Pela honra, orgulho e alegria que senti em ser convidado para ser paraninfo da turma de Direito da Fameg que colou grau no último sábado, transcrevo meu discurso:
"Senhor Diretor da Fameg Uniasselvi, Gonter Bartel, demais componentes da mesa, autoridades, senhores e senhoras, e em especial, caríssimos alunos e seus parentes, boa noite.
Hoje não é o fim de uma jornada ou o início de outra, mas é a transição dentro de um mesmo caminho, que se iniciou lá no primeiro dia de aula. É fruto da vontade e do empenho. E como dizia Schopenhauer, o homem é uma máquina de desejar que não pode ser desligada. Por isso sempre avança, sempre se aprimora, sempre quer mais.
Nesse momento de transição muitos filmes devem passar pela cabeça e memórias dos senhores. As lutas, as conquistas, as decepções. E muito trabalho, árduo trabalho. Tudo isso sendo coroado nesta data.
Mas como eu disse, o caminho não tem fim e, assim, a jornada continua.
Os senhores formandos, e aqui especialmente os estudantes de Direito, devem todos os dias refletir sobre a vossa função na sociedade.
Sejam como administradores, contadores, magistrados, promotores de justiça e principalmente como advogados, não podem esquecer jamais de que a labuta justa enobrece o homem e o faz ser valorizado no seu meio.
O status, caríssimos, serve apenas para os falsos amigos ou os interesseiros. Não que não precisemos de dinheiro. É claro que sim. Mas não pode ser, o dinheiro, o norte das nossas vidas. Não pode ser o maior estimulante de nossas ações.
Nós devemos ter prazer. Devemos sorrir. Devemos tentar. Devemos fazer diferente e buscar o melhor. E quando falo o melhor, não deve ser só o melhor para si, deve ser o melhor para si somado ao melhor para a sociedade.
Está mais do que na hora de deixarmos de sermos ensimesmados, de querermos cuidar apenas dos nossos próprios umbigos. Caros formandos, sejam fortes, sejam corajosos, mas sejam também gentis.
Sorriam.
Se me permitem, gostaria de perguntar aos presentes quem deu um sorriso hoje. Quem sorriu espontânea e verdadeiramente. Se a tensão do dia da formatura ainda não permitiu, que o façamos agora.
Vamos sorrir para as pessoas que queremos bem. Vamos olhar para o lado e sorrir. E não vamos ter vergonha de sorrir. Um sorriso, todos sabemos, abre muitas portas.
Contudo, óbvio, sorrisos apenas não bastam. Dedicação, trabalho, estudo, muita leitura, e leitura de todos os tipos, são o mínimo para que os senhores alcancem o tão almejado sucesso.
Aqui lembro de uma história de quando eu era pequeno. Minha avó sempre contava. Ela, viúva jovem, conseguiu dinheiro emprestado com o irmão para montar uma loja de fazendas, de tecidos. Duas das três filhas trabalhavam com ela. Entretanto, as clientes da loja sempre pediam para ser atendidas por uma delas. Sabe por que, perguntava minha avó para seus netos. Porque eles queriam aquela mocinha que sempre sorria e mostrava todos os tecidos, inclusive os que estavam nas prateleiras mais altas. Sempre sorrindo. E nunca se importando de guardar tudo de novo. Não queriam a outra menina que estava sempre de cara amarrada e que, quando a cliente pedia pra ver o da prateleira mais alta, apontava pra um corte da prateleira mais baixa dizendo que era parecido.
Concluía minha avó: façam as coisas bem feitas e com prazer. Ou parece que nada vai pra frente. Sábios ensinamentos.
E eu digo mais. Fiquem atentos para que seus atos sejam sempre guiados pela ética, pelo bom senso e pela serenidade. Trabalhem com paixão, com vontade, e com, repito, serenidade. Os frutos virão, sem dúvida, se o trabalho for dedicado.
Albert Camus já dizia que “os grandes sentimentos levam consigo o seu universo, esplêndido ou miserável”. Depende apenas dos senhores se será esplêndido ou miserável.
