Bacafá
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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
A vida dos outros.
O ser humano tem um dom, ou melhor, um defeito que acredito ser exclusividade sua, possivelmente não existindo em qualquer outro animal. O homem tem uma enorme facilidade de reclamar. Algumas vezes parece até se regozijar com suas reclamações. Parece tornar-se um prazer.
Para alguns nada está bom, nada é suficiente, nada satisfaz. E justamente para estes não há tempo para nada. Não há tempo para ajudar, não há tempo para opinar ou colaborar, não há tempo para buscar soluções ou participar de grupos que as procurem. São pessoas que só reclamam e nunca têm tempo para nada. E se outras pessoas resolvem o suposto problema, os contumazes reclamões continuam reclamando, dizendo que fariam melhor, ou mais rápido, ou de forma mais econômica.
Nesta mesma linha, outro esporte preferido de muitas pessoas é fazer comparações de suas vidas com as alheias. E estes esportistas podem ser classificados em duas categorias.
A primeira categoria é a daqueles jogadores que acreditam que tudo o que é dos outros é melhor. Que ficam mais preocupados em ficar prestando atenção no carro, na casa, no telefone celular, nas viagens ou na mulher do outro do que em cuidar de suas próprias coisas e pessoas, e investir nos seus relacionamentos e trabalhar para crescer patrimonialmente.
É aquela turma que vive dizendo que o gramado do vizinho é sempre mais verde. Não importa se o vizinho acorda cedo para regar a grama todos os dias, se todos os finais de tarde tira as ervas daninhas e se todo domingo passa a máquina de cortar. Essa parte aquele que só repara o verde não comenta.
Alguns até dizem que é a tal “inveja branca” seja lá o que isso queira dizer. Como já ouvi por aí, inveja é inveja e pronto. Mas, vá lá, talvez existam algumas sem maldade, sendo o pecado da inveja apenas fruto da incompetência pessoal.
A segunda categoria é aquela que joga no time dos que desprezam tudo o que é dos outros. O bem pode até ser melhor, mais caro ou mais sofisticado. Se o jogador deste time não se contenta em desqualificar o bem do outro, seja automóvel, casa ou roupa, ele recorre a desmerecer o próprio dono ou possuidor.
O tal caro bem foi adquirido, segundo estas pessoas, por meios espúrios, de maneira indevida ou porque alguém levou alguma vantagem.
Ou, ainda, o pessoal deste time, quando não consegue desaqualificar o bem ou o seu proprietário, passa a desmerecer as justificativas ou razões do proprietário. Chegam ao cúmulo de aventar que o fulano comprou a coisa apenas para aparecer, para se exibir, ou que não tinha nehuma razão para tal aquisição. Se a outra inveja é a branca, esta deve ser a colorida.
Entretanto, assim caminha a humanidade, com muitos desejando o que não podem ter, ou desejando o que a mídia, em especial a televisão, diz que deve ter. E, com isso – além de uma forte colaboração dos livros de auto-ajuda – os consultórios dos psicólogos vão ficando cada vez mais cheios, pois as pessoas se frustram por desejos muitas vezes não reais.
sexta-feira, 8 de julho de 2011
Zona azul, preguiça e Dante.
Segundo a Igreja Católica existem sete pecados capitais, criados para, conforme o ponto de vista, proteger ou controlar seus seguidores. Falo, aqui, dos pecados capitais “tradicionais” (luxúria, gula, avareza, ira, soberba, vaidade e preguiça) e não dos pecados capitais “modernos” (experimentos “moralmente dúbios” com células-tronco, uso de drogas, poluição do meio ambiente, agravamento da injustiça social, riqueza excessiva, geração de pobreza e violações bioéticas). Na realidade, hoje quero me referir especificamente ao pecado da preguiça.
Ah!, quem nunca sentiu preguiça em algum momento da vida? Pecado capital!! Lembrando deste tema tive que recorrer ao bom e velho Dante Alighieri e sua Divina Comédia, obra mais conhecida do autor. Neste clássico ele trata do Inferno, do Purgatório e do Céu. O Inferno é dividido em círculos, nove exatamente. E, de acordo com seus pecados ou outra característica qualquer (como, por exemplo, não ser batizado) as almas eram divididas para sofrer nestes círculos. O Inferno, segundo Dante, é uma montanha apontada para o centro da Terra. De outro viés, o Purgatório é uma montanha apontada para cima (ou seja, há esperança) dividida também em círculos sobrepostos, no Antepurgatório e no Purgatório propriamente dito. No quarto círculo estão as almas dos preguiçosos purificando-se. Fica, o Purgatório, por óbvio, entre o Inferno e o Céu (ou Paraíso).
