Bacafá

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terça-feira, 3 de março de 2009

O problema da boataria.

Deu no Conjur:

"A acusação contra dois casais — um brasileiro e um americano — da colônia naturista Colina do Sol por abuso de crianças, pornografia infantil e tráfico internacional de menores continua causando indignação na comunidade carente Morro da Pedra, no Rio Grande do Sul. No ano passado, pessoas que acreditam na inocência dos acusados fizeram passeatas. Tanto a Colina como a comunidade Morro da Pedra ficam na cidade de Taquara, interior do estado gaúcho.
O casal americano Fritz e Barbara, ele com 64 anos e ela com 73, ficou preso por pouco mais de um ano e os brasileiros André Ricardo e Cleci Ieggli, por quase dois meses. Todos foram soltos em janeiro deste ano, depois que os desembargadores da 7ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul reconheceram excesso de prazo para formação da culpa. A ação penal contra eles continua, contudo, tramitando na cidade de Taquara.
Fritz e Barbara são aposentados e fundaram uma ONG para ajudar as crianças de Morro da Pedra. A organização oferecia tratamento médico e dental, montava times de futebol e dava aulas de reforço escolar. Os brasileiros Cleci e seu marido André, presidente da Federação Brasileira de Naturismo, também estão envolvidos em ação social em favor da comunidade. O caso, que corre em segredo de Justiça, ganhou repercussão nacional e internacional na mídia ano passado. As acusações que levaram os casais para a cadeia começaram a partir de boatos de pessoas da Colina. Em dezembro de 2007, o Ministério Público levou o caso à Justiça.
No entanto, as supostas vítimas dos casais não sustentam as acusações do Ministério Público. Defendem os acusados e afirmam: não houve crime algum. Um dos pais das crianças supostamente molestadas contou à revista Consultor Jurídico que também foi denunciado pelo MP gaúcho como cúmplice dos acusados. Isso porque o seu filho, apontado como vítima, desmentiu as acusações e disse que nada sofreu."


Lendo essa notícia pergunto-me se o passado não serve de lição. Mais uma vez pessoas são linchadas publicamente por conta de informações não confirmadas. O cuidado tão necessário para a veiculação de notícias absolutamente perigosas (por suas conseqüências) simplesmente é jogado a segundo plano.

Os casos "Escola Base" e "Bar Bodega" são só dois dos exemplos mais gritantes que, pelo visto, apesar de serem ensinados nas escolas de Jornalismo e de Direito, não contam quando é para se alcançar índice maior de audiência. Agora talvez haja mais um exemplo forte: "Colina do Sol".

O mais triste é saber que a resposta do Estado, mesmo que apenas para o ressarcimento indenizatório (eis que a moral e a honra atingidas provavelmente nunca mais voltarão a ponto de trazer o real sossego das vítimas), leva praticamente uma eternidade.

4 comentários:

Alline disse...

E a imprensa, antes de noticiar tais fatos, deveria averiguar se há fundo de verdade neles, porque tudo que sai e jornais e revistas parece que ganha um selo de verdade inquestionável.

Carina disse...

E é por isto que tanto nos gabamos da nossa liberdade de imprensa??
Que falta de responsabilidade sem tamanho.
Já nao basta nossa imprensa ser quase que completamente comprada, ainda temos que aguentar histórias como estas.
Será que seria difícil aprender um pouco com a imprensa suica, que foi tao ferozmente criticada por nao noticiar nada SEM PROVAS no caso da mentirosa da Paula?
Mas pra TUDO neste país se tem memória curta.

Pepper Popps disse...

Odeio jornalismo barato estilo Rede Record onde informações não confirmadas são jogadas ao vento fazendo o telespectador acreditar no que não é verdade.
Jornal só assisto o da Globo, aquele com a Cristiane Pelaggio e só... os da Record então me embrulham o estômago!
Beijos!

Raphael Rocha Lopes disse...

Sou incondicionalmente a favor da liberdade de expressão e da imprensa. O que não pode é existir essa corrida ao sensacionalismo, inconsequente e irresponsável.

Concordo, Alline, o que sai na TV tem as vestes de verdade para a maioria do povo.

Carina, a Suíça ainda não é aqui (diz o Caetano que o Haiti é).

Pepper... nem o da Globo, com todo o respeito, hehe.