Foto de Gabriela, da sacada do nosso apartamento.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
A pedidos: a receita.
A pedidos, segue a receita do BACAFÁ, prato que dá nome ao blog.
Ingredientes:
Banana
Carne moída
Farinha de mandioca
Sal, bacon, azeite e margarina (e eventuais outros condimentos ao gosto do cozinheiro).
Modo de Preparo:
Primeiro prepare a carne moída, refogando-a a seu modo e gosto, assim como a farofa. Frite as bananas em tiras e coloque-as numa travessa, cobrindo todo o fundo. Em cima das bananas acrescente a carne moída e na última camada a farofa.
Sirva quente.
E bom proveito!!
Ingredientes:
Banana
Carne moída
Farinha de mandioca
Sal, bacon, azeite e margarina (e eventuais outros condimentos ao gosto do cozinheiro).
Modo de Preparo:
Primeiro prepare a carne moída, refogando-a a seu modo e gosto, assim como a farofa. Frite as bananas em tiras e coloque-as numa travessa, cobrindo todo o fundo. Em cima das bananas acrescente a carne moída e na última camada a farofa.
Sirva quente.
E bom proveito!!
terça-feira, 21 de janeiro de 2014
Punir pra que?
"Aquilo que chamamos de sanção penal não é, no fundo, senão uma defesa exercida por indivíduos para cujo lugar nós podemos nos transportar em espírito, contra outros cujo lugar não queremos nos colocar".
Jean-Marie Guyau, in Crítica da ideia de sanção (original de 1883, edição da Martins Fontes de 2007).
Ele coloca, mais adiante, ainda:
"Só com o tempo o homem percebe que não é mesmo útil, para sua conservação pessoal, proporcionar a pena infligida ao sofrimento recebido. Ele tende, portanto - e tenderá cada vez mais, no futuro -, a diminuir a pena. Economizará os castigos, as prisões e as sanções de todo tipo. (...). Assim, quanto mais avançamos, mais a verdade teórica impõe-se até mesmo às massas e modifica a necessidade popular de castigo. Hoje, quando a sociedade castiga, não é nunca pelo ato que foi cometido no passado, mas é por aqueles que o culpado ou outros, seguindo seu exemplo, poderiam cometer no futuro."
O cara escreveu no século XIX! Vale como reflexão. Recomendo o livro.
Arquivamento equivocado de sindicância não impede instauração de PAD.
O anterior arquivamento equivocado de uma sindicância não impede a instauração de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) sobre um mesmo fato, desde que se observe o prazo de prescrição. A decisão é da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar mandado de segurança impetrado por um aposentado que perdeu os proventos no cargo de Agente da Polícia Federal.
O mandado de segurança foi impetrado contra ato do Ministro da Justiça. O servidor foi aposentado em fevereiro 2008 por tempo de serviço, com proventos integrais, sem ter sofrido punições por faltas funcionais. Em junho de 2010, dois anos e quatro meses após a concessão da aposentadoria, foi instaurado um processo disciplinar, com a acusação de que ele teria se aproveitado do cargo para realizar cobranças de terceiros em 2005. O PAD resultou na cassação da aposentadoria e perda dos proventos.
O servidor pediu no mandado de segurança que fosse restabelecido o pagamento de sua aposentadoria. Alegou que seria inviável sua punição porque estava baseada nos mesmos fatos da sindicância arquivada. De acordo com a defesa, o arquivamento da sindicância, por si só, constituía julgamentos dos fatos, não tendo sido indicados fatos novos capazes de justificar a reabertura do procedimento administrativo.
A autoridade que prestou informações ao Tribunal alegou que não houve reabertura de sindicância anteriormente arquivada, mas erro material. O que ocorreu foi um equívoco do delegado, que determinou o arquivamento da sindicância. Já havia, no caso, manifestação anterior pela instauração do PAD. O fato de o servidor estar aposentado, segundo alegações da autoridade responsável pelo contraditório, não impediria a instauração de PAD para apurar a infração.
De acordo com a decisão da Primeira Seção do STJ, não houve realmente anterior arquivamento de processo versando sobre os mesmos fatos, mas o equivocado arquivamento de sindicância. “Assim, entendendo a autoridade competente pela existência de elementos suficientes para a instauração do PAD, nada impede que assim proceda, desde que respeitado o prazo de prescrição, notadamente por não se ter emitido nenhum juízo de valor no tocante aos fatos sob investigação”, afirmou na ocasião do julgamento a relatora, ministra Eliana Calmon.
O prazo de prescrição para o caso é de cinco anos. Interrompido o prazo prescricional pela instauração do PAD, nos moldes do artigo 142, parágrafo primeiro da Lei 8.112/90, volta-se a contar o prazo de prescrição 140 dias após a abertura dos trabalhos. O servidor respondeu pelo ilícito tipificado nos artigos 43, inciso XLVIII, da Lei 4.878/65 e 132, IV da Lei 8.112/90, condutas para as quais se prevê a pena de demissão ou cassação da aposentadoria.
O mandado de segurança foi impetrado contra ato do Ministro da Justiça. O servidor foi aposentado em fevereiro 2008 por tempo de serviço, com proventos integrais, sem ter sofrido punições por faltas funcionais. Em junho de 2010, dois anos e quatro meses após a concessão da aposentadoria, foi instaurado um processo disciplinar, com a acusação de que ele teria se aproveitado do cargo para realizar cobranças de terceiros em 2005. O PAD resultou na cassação da aposentadoria e perda dos proventos.
O servidor pediu no mandado de segurança que fosse restabelecido o pagamento de sua aposentadoria. Alegou que seria inviável sua punição porque estava baseada nos mesmos fatos da sindicância arquivada. De acordo com a defesa, o arquivamento da sindicância, por si só, constituía julgamentos dos fatos, não tendo sido indicados fatos novos capazes de justificar a reabertura do procedimento administrativo.
