Bacafá

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segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Admirável mundo novo.

Nesse fim de ano me redimi de um dos meus pecados (por inércia) literários: li Admirável mundo
novo, de Aldous Huxley, que estava na prateleira da minha estante já há alguns bons anos (sim, sim, sei, vergonha...). Eu diria que esse livro é de leitura obrigatória em conjunto com 1984, de George Orwell. Não sei dizer qual seria a ordem mais indicada de leitura (1984 é de 1948 e Admirável de 1932). Embora circunstancialmente tenha lido 1984 antes, parece-me que, para quem ainda não leu nenhum dos dois, começar por Admirável pode ser mais interessante. De qualquer modo, a meu ver, se completam.

O pior de tudo isso é que sinto que hoje estamos - a humanidade - em algum espectro entre o Admirável mundo novo e 1984. Ou seja, entre as maravilhas das facilidades e benesses da tecnologia e sob os olhos onipresentes do grande irmão (que, no nosso caso é uma mistura de governos do mundo todo e Google/Microsoft/e afins).

Do 1984 falei, há mais ou menos um ano, algumas coisas aqui, aqui e aqui.

Do Admirável mundo novo falo um pouco hoje. Começo pelo prefácio (apenas o primeiro parágrafo de 14 páginas) escrito pelo próprio autor para a edição de 1946:

"Todos os moralistas estão de acordo em que o remorso crônico é um sentimento dos mais indesejáveis. Se uma pessoa procedeu mal, arrependa-se, faça as reparações que puder e trate de comportar-se melhor da próxima vez. Não deve, de modo algum, pôr-se a remoer suas más ações. Espojar-se na lama não é a melhor maneira de ficar limpo." 

O livro começa com um soco no estômago. Demorei um pouco para entender, me situar. E Aldous escreve bem. Não tem como não ficar curioso de como as coisas vão se desenrolar. Principalmente se formos identificando as "previsões" dele com nosso mundo real atual. A curiosidade é sobre nosso próprio destino mesmo.

Lá pelas tantas:

"Porque o nosso mundo não é o mesmo mundo de Otelo. Não se pode fazer um calhambeque sem aço, e não se pode fazer uma tragédia sem instabilidade social. O mundo agora é estável. As pessoas são felizes, têm o que desejam e nunca desejam o que não pode ter. Sentem-se bem, estão em segurança; nunca adoecem; não tem medo da morte; vivem na ditosa ignorância da paixão e da velhice; não se acham sobrecarregadas de pais e mães; não tem esposas, nem filhos, nem amantes, por quem possam sofrer emoções violentas; são condicionados de tal modo que praticamente não podem deixar de se comportar como devem. E, se por acaso alguma coisa andar mal, há o soma."

Não continuo para não dar spoiler para quem ainda não sabe o enredo. É ou não um discurso sedutor? É ou não um discurso conhecido, embora com outras referências.

Para finalizar:

"A felicidade nunca é grandiosa."

domingo, 15 de janeiro de 2017

Delacroix escapa das chamas.

Meus caros raros leitores, sobre o livro que consta na postagem abaixo:

http://bacafa.blogspot.com.br/2009/07/delacroix-escapa-das-chamas.html

Emprestei para alguém e não lembro. Se alguém souber ou se estiver com alguém, e puder me avisar, eu agradeço. Muito alguém num texto tão pequeno...

sábado, 14 de janeiro de 2017

Férias e segurança digital.

As férias acabaram para uns e estão acabando para outros, mas os cuidados abaixo sugeridos ainda valem, independentemente de datas. Fica a dica.

Publicado originalmente no www.rlb.adv.br.

