Bacafá

Bacafá
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador crianças. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Polêmica sobre a foto da menina nua na Guerra do Vietnã me lembrou o texto "Éramos pedófilos e não sabíamos?"

Parece-me indiscutível que entramos na era da loucura, da neurose. Um pouco pelas evidências das crueldades humanas (que sempre existiram, talvez até piores do que são hoje, mas que nunca tiveram a divulgação massiva e instantânea como atualmente), um pouco por conta da síndrome do "politicamente correto".

Agora a polêmica é sobre a famosa foto da menina nua na Guerra do Vietnã fugindo de um bombardeio americano com napalm. Crua, violenta e triste por si só. O Facebook resolveu tirá-la do ar. Voltou atrás. As razões podem ser lidas aqui.



Lendo os argumentos, lembrei de um texto sobre pedofilia que escrevi em fevereiro de 2011. Lá se vão mais de cinco anos. "Éramos todos pedófilos e não sabíamos?". Para ler, basta clicar no título aí do lado.

Não tenho certeza se a humanidade está evoluindo ou involuindo. Acredito muito fortemente na primeira opção, apesar de alguns desarranjos aqui e ali. O futuro nos dirá.

terça-feira, 18 de junho de 2013

Redução da maioridade penal condenada em debate no Congresso Nacional.

A redução da maioridade penal, prevista em projetos em tramitação no Congresso Nacional, foi criticada pelos convidados que participaram de audiência pública na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CDH) nesta segunda-feira (17). Em lugar da redução, eles defenderam o fortalecimento das políticas públicas voltadas para crianças e adolescentes, e disseram que a violência que assombra a classe média só ganha destaque devido a sua exploração pela mídia, que transmite à sociedade uma visão distorcida da realidade.

A audiência foi aberta com a execução do Hino Nacional por orquestra dirigida por um agente de reintegração social e composta por adolescentes que cumprem medida sócio-educativa na Unidade de Internação do Plano Piloto (UIPP), antigo Centro de Atendimento Juvenil Especializado (Caje), localizado no final da Asa Norte, em Brasília.

Para a representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP), Cynthia Rejane Corrêa Araújo Ciarallo, a violência ganha destaque não porque os atos infracionais praticados por adolescentes “tomam conta do país”, mas porque “a pauta midiática recorta e elege fatos isolados como destinação de política juvenil”. Ela apontou a proximidade de eleições gerais, em 2014, e disse que “quando as paixões entram em cena, há risco de que as violações aconteçam”.

Cynthia disse que “há hoje umas dez empresas que tomam conta do país por conta do poder de informação, que deveriam estar discutindo os direitos ainda não consagrados previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, as medidas sócio-educativas em processo de implantação que não aparecem na televisão”.

Continue lendo no Portal do Senado.

terça-feira, 23 de abril de 2013

McDonald's multado em R$ 3 mi por publicidade infantil.


O Procon manteve a multa de R$ 3,19 mi ao McDonald's pela venda de lanches com brinquedos e publicidade infantil. A decisão do órgão de defesa do consumidor foi dada na esfera administrativa e a multa pode ser contestada judicialmente.
O Instituto Alana, organização de defesa dos direitos da criança e do adolescente no âmbito das relações de consumo, enviou uma representação ao Procon em 2010, alegando que a venda do McLanche Feliz "seduz" o público infantil com os brinquedos colecionáveis, que representam personagens famosos do ideário infantil, integrantes de desenhos animados ou filmes.
"A quantidade de calorias contida nos alimentos que fazem parte da promoção tradicional não corresponde a um valor razoável de ser digerido em uma refeição por crianças – ainda mais se for observado que a informação nutricional de alimentos por McDonald’s corresponde a valores padronizados de acordo com referências de uma dieta adulta", afirmou a instituição.
A entidade também defendeu que os comerciais da rede de fast food abusam da veiculação de imagens de parceria, amizade e diversão entre crianças em relação aos alimentos ofertados. "Os comerciais dedicam-se à veiculação de imagens que em nada se referem aos alimentos supostamente ofertados, e sim a valores, situações e estados de espírito que sutilmente são atribuídos como de fácil aquisição a partir do que é consumido na rede de alimentos", expôs.
Clique aqui para ver um interessante vídeo e meus comentários sobre o impacto da publicidade sobre as crianças.


quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Adulteração infantil - parte II


Semana passada tratei da adulteração infantil praticada pelos parentes próximos, normalmente pelas mães, tias e avós contra as meninas. Não só contra estas, e nem só por aquelas, é verdade. Mas normalmente são as meninas as que mais sofrem com o amadurecimento precoce decorrente das maquiagens, roupas, acessórios e assuntos que lhes são empurrados goela abaixo. Por um lado, fiquei feliz, pois recebi muitas manifestações concordando com a minha indignação; por outro, preocupado, pois muitas destas pessoas que a mim se dirigiram disseram, também, que infelizmente estão a ver mais e mais situações como estas.




Alguns amigos vão rir, mas entendo que boa parcela de culpa desta situação é, além da ausência de conversa dentro de casa e perda de valores básicos, a falta de leitura. As pessoas têm lido pouco, e em todas as classes sociais. E, pior, têm simplesmente trocado a leitura (de bons livros) pelos programas destrutivos da TV, que, muitas vezes, emporcalham corações e mentes, pois é de mais fácil digestão para quem não adubou o hábito da leitura. Uma coisa leva a outra, e sobre isso eu poderia escrever aqui algumas páginas. Afinal, como já disse Ernesto Sábato, a televisão nos tantaniza, com aquelas cores e brilho hipnotizantes.

Entretanto, hoje quero falar de outro ponto da adulteração infantil: da publicidade voltada às crianças. É sabido que a cada ano que passa os pais se deixam cada vez mais levar pelas vontades dos filhos. As razões são as mais variadas. Vão desde a completa falta de domínio dos filhos por incapacidade de educação até à consciência pesada pela ausência decorrente dos inúmeros compromissos (que muitas vezes nem do trabalho são). E as indústrias e agências de publicidade, que não são bobas, se aproveitam desta fraqueza dos pais.

O filho está boa parte do dia em frente à televisão vendo seus programas infantis recheados de merchandising, sendo que a criança pensa que o apresentador realmente consome aquele produto que diz que é bom. Isso sem contar os efeitos especiais que supervalorizam os produtos ou serviços oferecidos. Se os adultos se impressionam, imaginem as crianças.

Por isso, sou daqueles que defendem radicalmente a proibição de publicidade de produtos e serviços para o público infantil na televisão aberta, nos canais infantis da televisão fechada e nas revistas para crianças e adolescentes. Quem tem que decidir se o produto é bom, e ser convencido disso, são o pai e a mãe, e não os filhos.

Há projetos de lei tramitando no Congresso Nacional sobre o assunto. O tema é polêmico, porém, e o lobby das agências e das indústrias muito forte. Fala-se, até, em liberdade de expressão, o que, no meu ponto de vista, é um engodo. Um problema ainda maior é a internet, mas aí é tema para outra discussão.

Quem quiser ter ideia da gravidade que é a publicidade para o público infantil assista o vídeo abaixo, “Criança, a alma do negócio”:


quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Adulteração infantil


Dia desses, cortando o cabelo, percebi duas meninas com seus cinco ou seis anos de idade, fazendo as unhas nas manicures do mesmo salão. Questionei a minha cabeleireira se era muito comum crianças nessa idade fazerem as unhas (talvez eu, aqui, esteja usando a expressão errada, mas estavam, lá, as pequenas, pintando as unhas). Ela me respondeu que sim. Comentou, inclusive, que uma menina dos seus três ou quatro anos apareceu no salão com uma sandália com um saltinho. Pequeno, mas um salto.

Torno ao assunto, então, porque já comentei sobre isso nessa coluna e o que penso. Aproveito a época de Natal, transformada em uma grande data de comemoração capitalista, na qual muitas das pessoas (se não a maioria) que dizem acreditar nos dogmas cristãos ou teológicos, acabam se preocupando mais com o tamanho do peru do jantar, com os presentes que querem dar ou receber ou para onde vão nas férias de final de ano.

