Bacafá

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A morte e o exemplo.

A morte é um mistério. Enquanto vivemos, a única certeza que temos, de todas mesmo, é a morte, o fim da vida. Por mais que estejamos nos preparando, sempre que falta alguém muito próximo a dor vem e a reflexão sobre a vida é inevitável. Tudo o que se fez, se faz e se pretende fazer. E o que se deixou de fazer também.

As pessoas reagem das mais diversas maneiras quando a morte mostra sua presença. Dizem, até, que os ocidentais, de maneira geral, não se preparam para a partida eterna de seus entes queridos, ou que não compreendem o significado do fim da vida. Não convivo com orientais para poder dizer se é isso mesmo e não sou estudioso do assunto.

Essa postagem, na realidade, é uma singela e pequena homenagem a minha avó Noêmia, que partiu nesse último sábado aos 90 anos e foi uma mulher com M maiúsculo (as postagens de final de semana já estavam programadas desde a semana anterior, então não pensem que eu tenha sido tão insensível; não tive tempo nem cabeça para mudar o que já estava lá).

Vítima do Mal de Alzheimer, não lembro da mulher fraca, desmemoriada e dependente dos últimos tempos. Lembro dela forte, astuta e trabalhadora. Lembro da bomboniere azul que sempre tinha chocolates para os netos. Das histórias que contava e das histórias que contavam dela, sobre como conseguiu criar quatro filhos viúva nova, vendendo salgadinhos e depois com uma loja de tecidos. Da surra que não deu na minha mãe quando descobriu que ela escondeu um furo de prego no pé não sei por quanto tempo. De como controlava as filhas de acordo com seus temperamentos (qual cuidaria da casa, qual ajudaria na casa, etc.). De como, do seu jeito, às vezes um pouco rude, ajudou os genros. De como pronunciava peculiarmente a palavra "oito" (talvez só eu escutasse diferente). De como, antes da doença atacar mais vigorosamente, gostava de receber em sua casa.

Ela deu o exemplo de como uma mulher batalhadora pode criar quatro filhos, apesar das adversidades, e em uma cidade sem muitas perspectivas como Laguna de 50/60 anos atrás.

Vó, descanse em paz.

6 comentários:

Janaína Elias Chiaradia disse...

Um sentimento inexplicável quando afeta as pessoas amadas...o tempo passa, ameniza a dor, mas as lembranças ficam eternizadas.
bjs mil

Agostinho Lopes disse...

Diz o poeta que, "Se a morte faz parte da vida e se vale a pena viver, então morrer vale a pena, se a gente teve o tempo para crescer..."

Me parece que a sra. sua avó não apenas teve esse tempo, mas ainda proporcionou "crescimento" a tantas outras pessoas.

Lamento a perda e faço coro como seu "descanse em paz".

lauro disse...

Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim ainda que morto viverá. E todo aquele que vive e crê em mim, jamais morrerá...."
de (João 11:25-26). Caro professor, meus pêsames.Estendo minhas condolências à toda família.

Carina disse...

Um abraco apertado e carinhoso em toda tua família, querido amigo.
Que ela tenha ido em paz e descansado.
Um beijo enorme pra vc e fiquem em paz.

Marliborges disse...

Querido amigo, perder um ente querido é sempre muito difícil, mas que fazer, é a vida. Sentidos pêsames. Sei bem com o a gente se sente nessas ocasiões. Rezar, é só isso que tu podes fazer. Um abraço.

Alline disse...

Ela não está mais presente em corpo, mas sua alma não morreu. Que esteja em paz.

Um abraço, Raphael.