As férias de final de ano estão chegando, comemorações, diversão, descontração. Provavelmente descanso e festividades merecidos para a maioria. Entretanto, nem todos param. E se antes a preocupação era com a casa, e a solução era pedir para o vizinho ficar de olho ou a polícia fazer a ronda na rua, hoje em dia o inimigo é praticamente invisível…
A tecnologia trouxe – e continuará trazendo – muitas comodidades. E muitas preocupações. E muitos problemas para os mais incautos. Por isso algumas recomendações simples sobre os mais simples dos problemas nessa área.
Para quem já ouviu falar da internet das coisas (IoT), não é novidade do quanto equipamentos eletrônicos podem ser os suspeitos entre nós. Qualquer dispositivo eletrônico ligado à grande rede pode ser um canal aberto para os bandidos tecnológicos. Para se ter ideia da vulnerabilidade, dois casos (cujo mérito, por conta do espaço, serão abordados nos próximos textos): (1) existem sites que divulgam imagens de câmeras espalhadas pelo mundo inteiro escolhidas aleatoriamente. Sem autorização! Do quintal da casa à cozinha do restaurante. (2) No começo do ano um cracker filmou, através de uma smartTV um casal em cenas íntimas quentes.
E isso é só a ponta do iceberg.
Nossos smartphones têm muito mais informações a nosso respeito do que podemos supor. Então ficam duas dicas simples: (1) não utilizar programas com acessos a informações sensíveis (e-mails, apps de bancos, acessos a arquivos de trabalho) em redes abertas e (2) desligar os geolocalizadores dos apps de suas redes sociais. São dois motivos principais: o marginal pode saber onde você está ou não está (o que pode ser ainda mais interessante para uma mente criminosa) ou você pode ser vítima de um stalker (perseguidor) – e esse recado serve principalmente para adolescentes e mulheres. Se sua rede social indica para amizade alguém que você não conhece, provavelmente você esteve recentemente no mesmo ambiente que essa pessoa.
Por fim, aquela dica que todos já conhecem: não fique postando fotos em tempo real de todos os lugares que você está e nem de todos os bens (carros, casas, brinquedos caros novos) que você tem.
Privacidade, liberdade e segurança têm seu preço.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Calvin e a música.

Porque hoje é sexta-feira, 13 e porque Calvin é Calvin!!


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Reflexões sobre a liberação das drogas;

Muito se fala e muito se contesta sobre a liberação das drogas. Poucos, afora os especialistas em
saúde e segurança, param para efetivamente tratar ou pensar o assunto com a seriedade e a imparcialidade merecidas.

No texto a que remeto pelo link abaixo, de Alberto Benegas Lynch, visto no site Instituto Ordem Livre, algumas reflexões sobre o tema. Concordo com algumas, discordo de outras. De todo modo, é indispensável e urgente que toda a sociedade acorde para essa discussão.

http://ordemlivre.org/posts/32-reflexoes-pela-liberacao-das-drogas--33

Contra ou a favor, os argumentos e sustentações não podem ser falaciosos.

O texto me lembrou o depoimento de um ex-policial dos EUA defensor da liberação da venda de drogas via internet (vi num documentário sobre a dark web). Resumidamente, ele aponta que com a venda nesses moldes a violência cai drasticamente. Em algum ponto das reflexões do link acima esses entendimentos convergem.

O fato é que o que foi feito até agora para acabar com o tráfico não funcionou. Nem aqui, nem nos EUA, nem na Europa, nem em lugar nenhum do mundo. É hora de repensar.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Mais dO homem duplicado.

Para finalizar sobre o livro O homem duplicado, e complementando as frases de ontem, mais

algumas. Dessa vez, sobre dúvidas, angústias e covardias (ou qualquer outra coisa que o leitor entender melhor):

"Aquilo a que certa literatura preguiçosa chamou durante muito tempo de silêncio eloquente não existe, os silêncios eloquentes são apenas palavras que ficaram atravessadas na garganta, palavras engasgadas que não puderam escapar ao aperto da glote".

"é impossível não ter inimigos, que os inimigos não nascem da nossa vontade de os ter, mas do irresistível desejo que têm eles de nos terem a nós".

"As pessoas podem mudar de uma hora para outra continuando a ser as mesmas".

"o diabo não faz planos, aliás, se os homens fossem bons, ele nem existiria".




E a frase que inicia o filme e que me faz pensar que se aplica a tudo:

"O caos é uma ordem por decifrar".

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Ainda sobre O homem duplicado - e a incompetência humana.

Alguns trechos do livro (O homem duplicado, de José Saramago) que especialmente servem para pensar... (com a grafia e pontuação originais).

Sobre a incompetência humana:

"Tanto é o que precisamos de lançar culpas a algo distante quando o que nos faltou foi a coragem de encarar o que estava na nossa frente".

"Não se pode exigir a toda a gente que seja sensata, Por isso o mundo está como está,".

"Ao contrário do que julga o senso comum, as coisas da vontade nunca são simples, o que é simples é a indecisão, a incerteza, a irresolução".

"O melhor caminho para uma desculpabilização universal é chegar à conclusão de que, porque toda a gente tem culpas, ninguém é culpado".

"O mundo não tem mais problemas que os problemas das pessoas".

