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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

As fantasias.


Carlos Henrique Schroeder sempre impressiona. E me impressiona porque inova, porque, de alguma maneira, se reinventa como escritor. É a sensação que tenho, na qualidade de não-especialista ou não-crítico de literatura. As fantasias eletivas trazem esse ar de inovação nessa história de vai e vem entre o porteiro de hotel Renê e o travesti Copi, uma relação improvável, com um quê de drama.

Vencedor de vários prêmios, agitador cultural no bom sentido, criador de vários festivais e feiras, escritor inovador, dele o livro que mais gostei foi Ensaio no vazio, um verdadeiro soco no estômago.

De As fantasias... escolhi alguns excertos:

"A vida é uma coleção de derrotas e vitórias emocionais que se empilhavam atrás do ego."

"Nos permitimos exibir nossos carros, a porra desses tijolões, os celulares, mas temos vergonha de fazer um carinho, dar um beijo prolongado na nossa companhia em plena rua. É o claro isolamento do afeto, do toque, do gesto. É uma espécie de ausência que torna todas as ruas de todas as cidades um pouco fantasmas, já que deixaram de ser o palco das expressões humanas para ser apenas um trajeto."

"No fim
é só o fim."

"Escrever não é divino, é humano, é triste. É uma criança numa piscina de bolinhas: a criança não sabe por que está lá: gosta, fica, brinca, é divertido. (...). Nenhuma criança quer morar numa piscina de bolinhas: é um lugar de felicidade transitória, de alguns momentos iluminados, que depois se tornam sombrios."

Relendo esses trechos, lembrei de uma Ciranda Cultural promovida pela Biblioteca Municipal de Jaraguá do Sul cujo escritor convidado foi o Schroeder. Ali ele contou que o objetivo do escritor é buscar escrever o livro perfeito, e que nunca está completamente satisfeito com o que escreve. E que o próximo terá que ser melhor.

É um pouco a vida isso, não?

domingo, 2 de dezembro de 2012

Geração zero zero.

Fricções em rede.

Livro de contos organizado por Nelson de Oliveira (ed. Língua Geral) com diversos autores que se destacaram na primeira década dos anos 2000. Separei alguns pequenos trechos.

"Comer iguala todos na feiura primitiva"
"Sou eficiente, só isso. E modesto. Ninguém é modesto, San. Todo modesto é cínico. Cínico? Cínico. Interessante..."
(A mão que afaga, de Marne Lúcio Guedes)

"O ser humano é simples como uma boca e um mamilo que não se encaixam"
(Esc, de Tony Monti)

"Não me importava se cortasse as costas ou um braço, mas queria proteger os olhos e, se possível, o rosto todo. (...). Imaginei estilhaços voando e gostaria de os ver, sem o perigo de me machucar. Não sei se Ana mais gostava ou desgostava destes momentos em que organizo o ódio, esta possibilidade de fazer conjecturas que ontem se tornou assim ridícula por eu ter que lidar com um ódio que não me era cotidiano."
(Esboço de Ana, de Tony Monti)

"Mas tem duas coisas para as quais homem perde o senso da profundidade e do ridículo: as ondas do mar e as ondas do amor. Não sei o que tem o macho pra se achar nadador nesses abismos. Nenhum é. Amor é fundura e correnteza."
(Sobre a arte de falir, de Sidney Rocha)

"Ela coloca o livro entre as pernas, segura os seios, faz um biquinho com os lábios. Tiro várias fotos."
(Apontamentos sobre um olhar, de Carlos Henrique Schroeder)

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Festival Nacional de Contos

Nas palavras de Carlos Henrique Schroeder:


"Jaraguá do Sul sedia o Festival Nacional do Conto, de 9 a 12 de agosto de 2012, com um time fantástico de escritores.

Não pôde ir à Flip? Sem problemas, traremos os autores da Flip até você: João Anzanello Carrascoza (FLIP 2012), André de Leones (Flip 2012) e Luiz Ruffato (Flip 2011) estarão por aqui... 

É pouco? Que tal trazer os autores dos livros mais elogiados de 2011/2012 ("O céu dos suicidas" e "Habitante irreal"): Ricardo Lísias e Paulo Scott. 

Ainda é pouco? Então aí vai: Elvira Vigna. Ela mesma, uma das maiores autoras brasileiras vivas, faz uma fala exclusiva na abertura do evento: um momento histórico!