O fato é que cada vez mais cedo as crianças estão sendo transformadas em mini-adultos. É o que eu tenho insistentemente chamado de adulteração infantil, pois estas crianças estão sendo adulteradas, falsificadas, corrompidas ao terem suas mentes e corpos levados precocemente para a vida adulta.

Este fenômeno acontece principalmente com as meninas, vítimas de suas mães, tias e avós frustradas com o que não tiveram na sua infância ou, o que pode ser ainda pior, pressionadas pela cultura midiática do ter em detrimento do ser. Essas meninas crianças transformadas em mini-adultas podem agradar aos olhos de maníacos (tanto sexuais quanto consumistas), mas não aos meus e, acredito, da maioria das pessoas.

Sempre digo, também, que psicólogos e ortopedistas podem explicar melhor do que eu todas as conseqüências mentais e físicas a que estas crianças estão sujeitas, mas, ainda assim, dou meus pitacos.

O que dizer de meninas com seis, sete, dez anos, andando de sapatos ou sandálias com saltos, bolsas gigantes nos braços, com as caras pintadas, às vezes parecendo umas mini-prostitutas, celulares de última geração na mão e se comportando como adolescentes mimadas de 17 anos?

Primeiro, não vão sequer brincar aquelas brincadeiras tão salutares para corpo e mente de sua idade. Que menina-pseudo-adulta destas vai querer suar para brincar de pegar, esconde-esconde, amarelinha, elástico ou bambolê? E se quiser, como vai fazer com saltos debaixo dos pés? E se ficar descalça, onde vai deixar sua bolsa de marca ou seu celular de última geração, sendo que seus pais devem dizer “cuidado, não perca isso que foi muito caro”?

Segundo, como vão ficar os pés, joelhos e colunas destas meninas usando salto desde a infância? E isso descamba para coisas piores. Vi uma reportagem outro dia onde uma menina de 13 anos queria colocar silicone nos peitos. A mãe e o médico, pelo menos na televisão, disseram que não permirtiriam. Entretanto o que, cargas d’água, estavam fazendo num consultório eu não sei.

Voltarei ao tema semana que vem, tratando de outro fator: a publicidade.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Avós desconhecem as orientações mais recentes de segurança ao cuidar dos netos, diz pesquisa.


Quem cuida do seu filho são os avós? Veja como conversar com seus pais ou sogros para que a relação continue boa, mas que eles levem em consideração a maneira como você acredita ser o melhor na hora de cuidar do seu filho. Confira.

Avós são pais pela segunda vez. Você, certamente, já ouviu esse ditado. Uma pesquisa divulgada pela Academia Americana de Pediatria mostrou que o número de avós que cuidam dos netos aumentou mais de 20% nos últimos dez anos nos Estados Unidos. Nesse país, são 2,87 milhões de avós cuidando dos netos. Aqui no Brasil, não existe um número oficial, mas os especialistas entrevistados para esta reportagem afirmam que a tendência se confirma.

Mas será que eles estão por dentro das mudanças que ocorreram nos últimos anos sobre o jeito de cuidar das crianças? Para descobrir isso, os pesquisadores entrevistaram 49 avós. Cada um deles teve que responder a um questionário com 15 perguntas sobre segurança de crianças de todas as idades.

Quando perguntados sobre a melhor posição para o bebê dormir, 33% disseram de costas, 23% de lado e 43,8% de barriga para cima. Vale lembrar que a Academia Americana de Pediatria (AAP) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomendam que as crianças durmam de barriga para cima. Essa é a posição mais segura para prevenir a morte súbita. Além disso, a criança respira melhor e tem menos risco de engasgo – caso vomite, ela vai girar a cabeça para o lado.

Nas perguntas sobre a posição correta da cadeirinha no carro, 24,5% responderam que crianças de até 10 quilos devem andar viradas de frente para o painel. No entanto, a recomendação é que elas usem o bebê-conforto e fiquem viradas de costas para o painel.