"Não se deixe enganar, o senso comum é demasiado comum para ser realmente senso, no fundo não passa de um capítulo da estatística, e o mais vulgarizado de todos".

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O homem duplicado e o ano novo.

Nada como começar o ano literariamente bem acompanhado. E José Saramago é um excelente companheiro. Há cinco anos comecei a ler O homem duplicado e por conta daquelas circunstâncias que não se explicam e livros lidos ao mesmo tempo acabei não terminando, embora a leitura estivesse adiantada. Pois bem, acabou. Ou acabei.

Esse (como sói ocorrer com todos os textos de Saramago) é o típico livro que não se encerra com a última linha. O que eu faria se, do nada, encontrasse uma pessoa exatamente igual a mim? Não um gêmeo perdido, mas um igual, um absolutamente igual, inclusive nas cicatrizes? O que você faria?

Em tempos de superexposição na internet e avalanches de selfies, onde nossa identidade volta e meia se perde dada a necessidade generalizada de sermos todos bonitos e felizes, e onde queremos ser diferentes sendo iguais a todo mundo, essa hipótese se torna ainda mais enigmática.

Entretanto, cometi um pecado. Vi o filme O homem duplicado já em seguida (com Jake Gyllenhall, e direção do atualmente festejado Denis Villeneuve). A película não é ruim, não mesmo. Mas falta a intensidade das personagens da caneta de Saramago - o que é perfeitamente natural. A angústia do filme não chega aos pés da expectativa das páginas.

Se quiser ver um bom filme (não um filme booommm), é uma sugestão - só não me pergunte da aranha. Se quiser ler um livro denso, melhor que o filme, recomendo. Se optar pelos dois, leia o livro antes.

Ao longo da semana repassarei alguns trechos do livro. Sem spoiler.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Polêmica sobre a foto da menina nua na Guerra do Vietnã me lembrou o texto "Éramos pedófilos e não sabíamos?"

Parece-me indiscutível que entramos na era da loucura, da neurose. Um pouco pelas evidências das crueldades humanas (que sempre existiram, talvez até piores do que são hoje, mas que nunca tiveram a divulgação massiva e instantânea como atualmente), um pouco por conta da síndrome do "politicamente correto".

Agora a polêmica é sobre a famosa foto da menina nua na Guerra do Vietnã fugindo de um bombardeio americano com napalm. Crua, violenta e triste por si só. O Facebook resolveu tirá-la do ar. Voltou atrás. As razões podem ser lidas aqui.



Lendo os argumentos, lembrei de um texto sobre pedofilia que escrevi em fevereiro de 2011. Lá se vão mais de cinco anos. "Éramos todos pedófilos e não sabíamos?". Para ler, basta clicar no título aí do lado.

Não tenho certeza se a humanidade está evoluindo ou involuindo. Acredito muito fortemente na primeira opção, apesar de alguns desarranjos aqui e ali. O futuro nos dirá.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Hoje é dia de rock, bebê.

AC/DC - Thunderstruck.

Em versões, hehe!!!



E o original:


quinta-feira, 14 de abril de 2016

Telhado de vidro.



                   Um dos textos que mais me fez refletir na minha vida adulta é de um jaraguaense. “A falácia do telhado de vidro”, do advogado e professor Darwinn Harnack, de 2010. Lembrei dele no meio desta fuzarca que virou nossa política e as discussões de botequim. Cabe bem aqui, em dois aspectos, a meu ver.

                   Primeiro: “Todo o ser humano comete erros e é falível. Disso não restam quaisquer dúvidas. Porém, o escudo hoje tão utilizado do “não jogue pedras...” tem fundamentado uma atitude não recomendável de passividade perante os fatos da vida. Se todo o ser humano erra, isso não é motivo para deixar de se defender um padrão de conduta correto e voltado para o bem. Quem erra deve aceitar a crítica devida, mas não perde, por isso, o direito de também cobrar a correção da conduta alheia. Fosse assim, ninguém poderia criticar mais nada. Essa ideia é falaciosa e induz à passividade que tanto interessa a quem assume uma posição de comando, seja em uma instituição ou mesmo no Estado. Em outras palavras, não é porque alguém cometeu um ou mais deslizes na vida que está fora da órbita dos chamados “homens de bem”, que podem criticar e cobrar os demais. Todos têm esse direito e o “homem de bem” de hoje, pode ser o errado amanhã.”

