Bacafá

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terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Modéstia e humildade.

Definitivamente não sou fã dos livros do Paulo Coelho. Simplesmente não consigo lê-los. E provavelmente o errado sou eu, já que, segundo os cálculos do autor aproximadamente 500 milhões de pessoas já leram suas obras. Não consegui avançar muito em O alquimista e li, por esforço para poder dizer que li alguma coisa, o Srta. alguma coisa e o demônio. Mas esse último, para mim, terminou antes da metade e foi um sacrifício ler até a última página.

Pois bem, apesar dos livros, eu até simpatizava com o Paulo Coelho. Talvez por ser parceiro do maluco beleza Raul Seixas, talvez pelos trabalhos que faz de assistência a grupos carentes. Mas esse final de semana, lendo o caderno de final de semana (nada mais óbvio, hehe) do Valor Econômico, surpreendeu-me o lado modesto e humilde do escritor, com a entrevista que deu sobre o valor da sua marca. Havia coisas do seguinte naipe:

"Há um ano, uma pesquisa sobre mim concluiu que eu era conhecido por 100% dos brasileiros..."

"É que nunca almoço. Queria ovos com trufas. Recebemos uns quilos de trufas de Alba de presente. É muito bom. Um quilo custa US$ 10 mil."

Por outro lado, diz que fez uma defesa das mulheres brasileiras numa conferência em Davos:

"Falei primeiro sobre não sei o quê. Aí veio o segundo, o Benjamin Zander, maestro da Filarmônica de Boston. Contou que estivera no Brasil, seus músicos foram tocar na praia e o sucesso foi grande. E disse que as brasileiras, quando quererm demonstrar alegria, levantam a saia. Todo mundo começou a rir. Aí, cara, eu dei um soco na mesa. Disse: 'Sir, em primeiro lugar você está mentindo, e em segundo lugar sou brasileiro e exijo respeito pelas mulheres do meu país'. Parou a risada. O constrangimento foi geral. Brasileiro não ia levar desaforo para casa. No maior silêncio na sala, ele pediu desculpas, disse que não queria ofender e continuou sua palestra."

Ponto pro escritor.

De todo modo, eu gostaria de escrever essas coisas de auto-ajuda disfarçada (ou nem tanto), nas quais as pessoas não precisassem pensar muito para chegar ao final do livro. Assim eu poderia, quem sabe, como está na entrevista:

- ter 500 milhões de leitores pelo mundo, com aproximadamente 150 milhões de livros vendidos;
- ser o terceiro mais seguido no Facebook e o segundo no Twitter;
- ganhar um Audi por um texto de duas páginas;
- receber 300 mil euros por ano em dinheiro e 200 mil euros em relógidos da IWC (relógios suíços) e da Montegrappa (canetas italianas);
- receber 400 mil euros por sete textos comerciais totalizando 21 páginas;
- ganhar uma casa de US$ 4 milhões em Dubai por uma assessoria em cultura naquele país.

E fora o que não foi dito na entrevista...

3 comentários:

Agostinho Lopes disse...

Parabéns! Ainda conseguiu ler um inteiro!

Eu não conseguria ler, sequer, a capa!

Jaque disse...

=\
Nossa! Faz um tempinho que não leio os livros do Paulo Coelho... Sei que tem uns mto chatos, mas 11 minutos, Maktub e Monte Cinco, por exemplo, são mto bons!

Julio Max Manske disse...

Como se diria por aqui: la envidia és una mierda!