Lembrem-se das suas trajetórias até chegarem neste importante ponto de suas vidas. Lembrem das trajetórias dos seus pais. Das dos seus avós. De seus amigos. Conquistar o que os senhores estão conquistando hoje é para poucos. Os senhores fazem parte de uma pequena parcela de cidadãos brasileiros que possuem diploma de nível superior.
Então valorizem. Valorizem cada suor ou lágrima derramados. Cada final de semana enfurnado dentro de casa estudando. E, mais do que isso, cada aprendizado acumulado.
Porém, não se esqueçam de andar descalços na grama ou na areia, de cantar no chuveiro, de jogar bola ou brincar de boneca com seus filhos. Não parem de ler gibis, de dar uma gargalhada ou outra de vez em quando.
Não tenham medo ou vergonha de chorar, mas não choraminguem o tempo todo. Valorizem-se. Não percam os velhos amigos de vista. Festejem. Pulem de alegria. Gritem de alegria. Gritem de raiva. Extravasem. Sejam vocês e não sejam bonecos. Falem com os ricos e com os pobres do mesmo jeito. Sejam simples sempre. Ajudem sempre que puderem. E peçam ajuda sempre que precisarem. Guardem a arrogância na gaveta mais funda e joguem a chave fora. Distribuam gentilezas. Divirtam-se. Amem. Mas amem com paixão. Amem a profissão que escolheram. Sejam intensos.
Por fim, quero dizer que cultuem a alegria, que costuma caminhar de mãos dadas com o trabalho prazeroso e a honestidade. E sonhem, sonhem bons sonhos, meus amigos, pois afinal, como Shakespeare já dizia, “o homem é feito da matéria de seus sonhos”.
Saúde, sucesso e serenidade a todos.
Obrigado.
Bacafá
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quinta-feira, 1 de março de 2012
terça-feira, 3 de maio de 2011
Ratolândia.
O discurso abaixo, muito inspirado, embora antigo nos traz à reflexão.
Aplica-se à Brasília, Florianópolis e Jaraguá do Sul.
Será que adianta aumentar o número de gatos por aqui? Independente de serem pretos, brancos ou verdes? Está na hora de se pensar na qualidade e não na quantidade, em políticos independentes de outros poderes mas vinculados as suas ideias e ideais, que tenham uma plataforma condizente com os partidos que representam e que não votem de acordo com o vento como se fossem borboletas.
Aplica-se à Brasília, Florianópolis e Jaraguá do Sul.
Será que adianta aumentar o número de gatos por aqui? Independente de serem pretos, brancos ou verdes? Está na hora de se pensar na qualidade e não na quantidade, em políticos independentes de outros poderes mas vinculados as suas ideias e ideais, que tenham uma plataforma condizente com os partidos que representam e que não votem de acordo com o vento como se fossem borboletas.
domingo, 29 de agosto de 2010
Discurso sobre o preconceito.
Vi no Blog da Daniela Felix e resolvi postar aqui, pois muito tenho recebido, nesse período eleitoral, por email, sobre a ignorância do Lula e a violência da Dilma. Algumas coisas chegam a ser hilárias de tão absurda, e as pessoas tratam como se fosse verdade. Outras deveriam ser melhor analisadas em face do tempo e das circunstâncias em que ocorreram. Ainda não decidi meu voto, mas é importante que as coisas sejam analisadas com consciência e sem preconceito. E não somente nas eleições, e, sim, sempre, no nosso dia-a-dia.
"A doença pior que existe na humanidade é o preconceito. E eu sei quanto preconceito eu fui vítima nesse país.Hoje eu brinco com o preconceito. Hoje eu falo “menas laranja” as pessoas acham engraçado, mas quando eu falava em 89 (1989), eu era um “analfa” (analfabeto). Pois a ignorância dos que me achava analfa era o de confundir a inteligência com o conhecimento e o aprendizado no banco da escolaridade.