                   De outro norte, o próprio contrapõe: “É bem verdade que o ataque irracional contra alguém que cometeu um erro na vida, constitui atitude leviana e própria de quem não calça mentalmente as sandálias do próximo antes de se pronunciar”. O professor tem razão nas duas colocações. Passividade a obscuros interesses alimenta. Raiva a nenhum lugar leva.

                   Está-se vendo, porém, a pessoalização nas discussões dos problemas que assolam nosso país. Poucos têm trazido soluções, muitos têm descarregado, com evidente ira, ataques irracionais claramente papagaiando o “que ouviram dizer”, às vezes sem a mínima noção do que repetem.

                   O momento é grave, o debate é necessário, o conhecimento de causa é fundamental e a reflexão é essencial. Independentemente de como terminar esta triste página da nossa história.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

O código de honra.



                   Vivemos uma fase ímpar no Brasil. É, não tenho dúvidas, um momento de libertação. Independentemente do lado que se esteja, estamos passando por um processo de depuração política. Caindo ou não a Presidente da República ou o Presidente da Câmara, ou mesmo o do Senado, não se enganem os sobreviventes de que estarão a salvo do crivo popular. Uma nova era chegou. E creio que será diferente da apatia que se deu pós-1992.

                   Lendo “O código de honra: como ocorrem as revoluções morais”, do filósofo contemporâneo Kwane Anthony Appiah, no capítulo que trata do fim da escravidão atlântica, há lições que muito bem se aplicam a nossa realidade, embora discutidas nos anos 1820 pelos britânicos: “a informação às classes mais humildes sobre o tema em questão não é trabalho perdido, ao contrário de grande parte do que se dedica a seus superiores em cultura e posição”. Embora o próprio autor reconheça certa polêmica nesta afirmação, verificava-se que as classes médias e altas “tinham consciência dos horrores da escravidão e mesmo assim não faziam nada”. Pergunto-me se se aplica essa assertiva ao Brasil em relação aos horrores da corrupção, em tempos modernos? E estendo este questionamento às “pequenas corrupções” do dia-a-dia, como estacionar indevidamente na vaga de idoso, não devolver o troco a maior dado errado, jogar lixo na rua, furar fila, comprar cd pirata e por aí afora.

                   Continuando o raciocínio comparativo, ainda segundo o livro, nos anos 1830, na Inglaterra, houve manifestações que levavam cerca de 200 mil pessoas para comícios sobre reformas políticas, sendo que “o Parlamento se acostumou com a nova ideia de que devia responder aos julgamentos da nação – e não os direcionar”. O autor complementa o pensamento da época com um comentário de Disraeli, talvez, digo eu, com uma pitada de preconceito: “uma aristocracia esclarecida, que se colocou à frente de um movimento que não se originou dela, deveria ter corrigido, e não sancionado, os erros virtuosos de uma comunidade bem-intencionada, mas de mentalidade estreita”.

                   Já se vão quase 200 anos e a história parece, em sua essência, se repetir, em lugar e por motivos diferentes. Precisamos refletir.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Os fins não justificam os meios.



E nem os êxitos, por si só, justificam os erros. Principalmente se tais erros ultrapassarem propositadamente o limite da ética.

Estou meio impaciente, além de triste, com o que tenho visto em decorrência dos despautérios no planalto central. Agora você é coxinha ou é petralha. Parece não haver meio termo. Pior, as discussões, salvo honrosas exceções, estão rasas, assustadoramente rasas. Estamos perdendo uma oportunidade fabulosa – não diria ímpar porque há 24 anos já passamos por algo similar – de democraticamente elevarmos o nível do debate e de esclarecermos definitivamente à população o que está acontecendo jurídica, social e politicamente. E, então, como deve ser num país democrático e republicano, cada um tiraria sua conclusão ou lapidaria sua opinião.

Mas, não é o que tenho visto, em regra. Não consigo entender como alguns lulo-petistas insistem em centrar a defesa da Presidente e do seu antecessor unicamente no mérito da ascensão de boa parte da população miserável que esse país tinha.  E, muito menos, argumentar que discutir impeachment é golpe. Não, o impeachment não é golpe. Não o será, pelo menos, se a ordem legal for respeitada. Faz parte do nosso presidencialismo tanto quanto o faz a eleição direta. Não, o sucesso de planos sociais não pode servir de cortina de fumaça para as falcatruas que estão se revelando como nunca antes na história desse país. Não existe compensação para corrupção e nem deve existir a vitimização do corrupto.