Outro ponto questionado foi em relação ao uso de protetores, bichos de pelúcia e cobertores no berço dos bebês. Apesar de a AAP e a SBP não recomendarem o uso de protetores de berço – porque aumentam o risco de sufocação e servem como trampolim para a criança se apoiar para sair do berço –, cerca de 49% dos avós acham que esses itens são importantes para garantir o conforto das crianças.

E o número mais expressivo da pesquisa é que 74% dos avós afirmaram que o andador estimula as crianças a andar. Se você também acredita que o acessório é importante, saiba que os riscos são grandes. Ele pode até dar mais independência aos bebês, mas eles ainda não têm maturidade física e emocional para tanta liberdade. Assim, ao se locomoverem rapidamente, pode ser que não dê tempo de você socorrer seu filho se ele estiver perto de escadas, tomadas e até do fogão. Outro ponto importante é que o acessório pode atrasar o desenvolvimento psicomotor da criança, fazendo com que ela leve mais tempo para ficar em pé e caminhar sem apoio.

Continue lendo no portal Diga não à erotização infantil clicando aqui.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Pequenos atos, grandes consequências.

Hoje vou falar de dois pequenos atos e suas gigantescas consequências. Um dos atos foi realmente singelo, embora o resultado tenha mudado, possivelmente, pelo menos uma vida. O outro é um pouco mais complexo, embora nada excepcional; depende de mais pessoas, mas muito mais de vontade política.

Comecemos pelo ato que classifiquei como singelo. Li no sítio eletrônico Por Acaso (www.poracaso.com) texto do Ricardo Treis, relatando uma experiência pela qual ele próprio passou.

Resumidamente: ele estava passando pelo calçadão à noite quando se deparou com uma pessoa que todos reputavam como um bêbado. E, apesar do estado estranho do cidadão, ninguém, ao que tudo indica, havia se dignado a verificar mais de perto ou sequer chamar o SAMU. O Ricardo fez. Ligou e veio a ambulância. E o cidadão não estava bêbado. Aparentemente um problema neurológico. Talvez o Ricardo tenha salvado uma vida. Herói por um dia, mas que valeu o resto da vida daquele senhor.

Essa história me lembrou outra. Em Joinville há mais de vinte anos, estávamos alguns amigos e eu indo para a escola e passamos por um rapaz no chão. Não fizemos nada. Na direção oposta passou por mim um vizinho, hoje advogado, André Tavares Vieira, e eu falei para os meus amigos: ele vai parar para ajudar. Virei-me e realmente ele parou. Não sei o fim daquela história, porque minha ignorância soberba ou minha soberba ignorante dos 15 de idade me fez continuar o caminho da escola.

O grande problema é que as pessoas não querem se envolver. Querem ficar alheias aos problemas dos outros. Acham sempre que já têm problemas demais para resolver, sendo que ajudar – principalmente quando for um estranho – é uma carga que não lhes diz respeito. Não importa o tamanho da ajuda.

Já imaginaram um tsunami por aqui? Cada um por si e ninguém ajudando ninguém? Ainda bem que há Ricardos e Andrés que não pensam assim.

O outro assunto também trata da transformação que atos inteligentes e inovadores podem gerar. E que, como já disse, dependem apenas de um pouco de vontade política.

Li, no caderno de fim de semana do jornal Valor, uma reportagem sobre “El Sistema”. Como dizia na matéria, uma “fabulosa usina que já produziu centenas de orquestras infantojuvenis e adultas”. Um programa que existe na Venezuela.

Com “El Sistema” crianças do país inteiro são introduzidas na magia das músicas folclóricas e clássicas. Bebês de colo até dois anos, para começar, são reunidas com suas mães duas vezes por semana para cantar canções folclóricas da Venezuela. O nome das turmas? “Orquestra Baby Vivaldi”. Aos três anos as crianças vão a núcleos conhecer os grandes compositores eruditos. A ideia é que quando cresçam e escutem novamente estes mestres, sintam-os como velhos conhecidos.