E pra fechar com chave de ouro, os contistas curitibanos Luís Henrique Pellanda e Luiz Felipe Leprevost, duas feras!

Ah, e tem a oficina com o Ruffato, viu? 


Um abraço do Schroeder!"

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Carlos Henrique Schroeder na FLIP.

Deu no Portal de O Globo:


Na última segunda-feira, o escritor catarinense Carlos Henrique Schroeder, 35 anos, mandou uma carta ao jornal Diário Catarinense, onde publicava crônicas semanais havia cinco anos: não escreveria mais. A decisão nada tinha a ver com a viagem marcada para a Flip dois dias depois, é bom que seus leitores saibam. Mas com uma necessidade cada vez maior em escapar da realidade – nisso os prazos apertados para a entrega das crônicas não o ajudavam – e entranhar-se na ficção. Abrir mão de uma coluna regular parecia um passo arriscado para um jovem escritor de Jaraguá do Sul, cidadezinha do interior de Santa Catarina (mais famosa pela indústria têxtil do que pela tradição literária). Mas não para Carlos. Apesar da pouca idade, ele já consegue viver de literatura. Autor de dez livros, entre teatro, contos e romances, ganhador de um bocado de prêmios e um dos principais agitadores culturais do seu estado, Carlos está na Flip para cumprir uma agenda apertada: participou de duas mesas neste sábado e no domingo, às 16h30, lança a graphic novel “Ensaio do vazio” (7 Letras), adaptada por cinco ilustradores do seu romance homônimo, de 2006.

- Se alguém abrir um motor de um carro na minha frente, não saberei diferenciar de um pudim. Desde criança eu vivo para a literatura. É só o que gosto de fazer: ler e escrever. Perdi muita coisa na vida por essa escolha, mas aos poucos fui aprendendo a disciplinar meu tempo e a viver assim – explica Carlos, que descobriu que seria escritor lendo gibis e livros da imensa biblioteca do avô, descendente de alemães e holandeses e antigo político da região. – É impressionante dizer isso, mas hoje eu consigo viver de literatura.

A vocação virou ofício, desses que pagam a conta de luz, há cerca de dois anos. Antes, Carlos trabalhava em hotéis em Balneário Camboriú, e muitos dos seus autores favoritos hoje, como Mario Benedetti, descobriu pelos livros deixados por turistas nos quartos. Em 2010, já com uma boa prateleira volumes publicados, ele ganhou a Bolsa Funarte de Criação Literária, que originou o romance “A mulher sem qualidades” (no prelo). No mesmo ano, faturou o Premio Clarice Lispector, da Fundação Biblioteca Nacional, como o melhor livro de contos do ano, por “As certezas e as palavras”. A partir de então, passou a ser convidado a ministrar oficinas e organizar eventos literários em Santa Catarina.

A última boa notícia veio há pouco mais de um mês, quando foi selecionado para integrar a antologia da Lettrétage, fundação cultural alemã, que peneirou 20 escritores brasileiros para uma publicação especial a ser lançada na Feira de Frankfurt de 2013, ano em que o Brasil será o país homenageado do evento.

Sua rotina é atribulada: pela manhã, lê cerca de 10 jornais entre nacionais e estrangeiros, blogs de escritores e sites de cultura, seleciona os melhores textos e tuíta em seu @xroeder , que virou uma espécie de boletim informal de literatura. Pela tarde, organiza oficinas e eventos, e leva o filho, Henrique, de dois anos, à escola. Só pega no braço dos seus personagens à noitinha, com a casa quieta, e com eles vara a madrugada.

- O Jonathan Franzen (um dos convidados da programação oficial da Flip) disse, numa entrevista, que o twitter é imbecilizante. Imbecilizante é dizer isso. Eu moro no interior do Brasil, a internet é a única maneira que eu tenho de não fica ilhado e compartilhar conhecimento – desabafa Carlos, um entusiasta das possibilidades digitais.

Uma das mesas das que participou no sábado, dentro da programação paralela Off-Flip, debateu o tema “Os livros na era digital”.

_ O ponto de vista que eu apresentei na mesa é o de que as pessoas discutem demais o impacto negativo dos livros digitais, se as pessoas vão comprar menos livros, ler menos. Mas poucos se lembram do que podem usufruir dentro deste formato. O digital tem imensas possibilidades para a linguagem de um romance, como a interatividade, o uso do áudio e animação – exemplifica o escritor, que pretende fazer um romance inteiramente pensado para o ambiente web em breve. – Se Cortázar conseguiu fazer no papel o Jogo da Amarelinha, imagina o que ele não faria se tivesse a internet...

