Bacafá

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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Saramago

O texto abaixo li, sob o título Vaticanadas, no blog do escritor português José Saramago.

Simplesmente concordo:

"Ou vaticanices. Não suporto ver os senhores cardeais e os senhores bispos trajados com um luxo que escandalizaria o pobre Jesus de Nazaré, mal tapado com a sua túnica de péssimo pano, por muito inconsútil que tivesse sido e certamente não era, sem recordar o delirante desfile de moda eclesiástica que Fellini, genialmente, meteu em Oito e Meio para seu e nosso gozo. Estes senhores supõem-se investidos de um poder que só a nossa paciência tem feito durar. Dizem-se representantes de Deus na terra (nunca o viram e não têm a menor prova da sua existência) e passeiam-se pelo mundo suando hipocrisia por todos os poros. Talvez não mintam sempre, mas cada palavra que dizem ou escrevem tem por trás outra palavra que a nega ou limita, que a disfarça ou perverte. A tudo isto muitos de nós nos havíamos mais ou menos habituado antes de passarmos à indiferença, quando não ao desprezo. Diz-se que a assistência aos actos religiosos vem diminuindo rapidamente, mas eu permito-me sugerir que também serão em menor número até aquelas pessoas que, embora não sendo crentes, entravam numa igreja para disfrutar da beleza arquitectónica, das pinturas e esculturas, enfim de um cenário que a falsidade da doutrina que o sustenta afinal não merece."

Continue lendo n'O Caderno de Saramago.

2 comentários:

Janaína Elias Chiaradia disse...

Não se pode generalizar...em todos os ramos, segmentos ou religiões, encontraremos pessoas aproveitadoras, e também, aquelas que buscam a honestidade com suas atitudes...cada um tem a sua filosofia ou crença...mas enfim, vivendo e conhecendo outros ideais

Raphael Rocha Lopes disse...

Discussões metafísicas à parte, o que muito impressiona é a contradição dos religiosos, católicos em especial, entre o que pregam e o que fazem.
Pergunta simples: por que ostentam tanto seja em suas caríssimas roupas, seja em suas peças de louças, prataria e artes? Que votos de pobreza são esses?

Como disse Saramago, como confiar em pessoas assim?