel para autoridade não me incomodar, e não deixar os pobres mortais dormirem todo o final de semana. Afinal, eu tenho direito ao desenvolvimento da minha personalidade.

5. Eu quero tudo o que eu quero e não quero me responsabilizar por nada. Quero sempre lucrar, tudo em nome do progresso, da geração de emprego e da necessidade. Mesmo que isso destrua, importune, inferne, polua, o importante é me dar bem.

6. Quero poder montar empresas em Anitapólis, custe o que custar, destrua o que destruir, desagrade a quem desagradar. Afinal, os amigos do rei estão felizes.

7. Quero baixar música da internet, plagiar monografia, me formar sem esforço, dirigir bêbado e, se matar alguém, não ter culpa. Afinal, o cara atropelado era um atleta “drogado”.

8. Quero ser o orgulho da mamãe e do papai, o espertinho.

9. Quero passar a perna em flanelinha, enganar a polícia e sonegar imposto.

10. Quero ser um visionário, ganhar causa na Justiça e confiar na Justiça.

11. Quero virar nome de rua, ser profissional sem diploma, ter dinheiro no e aparecer em revista de celebridade.

12. Mamãe, querida, eu quero fazer tudo o que eu quero e deixar a minha assessoria, meu network e meus advogados pensarem nas consequências dos meus atos. Só me importa os louros, não me diz respeito a corrupção que eu alimento, nem a fome que eu gero ou os danos que eu provoco. Eu só quero me lembrar dos euros que ganhei, da fama que conquistei e de dormir tranquilo nos meus lençóis de algodão egípcio.

***

Parece piada, mas esses casos são reais. Se alguns querem tanto de mamãe é porque o papai Estado e o papai “bons modos de dentro de casa” andam deixando as coisas acontecerem sem limite. O direito deveria ser a prudência que evita condutas que provocam o desequilíbrio.

A ideia do direito como guardião da Justiça é uma belíssima imagem que nos remete a uma instituição que preserva a igualdade, que trata os sujeitos a partir de critérios imparciais e evita, assim, os privilégios. O desequilíbrio provocado pelos excessos das condutas humanas é o que gera a tragédia. O trágico não era a morte, a resistência, a dor, mas tudo que ultrapassava o razoável. Exatamente como acontece hoje. O desejo de alguns está gerando danos em demasia. E isso gera a tragédia.

A lei, a cada dia, é banalizada. Virou figurativo em história de ficção. Cansei de ter aluno em faculdade de direito com zero em prova que teve o papai vindo reclamar da nota do pobre rapaz.

Alguns querem tudo, menos o que caracteriza um ato de vontade genuíno: a possibilidade de ser responsável. Parece que vivemos um novo absolutismo, no qual o arbítrio econômico faz as regras. Isso é violento.

Se nem a mamãe nem o papai tentarem dar um jeito no guri e se nem ele próprio perceber que está na hora de parar de ser um mimado, talvez a vida venha a lhe dar uns “relhaços”, mas creio que essa hipótese também é uma ficção, no caso uma ficção romântica. Até porque, hoje em dia, a impunidade é outro sintoma da cultura do mais forte. Uma cultura em que todos nós, em alguma medida, pela ação ou omissão, somos cúmplices.

É como uma nova era da banalização do mal, só que agora banalizamos a externalidade das nossas ações. Ignoramos, por exemplo, que não é suficiente fechar o vidro do carro para que o que se passa fora não vir a nos afetar.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Novo blog cultural para acompanhar.

Já está no ar o Blog do Tio Gel, que vai tratar de literatura, música e arte de toda forma.
Mais um que vale a pena e o tempo:

http://www.tiogel.blogspot.com/