A ignorância, a ignorância de algumas pessoas que achavam que só tinha valor aquilo que vinha de fora. É americano? É maravilhoso! É europeu? É extraordinário! É chinês? É fantástico! É japonês? É nun sei o quê lá!… E se comportavam como se fossem cidadãos de segunda classe ou verdadeiros vira-latas que não se respeitavam porque não tinha auto-estima por si mesmo.
Ah! Quantas vezes me fizeram… Eu lembro Zeca (do PT), como se fosse hoje; uma vez eu estava almoçando na Folha de São Paulo; um diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: “escuta aqui, ô candidato: o senhor fala inglês?” Eu falei: Não. “Como é que o senhor quer governar o Brasil se o senhor não fala inglês?” Eu falei: mas eu vou arrumar um tradutor. “Mas assim não é possível. Não é possível. O Brasil precisa ter um presidente que fala inglês.” E eu perguntei pra ele: Alguém já perguntou se o Bill Clinton fala português?
Não. Mas eles achavam, eles achavam que o Bill Clinton não tinha a obrigação de falar português. Era eu, o subalterno, o país colonizado que tinha que falar inglês e não eles falar português.
Teve uma hora Zeca, que eu me senti chateado e me levantei da mesa e falei: eu não vim aqui pra dar entrevista. Eu vim pra almoçar. Se isto é uma entrevista eu vou embora. Eu levantei, larguei o almoço, peguei o elevador e fui embora. Vou terminar o meu mandato Zeca, sem precisar ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma televisão pra terminar o meu mandato. Também nunca faltei com o respeito com nenhum deles. Já faltaram com o respeito comigo. E vocês sabem o que fizeram comigo. Se dependesse de determinados meios de comunicação eu teria zero nas pesquisas e não 80% de bom e ótimo que nós temos nesse país.
Eu companheiros e companheiras, sou um homem que agradeço a Deus pela generosidade que Ele teve comigo. E agradeço a vocês porque um dia, vocês tiveram a mesma consciência que a maioria negra da África do Sul teve ao eleger um negro que representava 26 milhões de pessoas, sendo dominados por 6 milhões de brancos, vocês um dia tiveram a mesma consciência que os negros da África do Sul que elegeram Nelson Mandela para presidente da República daquele país depois de 27 anos de cadeia. Vocês tiveram consciência de eleger um metalúrgico, que tinha perdido muitas eleições por ser igual a maioria do povo, e o povo não acredita que seria capaz de dar a volta por cima, o povo não acreditava porque nós aprendemos a vida inteira que nós éramos seres inferiores, e pra governar esse país tinha que ser usineiro; tinha que ser fazendeiro; tinha que ser advogado; tinha que ser empresário; tinha que ser doutor e mais doutor. Um igual a gente não poderia governar o país. Nós não sabemos governar. Muito menos um coitado de um bancário (referindo-se a Zeca do PT). Se coloca no seu lugar bancário, porque este país é pra ser governado por banqueiro e não por bancário. Se coloca no seu lugar mulher, porque este país é pra ser governado por homem e não por mulher. Se coloca no seu lugar metalúrgico, porque este mundo não é pra ser governado por aqueles que moram no andar de baixo, mas por aqueles que moram no andar de cima. É assim que a escola ensinou. É assim que a sociologia ensinou.
É assim que nos ensinaram a vida inteira até que um dia, eu lendo um poema de Vinícius de Morais: “um operário em construção”, eu aprendi que um operário poderia dizer não. E quando ele disse não!, a lógica perversa que estava montada nesse país, é verdade que eu perdi três eleições, mas é verdade que eu já ganhei duas eleições seguidas e vamos ganhar a terceira eleição com essa companheira mulher (Dilma) presidente da República".
Por Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de agosto de 2010, Mato Grosso do Sul, por ocasião da Campanha Eleitoral de Zeca (do PT) ao Governo Estadual.
"A doença pior que existe na humanidade é o preconceito. E eu sei quanto preconceito eu fui vítima nesse país.Hoje eu brinco com o preconceito. Hoje eu falo “menas laranja” as pessoas acham engraçado, mas quando eu falava em 89 (1989), eu era um “analfa” (analfabeto). Pois a ignorância dos que me achava analfa era o de confundir a inteligência com o conhecimento e o aprendizado no banco da escolaridade.