Entre os iracundos e os avaros, os preguiçosos expiavam seus pecados caminhando sempre com urgência, sem poder perder tempo indolentemente como faziam quando vivos.
E por que me lembrei dos pecados capitais, da preguiça e de Dante com sua Divina Comédia? Porque, ao chegar ao trabalho cedo nesta segunda-feira gelada, deparei-me com vagas e vagas de estacionamento vazias ao longo da Reinoldo Rau e suas transversais. Ainda pensei “talvez tenha sido o frio que tenha feito o pessoal chegar um pouco mais tarde que o normal”. Ledo engano. As horas passaram e eu lá de cima, da minha sala, continuava a ver as vagas sobrando.
Causa? Sim, o início de vigência do sistema rotativo de estacionamento, a famigerada e popularmente chamada Zona Azul.
Se vai ser bom para o comércio ou para os cidadãos só tempo dirá. Se as pessoas que se sentirem lesadas por danos, furtos e roubos nessas áreas onde pagam para estacionar terão direito a ser ressarcidas só os tribunais dirão. São algumas incógnitas do sistema por ora.
Entretanto, não foi isso que me ocupou a mente naquela manhã fria. Fiquei pensando como as pessoas vieram para seus trabalhos e compromissos. Ora, se antes quase nunca havia vagas para estacionar em determinados horários, como podem agora tantas sobrar?
Muitas explicações podem ser apresentadas: as pessoas vieram de ônibus, de taxi, a pé, de bicicleta, de carona ou começaram a revezar com seus colegas e vizinhos quem virá de carro.
Todas soluções que poderiam já estar sendo utilizadas há muito tempo. Precisou doer no bolso para os cidadãos buscarem alternativas nem tão criativas assim. Nada inovadoras, mas que, sem dúvida, farão bem não só para o bolso. Farão bem também para o meio ambiente, para o corpo, para a socialização e para a mente.
Ah!, quem nunca sentiu preguiça em algum momento da vida? Pecado capital!! Lembrando deste tema tive que recorrer ao bom e velho Dante Alighieri e sua Divina Comédia, obra mais conhecida do autor. Neste clássico ele trata do Inferno, do Purgatório e do Céu. O Inferno é dividido em círculos, nove exatamente. E, de acordo com seus pecados ou outra característica qualquer (como, por exemplo, não ser batizado) as almas eram divididas para sofrer nestes círculos. O Inferno, segundo Dante, é uma montanha apontada para o centro da Terra. De outro viés, o Purgatório é uma montanha apontada para cima (ou seja, há esperança) dividida também em círculos sobrepostos, no Antepurgatório e no Purgatório propriamente dito. No quarto círculo estão as almas dos preguiçosos purificando-se. Fica, o Purgatório, por óbvio, entre o Inferno e o Céu (ou Paraíso).
Entre os iracundos e os avaros, os preguiçosos expiavam seus pecados caminhando sempre com urgência, sem poder perder tempo indolentemente como faziam quando vivos.
E por que me lembrei dos pecados capitais, da preguiça e de Dante com sua Divina Comédia? Porque, ao chegar ao trabalho cedo nesta segunda-feira gelada, deparei-me com vagas e vagas de estacionamento vazias ao longo da Reinoldo Rau e suas transversais. Ainda pensei “talvez tenha sido o frio que tenha feito o pessoal chegar um pouco mais tarde que o normal”. Ledo engano. As horas passaram e eu lá de cima, da minha sala, continuava a ver as vagas sobrando.
Causa? Sim, o início de vigência do sistema rotativo de estacionamento, a famigerada e popularmente chamada Zona Azul.
Se vai ser bom para o comércio ou para os cidadãos só tempo dirá. Se as pessoas que se sentirem lesadas por danos, furtos e roubos nessas áreas onde pagam para estacionar terão direito a ser ressarcidas só os tribunais dirão. São algumas incógnitas do sistema por ora.
Entretanto, não foi isso que me ocupou a mente naquela manhã fria. Fiquei pensando como as pessoas vieram para seus trabalhos e compromissos. Ora, se antes quase nunca havia vagas para estacionar em determinados horários, como podem agora tantas sobrar?
Muitas explicações podem ser apresentadas: as pessoas vieram de ônibus, de taxi, a pé, de bicicleta, de carona ou começaram a revezar com seus colegas e vizinhos quem virá de carro.
Todas soluções que poderiam já estar sendo utilizadas há muito tempo. Precisou doer no bolso para os cidadãos buscarem alternativas nem tão criativas assim. Nada inovadoras, mas que, sem dúvida, farão bem não só para o bolso. Farão bem também para o meio ambiente, para o corpo, para a socialização e para a mente.
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