A partir dos quatro anos começam a tocar instrumentos de corda apropriados, e assim vão se desenvolvendo. E mais, sem a ânsia de quererem ser os solistas, pois aprendem que todos na orquestra são importantes e que todos podem ensinar e aprender com o colega do lado. Hoje projeto é “exportado” até para o eterno rival EUA.

Alguém consegue imaginar esse trabalhado desenvolvido aqui na terra do FEMUSC? Crianças desde cedo aprendendo sobre boa música de verdade. Para uma cidade que arrecada mais de 1 milhão de reais por dia, seria uma transformação fantástica e nem tão difícil assim. Ou alguém duvida do que aconteceria socialmente se um projeto desses fosse mantido com uma continuidade mínima de 8 ou 12 anos?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Seis erros cometidos pelos pais na educação dos filhos.

Do blog "Diga não à erotização infantil".

Autores e especialistas listam e comentam os equívocos mais comuns dos pais no relacionamento com as crianças.

Elogiar muito uma criança pode estragá-la. Para um adolescente, discutir com os pais demonstra respeito. Estas são apenas algumas afirmações contidas em “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças” (Editora Lua de Papel), recém-lançado no Brasil e escrito pelos americanos Po Bronson e Ashley Merryman. No livro, os autores procuram desconstruir mitos atuais a respeito da educação das crianças a partir de resultados de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. Conheça alguns dos discursos equivocados mais comuns dos pais citados pelo livro e confira os comentários de especialistas.

“Sempre elogio meu filho”
“Deixo meu filho dormir um pouco mais tarde para ficar comigo”
“Ensino a meu filho que somos todos iguais”
“Não discuto com meu filho adolescente”
“Meu filho é superinteligente”
“Meu filho assiste a DVDs educativos”

Leia mais detalhes clicando aqui.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fala pra mãe.

“A Televisão/Me deixou burro/Muito burro demais/Agora todas coisas/Que eu penso/Me parecem iguais” já diziam os Titãs. Ernesto Sabato foi um pouco mais filosófico: “A televisão nos tantaliza, como no que nos enfeitiça. Esse efeito entre mágico e maléfico resulta, penso, do excesso de luz que nos toma com sua intensidade. Inevitável lembrar que ela produz o mesmo efeito nos insetos.”

Falo sobre isso por conta de uma discussão no Supremo Tribunal Federal (STF). Está em andamento o julgamento ação contra dispositivo do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que classifica como infração administrativa a transmissão de programa de rádio ou televisão em horário diverso do autorizado pelo governo federal. O dispositivo prevê pena de multa e suspensão da programação da emissora por até dois dias, no caso de reincidência.

A questão, como facilmente se percebe, não é meramente legal. É muito mais abrangente e há argumentos a favor e contra este tipo de regulamentação. Trata tanto da vontade das pessoas, quanto da educação dos filhos. Da limitação e da liberdade. Do poder do Estado e da responsabilidade dos pais.

Por enquanto quatro ministros votaram no sentido de permitir que as emissoras definam livremente sua programação, sendo obrigadas apenas a divulgar a classificação indicativa realizada pelo governo federal. Entendem que é inconstitucional o dispositivo do ECA que impede que as emissoras transmitam seus programas em horários diversos do que o Governo determina.

O papel de supervisão é dos pais, segundo estes ministros. Com base nas informações sobre a faixa etária recomendada, os pais das crianças e adolescentes poderão concluir se devem ou não deixá-los assistir aos programas. A autonomia, discernimento e poder devem ser dos pais. Acrescentam que não cabe ao Estado interferir na liberdade da família sobre o que assistir. Se o programa for inapropriado bastaria desligar a televisão.

Confesso, o tema é polêmico e me fez refletir mais uma vez. Se por um lado sou defensor da liberdade em todos os aspectos, cabendo a cada cidadão decidir se faz ou deixa de fazer alguma coisa, por outro vejo a dificuldade crescente de se educar os filhos. Muitas razões podem ser dadas (talvez nenhuma suficientemente convincente): excesso de trabalho dos pais, cada vez mais números de canais acessíveis, internet, consumismo jorrando pelas telas e autofalantes, crises de culpa dos pais justamente por estarem ausentes e voltamos todos ao círculo vicioso.