A ignorância, a ignorância de algumas pessoas que achavam que só tinha valor aquilo que vinha de fora. É americano? É maravilhoso! É europeu? É extraordinário! É chinês? É fantástico! É japonês? É nun sei o quê lá!… E se comportavam como se fossem cidadãos de segunda classe ou verdadeiros vira-latas que não se respeitavam porque não tinha auto-estima por si mesmo.
Ah! Quantas vezes me fizeram… Eu lembro Zeca (do PT), como se fosse hoje; uma vez eu estava almoçando na Folha de São Paulo; um diretor da Folha de São Paulo perguntou pra mim: “escuta aqui, ô candidato: o senhor fala inglês?” Eu falei: Não. “Como é que o senhor quer governar o Brasil se o senhor não fala inglês?” Eu falei: mas eu vou arrumar um tradutor. “Mas assim não é possível. Não é possível. O Brasil precisa ter um presidente que fala inglês.” E eu perguntei pra ele: Alguém já perguntou se o Bill Clinton fala português?
Não. Mas eles achavam, eles achavam que o Bill Clinton não tinha a obrigação de falar português. Era eu, o subalterno, o país colonizado que tinha que falar inglês e não eles falar português.
Teve uma hora Zeca, que eu me senti chateado e me levantei da mesa e falei: eu não vim aqui pra dar entrevista. Eu vim pra almoçar. Se isto é uma entrevista eu vou embora. Eu levantei, larguei o almoço, peguei o elevador e fui embora. Vou terminar o meu mandato Zeca, sem precisar ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma televisão pra terminar o meu mandato. Também nunca faltei com o respeito com nenhum deles. Já faltaram com o respeito comigo. E vocês sabem o que fizeram comigo. Se dependesse de determinados meios de comunicação eu teria zero nas pesquisas e não 80% de bom e ótimo que nós temos nesse país.
Eu companheiros e companheiras, sou um homem que agradeço a Deus pela generosidade que Ele teve comigo. E agradeço a vocês porque um dia, vocês tiveram a mesma consciência que a maioria negra da África do Sul teve ao eleger um negro que representava 26 milhões de pessoas, sendo dominados por 6 milhões de brancos, vocês um dia tiveram a mesma consciência que os negros da África do Sul que elegeram Nelson Mandela para presidente da República daquele país depois de 27 anos de cadeia. Vocês tiveram consciência de eleger um metalúrgico, que tinha perdido muitas eleições por ser igual a maioria do povo, e o povo não acredita que seria capaz de dar a volta por cima, o povo não acreditava porque nós aprendemos a vida inteira que nós éramos seres inferiores, e pra governar esse país tinha que ser usineiro; tinha que ser fazendeiro; tinha que ser advogado; tinha que ser empresário; tinha que ser doutor e mais doutor. Um igual a gente não poderia governar o país. Nós não sabemos governar. Muito menos um coitado de um bancário (referindo-se a Zeca do PT). Se coloca no seu lugar bancário, porque este país é pra ser governado por banqueiro e não por bancário. Se coloca no seu lugar mulher, porque este país é pra ser governado por homem e não por mulher. Se coloca no seu lugar metalúrgico, porque este mundo não é pra ser governado por aqueles que moram no andar de baixo, mas por aqueles que moram no andar de cima. É assim que a escola ensinou. É assim que a sociologia ensinou.
É assim que nos ensinaram a vida inteira até que um dia, eu lendo um poema de Vinícius de Morais: “um operário em construção”, eu aprendi que um operário poderia dizer não. E quando ele disse não!, a lógica perversa que estava montada nesse país, é verdade que eu perdi três eleições, mas é verdade que eu já ganhei duas eleições seguidas e vamos ganhar a terceira eleição com essa companheira mulher (Dilma) presidente da República".
Por Luiz Inácio Lula da Silva, em 25 de agosto de 2010, Mato Grosso do Sul, por ocasião da Campanha Eleitoral de Zeca (do PT) ao Governo Estadual.
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