Por outro lado, não se pode aceitar que o legítimo e justo processo legal seja atropelado em nome de um suposto bem maior que é a depuração da classe política e, consequentemente, da sociedade. Isso, assim como o aparelhamento da administração pública, não é republicano e nem democrático. Subjetivismos desta natureza contaminam a democracia. E nossa democracia custou sangue, suor e lágrimas para ser assim desprezada. Não se pode esquecer, jamais, que os fins não justificam os meios e, mais, que a quebra do devido processo legal não repercute apenas para os políticos ora suspeitos. Reverberá, mais cedo ou mais tarde, para os cidadãos de bem. O devido processo legal é a base da Justiça e da Democracia e não podemos simplesmente não considerar esta hipótese porque gostamos ou não gostamos de alguém. Não se pode comer o fruto da árvore envenenada.

 É momento de indignação. Porém com reflexão e responsabilidade!

 Bacafá

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Advogado é suspenso nos EUA por propaganda enganosa e com termo chulo.

Fonte: Portal Conjur.

As empresas dos Estados Unidos, como as de outras partes do mundo, gostam muito de slogans como “servindo a comunidade desde 1992”. Em seus anúncios nas páginas amarelas e em seu website, o advogado Brent Welke deu uma nova dimensão a esse recurso publicitário, para mostrar que faz o que devedores irados supostamente gostariam de fazer contra os bancos, com o slogan: “Screwing banks since 1992” (que pode ser traduzido como "fodendo bancos desde 1992").

Além da linguagem tecnicamente inapropriada, os tais anúncios do advogado especializado em falência prometiam coisas que ele não poderia cumprir, pelo menos inteiramente, tais como: “Mantenha sua propriedade”; “Impeça penhoras de salários”; “Impeça execução de hipoteca”; e “Impeça reintegração de posso de veículos”.

Pelo menos isso foi o que entendeu o tribunal superior de Indiana, onde o advogado atua. Para os ministros da corte, tais promessas equivaliam a algo como propaganda enganosa. Em decisão unânime, eles explicaram que anúncios omitiram o fato de que tais promessas a devedores em processo de falência representam apenas uma possibilidade, não uma garantia.


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Agora, mais "comedido", esse advogado colocou um buldogue no seu site, e uma expressão não muito, digamos, técnica, para atrair seus clientes. Veja clicando aqui.

No Brasil as regras são rígidas para publicidade. Cães, por exemplo, não são permitidos...

Ministro do STJ determina devolução de 90% do valor pago de imóvel a comprador em distrato.

Fonte: Portal STJ.

Decisão de um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve decisões de outras instâncias
judiciais que garantiram a devolução ao comprador de 90% do valor pago por um apartamento em razão da rescisão do contrato de compra com a construtora (distrato).

A ação envolve a compra na planta de um apartamento em Águas Claras, cidade satélite de Brasília, em março de 2011. O valor do imóvel foi de R$ 212 mil, com o pagamento de um sinal, comissão de corretagem e prestação mensal de R$ 357, corrigida mensalmente pelo INCC.

Em abril de 2014, quatro meses após a data prometida para entrega do imóvel e sem qualquer previsão para o término da obra, o comprador decidiu rescindir o contrato. O total pago então somava R$ 64.196,99. De acordo com o contrato, a rescisão por desistência do comprador representaria a perda de 40% do total pago.

Inconformado, o comprador entrou na Justiça alegando a abusividade desse percentual e requerendo uma retenção de no máximo 10% do valor pago.

Na sentença, o juiz de primeira instância concordou com os argumentos apresentados ao salientar que a retenção de 10% “é suficiente para cobrir eventuais prejuízos advindos do desfazimento do negócio”, condenando a construtora a devolver 90% do valor pago, em parcela única.

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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Porque hoje é sexta-feira (e nós merecemos rir um pouco). Viva Marte e sua água!

Ou, nesse caso, muito.
Ainda me impressiono com a criatividade do ser humano. Alguns parvos até escreveram umas sandices, mesmo. Mas outros, acredito, inventaram deliberadamente algumas respostas que servem, indiscutivelmente, para desopilar o fígado.

São comentários sobre a descoberta de água em Marte, trazidos do G1.

Vi lá no blog Não Salvo.

Divirtam-se.








quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Cirurgião plástico deve garantir êxito do procedimento estético

Fonte: Portal do STJ.