Há algum tempo alcunhei a expressão “adulteração de crianças” para me referir àquelas que se tornam adultas antes da hora, que antecipam seu amadurecimento, principalmente sexual e principalmente as meninas, por conta da invasão de imagens, comportamentos e produtos impróprios para crianças, mas para elas direcionados. Meninas não querem mais brincar de pegar ou de se esconder porque estão de salto alto ou bolsas penduradas em seus braços. Batons não são mais brincadeiras furtivas, escondidas das mães; ao contrário, as mães levam cada vez mais cedo suas filhas aos salões de beleza para fazer unhas, maquiar e sabe-se mais lá o quê.

A televisão tem considerável parcela de culpa nesta história. Mas, sim, os pais ainda são os responsáveis que devem educar seus filhos, orientando sobre o que podem e não podem.

O assunto ainda promete muita polêmica.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Brinquedos dos anos 80 e 90.

Em homenagem ao dia das crianças, esse vídeo com alguns brinquedos antigos. O ponto alto é das bolinhas de gude ou pecas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Adulteração infantil.

Do mundo da minha namorada para o meu mundo, parte II. Ela me mandou a imagem abaixo, do mundo da moda, a qual reflete um infeliz crescimento de mais uma forma daquilo que eu chamo de "adulteração infantil". A mídia e, principalmente, a publicidade transformam crianças e adolescentes em adultos, maturando antes da hora corpo e mente da molecada, em especial das meninas, com suas roupas e cosméticos. Vejam o absurdo da foto:


A garota aí em cima tem 10 anos e se chama Thylane Loubry. Profissão: modelo profissional. Já posou para inúmeras publicações mundialmente famosas de moda. Nada contra crianças que são modelos. É uma necessidade do mercado. O que acho absurdo é essa "adulteração" das crianças.

Já falei da "adulteração infantil" aqui e sobre a influência da publicidade sobre as crianças aqui, aqui, aqui e aqui.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O pato e o bullying.

Dia desses encontrei uma caixa de fitas cassetes (sim, elas ainda existem!) e resolvi arrumá-las. Para os leitores mais jovens, que eventualmente não conhecem, fitas cassete, ou K-7, era o que escutávamos nos carros antes dos CDs. Nos toca-fitas. Ou em casa mesmo, quando gravávamos as músicas preferidas dos nossos discos de vinil (LPs/long play) ou de nossos amigos.

Pois bem. Nessa bagunça de fitas encontrei uma raridade (talvez nem tão rara assim). A fita de “A arca de Noé”, com músicas de Vinícius de Moraes e Toquinho, interpretadas por grandes nomes da MPB da época, que ganhei dos meus pais em 1980. Claro que coloquei a fita para tocar. Músicas como “O pato”, “A casa”, “A pulga”, entre outras, voltaram à memória.

E fiquei pensando. Seriam essas músicas hoje admitidas com o tal do “politicamente correto”? Entendo que temos que repensar muitas atitudes que banalizam preconceito e violência, principalmente quando voltadas às crianças. Mas às vezes vejo que há exageros.

A letra da música “O pato” por exemplo:

“O Pato pateta/Pintou o caneco/Surrou a galinha/Bateu no marreco/Pulou do poleiro/No pé do cavalo/Levou um coice/Criou um galo” (o que diriam os mais radicais? Um incentivo à violência e ao bullying entre crianças. Onde já se viu o pato surrar a galinha e bater no marreco?)

“Comeu um pedaço/De genipapo/Ficou engasgado/Com dor no papo/Caiu no poço/Quebrou a tigela/Tantas fez o moço/Que foi prá panela” (aqui apareceriam os radicais dizendo que não houve o amplo direito de defesa do pato, condenado à morte sem um julgamento justo e que a pena de morte, por si só, é um crime contra a humanidade).