Outra mesa que vai participou também no sábado “Escrituras & festas literárias”, o autor debateu um assunto polêmico: o oba-oba em que se transformaram muitos eventos de literatura.

- Acontece uma coisa curiosa: os escritores brasileiros não se leem. O mercado fica tentando buscar o grande autor brasileiro contemporâneo enquanto um não lê o outro. Todo mundo se estapeia por um ingresso de um autor que nunca leu. Pode perceber, principalmente em eventos do porte de uma Flip. Quem lembra os autores que vieram nas edições passadas? – provoca Carlos, que diz preferir as mesas “que sobram ingressos”.

No domingo, às 16h30, Carlos participa da “Conversa de Quadrinhos”, na Casa Clube de Autores, também dentro da Off-Flip, e às 18h participa do lançamento da graphic novel “Ensaio do Vazio”, no Empório da Cachaça, no Centro Histórico, com os ilustradores Diego Gerlach, Pedro Franz, Berliac, Leya Mira Brander e Manuel Depetris. Veja o booktrailer.

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Em tempo, Carlos é o editor de O Escritório.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ensaio do vazio.

Já li o livro e realmente é muito bom. Recomendo.
Ficam a dica e a expectativa para a versão em quadrinhos.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Festival Nacional do Conto

Livremente inspirado no Festival Europeu do Conto (realizado em Zagreb, na Croácia), o Festival Nacional do Conto é um projeto de difusão e discussão, e traz para Jaraguá do Sul o debate sobre um dos gêneros literários mais populares do globo.

Durante quatro dias, escritores, professores e leitores vão se deleitar com leituras, oficinas e debates, além da presença de grandes contistas brasileiros.

De 18 a 21 de agosto.

Mais informações, clique aqui.

quarta-feira, 30 de março de 2011

Nova página da Design Editora.

A Design Editora, editora do best seller "O escritório" (brincadeira...), está com casa virtual nova.
Com cinco anos, a Design, sob o batuta de Carlos Henrique Schroeder, conseguiu a incrível marca de mais de 100 lançamentos literários e agora desponta para o mercado virtual.

Acesse o site clicando aqui.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

As certezas e as palavras.

Mais um livro de Carlos Henrique Schroeder (dentre aqueles das minhas leituras - muito - atrasadas). Bom e contundente, como já me acostumei aos livros dele. Desta vez, contos bem elaborados, insistentes, persuasivos, chocantes até (o que não é propriamente uma novidade).

"A loucura é um fio enrolado num carretel de sonhos."

Outros fluindo com surpreendente leveza (sem fugir da contudência natural do autor), dos quais destaco aquele que saiu na coletânea em homenagem a Renato Russo, "O tempo que resta".

Traz, em suas histórias, um repertório gigante de referências a grandes autores, o que acaba por justificar a qualidade de seu trabalho.

"O amor e a morte sempre serão nossas sombras."

Transcrevo um trecho de "Adorável":

"Coincidentemente ela chegou quando eu lia um trecho onde Barthes discorria sobre "o que os gregos chamam de charris: o brilho dos olhos, a beleza luminosa do corpo, replandecência do ser desejável". Limitei-me a sorrir, quando, na verdade, deveria repetir o conceito de charris para ela."

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Ensaio do vazio.

O livro estava lá em casa há algum tempo. Já tinham me falado que era uma obra forte. Li. E li numa tarde, com alguns intervalos para tomar fôlego.

"A vida é uma sequência de decepções, o intervalo entre o nascimento e a morte."

Carlos Henrique Schroeder supera os dogmas e preconceitos nesse seu Ensaio do vazio. A história de um artista plástico, hedonista ao extremo, casado com uma palestrante de auto-ajuda e amigo de um poeta fracassado, prende. Pessimismo e calhordice da vida real em tons nada coloridos.

"O caminho dos derrotados é o mais tortuoso dos destinos."

Não é bem um soco no estômago, como me disseram. Em certos momentos é um chute nas partes mais baixas. Sem aviso.

"E o profeta, o criador, estava na minha cozinha. Com seus poderes transformou cachaça em fogo e olhares risíveis em sexo plausível; um pequeno acidente num evento memorável."

Recomendo.

"O tempo é o antídoto do amor, o amor é o do vazio, mas paradoxalmente o tempo só agrava o vazio que nos acomete."