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento de que a relação entre o profissional médico e seus clientes gera um contrato de “obrigação de resultado”. Conforme decisões do tribunal, o cirurgião plástico, ao oferecer seus serviços, compromete-se a alcançar o resultado estético pretendido. Caso ocorram falhas nos procedimentos ou os resultados não sejam obtidos, o cliente pode acionar a Justiça para reparar eventuais danos morais e materiais.

“De acordo com vasta jurisprudência, a cirurgia plástica estética é obrigação de resultado, uma vez que o objetivo do paciente é justamente melhorar sua aparência, comprometendo-se o cirurgião a proporcionar-lhe o resultado pretendido”, decidiu o tribunal ao analisar o AREsp 328110.   

“O que importa considerar é que o profissional na área de cirurgia plástica, nos dias atuais, promete um determinado resultado (aliás, essa é a sua atividade-fim), prevendo, inclusive, com detalhes, esse novo resultado estético procurado. Alguns se utilizam mesmo de programas de computador que projetam a simulação da nova imagem (nariz, boca, olhos, seios, nádegas etc.), através de montagem, escolhida na tela do computador ou na impressora, para que o cliente decida. Estabelece-se, sem dúvida, entre médico e paciente relação contratual de resultado que deve ser honrada”, define a doutrina.   

O Brasil apresenta, ao lado dos EUA, o maior número de procedimentos desse tipo: a cada ano são realizadas no país mais de um milhão de procedimentos estéticos, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). Entre as mais comuns estão a cirurgia para remoção de gordura localizada (lipoaspiração), o implante de silicone para aumento dos seios (mamoplastia) e a cirurgia para levantar o nariz (rinoplastia).

As decisões da corte sobre esse assunto estão disponibilizadas pela Pesquisa Pronta, na página eletrônica do STJ, sob o tema Responsabilidade Civil do profissional por erro médico. A ferramenta oferece consultas prontamente disponíveis a temas jurídicos relevantes, bem como a acórdãos de julgamento de casos notórios.

Continue lendo no Portal do STJ clicando aqui.

Não obstante a responsabilidade objetiva pacificada pelos tribunais nessas situações, um ponto a ser avaliado é o que o cliente/paciente esperava, ou seja, na sua opinião, ou seja, uma sensação subjetiva, o resultado pode não ser exatamente o que ele sonhava, em especial nas cirurgias faciais. Quando ocorrem lesões a questão é bem mais tranquila. Contudo, nas outras possibilidades, a controvérsia pode se instalar...

Para os médicos, um dos fatores preponderantes para evitar desconfortos posteriores é esclarecer o cliente/paciente de todos os riscos inerentes ao procedimento.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

As fantasias.


Carlos Henrique Schroeder sempre impressiona. E me impressiona porque inova, porque, de alguma maneira, se reinventa como escritor. É a sensação que tenho, na qualidade de não-especialista ou não-crítico de literatura. As fantasias eletivas trazem esse ar de inovação nessa história de vai e vem entre o porteiro de hotel Renê e o travesti Copi, uma relação improvável, com um quê de drama.

Vencedor de vários prêmios, agitador cultural no bom sentido, criador de vários festivais e feiras, escritor inovador, dele o livro que mais gostei foi Ensaio no vazio, um verdadeiro soco no estômago.

De As fantasias... escolhi alguns excertos:

"A vida é uma coleção de derrotas e vitórias emocionais que se empilhavam atrás do ego."

"Nos permitimos exibir nossos carros, a porra desses tijolões, os celulares, mas temos vergonha de fazer um carinho, dar um beijo prolongado na nossa companhia em plena rua. É o claro isolamento do afeto, do toque, do gesto. É uma espécie de ausência que torna todas as ruas de todas as cidades um pouco fantasmas, já que deixaram de ser o palco das expressões humanas para ser apenas um trajeto."

"No fim
é só o fim."

"Escrever não é divino, é humano, é triste. É uma criança numa piscina de bolinhas: a criança não sabe por que está lá: gosta, fica, brinca, é divertido. (...). Nenhuma criança quer morar numa piscina de bolinhas: é um lugar de felicidade transitória, de alguns momentos iluminados, que depois se tornam sombrios."

Relendo esses trechos, lembrei de uma Ciranda Cultural promovida pela Biblioteca Municipal de Jaraguá do Sul cujo escritor convidado foi o Schroeder. Ali ele contou que o objetivo do escritor é buscar escrever o livro perfeito, e que nunca está completamente satisfeito com o que escreve. E que o próximo terá que ser melhor.

É um pouco a vida isso, não?