E da letra da música “A casa”:

“Era uma casa/Muito engraçada/Não tinha teto/Não tinha nada/Ninguém podia/Entrar nela não/Porque na casa/Não tinha chão/Ninguém podia/Dormir na rede/Porque na casa/Não tinha parede/Ninguém podia/Fazer pipi/Porque pinico/Não tinha ali/Mas era feita/Com muito esmero/Na rua dos bobos/Número zero.” (nessa os radicais diriam que é uma música que fomenta a luta entre classes, pois a casa do pobre não tem nada e lá só moram os bobos).

E da música “A pulga”?

“Um, dois, três/Quatro, cinco, seis/Com mais um pulinho/Estou na perna do freguês/Um, dois, três/Quatro, cinco, seis/Com mais uma mordidinha/Coitadinho do freguês/Um, dois, três/Quatro, cinco, seis/Tô de barriguinha cheia/Tchau/Good bye/Auf Wiedersehen” (um completo desrespeito às normas de proteção ao consumidor, diriam os politicamente chatos).

São simples músicas, caros leitores. Simples na sua concepção, razão de sua genialidade. Vinícius e Toquinho fizeram essas músicas em homenagem a seus filhos e pensando, provavelmente, na pureza e simplicidade da infância. Sem preocupações outras. E há mais de trinta anos ouvimos essas músicas em diversas versões (até rock’n’roll).

Até onde sei ainda não implicaram com essas músicas. Talvez pela grandeza de seus autores. Mas já vi gente querendo mudar “Atirei o pau no gato”, “O cravo brigou com a rosa” e “Boi da cara preta”, alegando violência e racismo. Não quero dizer, repito, que não devamos prestar atenção aos desvios e muito menos que bullying não seja algo sério e a se combater. Mas sem exageros. Eu mesmo passei a usar óculos aos quatro anos de idade e fui chamado de “quatro olhos” boa parte da minha infância e adolescência. E não acredito que tenha ido mais ou menos longe por causa disso. Os tropeções ocorreram, no máximo, por causa da minha hipermetropia.

Abaixo as músicas:

O pato - do musical "A arca de Noé" exibido pela rede globo em 10 de outubro de 1980 (acima comentado). MPB4, com participação especial da menina Aretha, filha da cantora Vanusa.



A casa - do mesmo musical, com o grupo Boca Livre.



A pulga - também do especial "A Arca de Noé", com Bebel Gilberto:

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Morte trágica de menina gera campanha de doações.

A morte trágica de uma menina de 9 anos em Seattle, nos Estados Unidos, gerou uma campanha por doações que já arrecadou mais de US$ 165 mil para levar água a comunidades carentes na África.

Rachel Beckwith havia pedido no mês passado, para seu nono aniversário, que familiares e amigos fizessem doações para uma organização não governamental em vez de lhe dar presentes. Seu objetivo era arrecadar US$ 300.

Rachel Beckwith pediu que seus presentes de aniversário fossem doações a ONG para levar água potável a comunidades da África

Na semana passada, porém, Rachel ficou gravemente ferida em um engavetamento envolvendo 13 carros numa estrada próxima à sua casa. No último fim de semana, sua família decidiu permitir o desligamento dos aparelhos que a mantinham viva artificialmente e doaram seus órgãos.

A notícia da tragédia chamou a atenção para a página que a menina havia criado no site da ONG charity:water para arrecadar doações. Em poucos dias, as contribuições superaram mais de 500 vezes sua meta inicial.

Em sua mensagem colocada no site no início de sua campanha, Rachel pedia doações em lugar de presentes em seu aniversário.

"No dia 12 de junho de 2011, vou fazer 9 anos. Descobri que milhões de pessoas não vivem até seu quinto aniversário. E por que? Porque elas não têm acesso à água limpa e segura", diz a mensagem.

"Obrigado por sua generosidade. Eu sei que Rachel está sorrindo!", diz Samantha, mãe de Rachel Beckwith.
"Por isso estou celebrando meu aniversário de maneira diferente. Estou pedindo para todo mundo que eu conheço que doem à minha campanha em vez de me dar presentes no meu aniversário", afirma.

Na segunda-feira, dois dias após a morte da menina, sua mãe, Samantha, postou uma mensagem para agradecer pelas doações à campanha da filha.

"Estou impressionada com o imenso amor para transformar o sonho de minha filha em realidade. Diante da dor inexplicável, vocês forneceram uma esperança inegável", disse ela.

"Obrigado por sua generosidade. Eu sei que Rachel está sorrindo!", escreveu.

Segundo a ONG charity:water, as doações recebidas por meio da página de Rachel Beckwith já haviam ajudado até a manhã desta terça-feira a fornecer fontes de água potável para 8.290 pessoas.

Fonte: Portal Folha.com.

-----------------------------------------
Com essa lição fico aqui pensando com meus botões: ah, se cada um fizesse a sua parte... como muita coisa poderia ser diferente...

sábado, 25 de junho de 2011

Famílias acolhedoras.

Hoje em dia – e talvez desde sempre – fala-se muito sobre crianças em abrigos e orfanatos, nas ruas ou com pais ou responsáveis sem as mínimas condições de dar a segurança física e psicológica que se espera e a que têm direito.

A maioria das pessoas se compadece com as histórias e, muitas vezes, o sofrimento dessas crianças e adolescentes. E, de fato, algumas destas histórias são realmente escabrosas.

A adoção é um dos caminhos para aproximar as crianças e adolescentes órfãs ou cujos pais perderam o pátrio poder e as pessoas que querem recebê-las para formar uma verdadeira família. Entretanto, ante a importância deste instituto e as sérias conseqüências que gera para todos os envolvidos, principalmente para os adotados, todo o processo é cercado da maior e necessária cautela.

Eu, particularmente, tenho o maior apreço, consideração e respeito pelas pessoas que adotam. É, no meu ponto de vista, um dos maiores atos de amor e altruísmo que um ser humano pode demonstrar.

Por outro lado para contrabalançar as dificuldades e obstáculos que se apresentam e se impõem às adoções, OAB, Poder Judiciário, Administrações Públicas em geral e diversas entidades não governamentais desenvolvem projetos e programas para diminuir o drama de quem acorda e dorme com a esperança de ter uma nova família.

Um desses belos trabalhos é desenvolvido pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Família e Habitação de Jaraguá do Sul, em parceria com o Juizado da Infância e Juventude, o Ministério Público e o Conselho Tutelar. Trata-se do Programa Famílias Acolhedoras.

Referido programa, que conheci em uma rápida palestra dada por uma psicóloga e uma assistente social em uma reunião do COMDECON, objetiva preparar famílias para acolherem provisoriamente crianças e adolescentes.

Essas famílias temporárias são o elo, o período de transição, segundo o programa, entre a família destituída e a família que adotará a criança, caso um dia esta apareça. Como diz o folheto de divulgação do programa “uma família substituta representa a continuidade da convivência familiar e comunitária em ambiente sadio, onde a criança pode expressar sua individualidade e ter o seu sofrimento minimizado diante da crise em que se encontra”.

É importante destacar, aqui, que essas famílias não vão receber as crianças e adolescentes como filhos e, também e mais importante, que não vão poder adotá-las. Todos os envolvidos, tanto as crianças e os adolescentes, quanto as famílias acolhedoras, são esclarecidas, estudadas e preparadas e ainda recebem um acompanhamento multidisciplinar durante todo o período de relacionamento. O que existe, de fato, é uma bela parceria entre estas famílias e as autoridades constituídas para atender e preparar esses menores às famílias de origem ou à adoção. Outro aspecto de suma importância que deve ser lembrado é que existe tempo máximo de permanência das crianças e dos adolescentes nas famílias acolhedoras.

Este é mais um bonito trabalho que demonstra que a importância da preocupação social e que a união de esforços podem promover resultados que beneficiarão a sociedade como um todo.

quinta-feira, 26 de maio de 2011