A autoridade que prestou informações ao Tribunal alegou que não houve reabertura de sindicância anteriormente arquivada, mas erro material. O que ocorreu foi um equívoco do delegado, que determinou o arquivamento da sindicância. Já havia, no caso, manifestação anterior pela instauração do PAD. O fato de o servidor estar aposentado, segundo alegações da autoridade responsável pelo contraditório, não impediria a instauração de PAD para apurar a infração.
De acordo com a decisão da Primeira Seção do STJ, não houve realmente anterior arquivamento de processo versando sobre os mesmos fatos, mas o equivocado arquivamento de sindicância. “Assim, entendendo a autoridade competente pela existência de elementos suficientes para a instauração do PAD, nada impede que assim proceda, desde que respeitado o prazo de prescrição, notadamente por não se ter emitido nenhum juízo de valor no tocante aos fatos sob investigação”, afirmou na ocasião do julgamento a relatora, ministra Eliana Calmon.
O prazo de prescrição para o caso é de cinco anos. Interrompido o prazo prescricional pela instauração do PAD, nos moldes do artigo 142, parágrafo primeiro da Lei 8.112/90, volta-se a contar o prazo de prescrição 140 dias após a abertura dos trabalhos. O servidor respondeu pelo ilícito tipificado nos artigos 43, inciso XLVIII, da Lei 4.878/65 e 132, IV da Lei 8.112/90, condutas para as quais se prevê a pena de demissão ou cassação da aposentadoria.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
O Femusc e os mal-educados.
Coisas do ser humano.
Nesse domingo foi a abertura do 9o FEMUSC, o maior Festival Escola de música erudita da América Latina e um dos maiores do mundo. Após os tradicionais discursos, os presentes foram brindados com belas apresentações de pianos, harpas e violino, além de um acompanhamento de um grupo de música de rua (eu acredito), em uma das músicas (Billie Jean, de Michael Jackson).
Momento de comemoração e contemplação. Afinal, vem professores do mundo todo, as vagas dos alunos são verdadeiramente disputadas, Jaraguá do Sul e as cidades vizinhas se enchem de música, e temos uma ímpar condição de criar uma memória musical erudita nas nossas crianças e jovens que não tem preço. Nada contra qualquer outro tipo de música (ou quase nada), mas a música clássica erudita é diferenciada. De alguma forma que não sei explicar (não sou músico ou especialista), melhora o cidadão e, consequentemente, o mundo. Sou um entusiasta disso tudo. Serão dias de futuro aqui em Jaraguá do Sul.
Entretanto (e sempre tem um porém), nem todos se vestem com o instinto da civilidade que a ocasião proporciona. Por mais bonito que seja o espetáculo, regras foram criadas. Não vou nem falar das pessoas que vão de bermuda a um evento desta natureza (não me falem de calor porque tudo tem um preço - e eu, particularmente, trabalho de paletó e gravata quase todos os dias). O que me incomodou de verdade foram as máquinas fotográficas e celulares barulhentos e seus flashes irradiantes. O barulho atrapalhava quem queria realmente prestar atenção. Cada nota é decorrência de horas, dias, meses de estudo e preparo de cada um dos músicos que se apresentaram lá naquele belo palco. E os flashes, o que dizer? O próprio teatro passa um aviso em bom tamanho e audível som dizendo que é proibido o uso de máquinas com flashes. Há motivos para tal. Ver diversos cidadãos (ou que pensam que são), inclusive autoridades, tirando fotografias com flashes em total desrespeito ao solicitado é vergonhoso. Para encerrar, na saída do espetáculo, motoristas apressadinhos primaram pela grosseria e "criação" de mão única na via lateral para conseguirem ser mais "espertos" que os outros e chegarem em casa dois minutos mais cedo.
É, cidadão de primeira. O que interessa, contudo, é o espetáculo, que supera estes desvios de caráter do ser humano. Parabéns aos organizadores e aos patrocinadores.
Abaixo o vídeo de divulgação deste ano:
Nesse domingo foi a abertura do 9o FEMUSC, o maior Festival Escola de música erudita da América Latina e um dos maiores do mundo. Após os tradicionais discursos, os presentes foram brindados com belas apresentações de pianos, harpas e violino, além de um acompanhamento de um grupo de música de rua (eu acredito), em uma das músicas (Billie Jean, de Michael Jackson).
Momento de comemoração e contemplação. Afinal, vem professores do mundo todo, as vagas dos alunos são verdadeiramente disputadas, Jaraguá do Sul e as cidades vizinhas se enchem de música, e temos uma ímpar condição de criar uma memória musical erudita nas nossas crianças e jovens que não tem preço. Nada contra qualquer outro tipo de música (ou quase nada), mas a música clássica erudita é diferenciada. De alguma forma que não sei explicar (não sou músico ou especialista), melhora o cidadão e, consequentemente, o mundo. Sou um entusiasta disso tudo. Serão dias de futuro aqui em Jaraguá do Sul.
Entretanto (e sempre tem um porém), nem todos se vestem com o instinto da civilidade que a ocasião proporciona. Por mais bonito que seja o espetáculo, regras foram criadas. Não vou nem falar das pessoas que vão de bermuda a um evento desta natureza (não me falem de calor porque tudo tem um preço - e eu, particularmente, trabalho de paletó e gravata quase todos os dias). O que me incomodou de verdade foram as máquinas fotográficas e celulares barulhentos e seus flashes irradiantes. O barulho atrapalhava quem queria realmente prestar atenção. Cada nota é decorrência de horas, dias, meses de estudo e preparo de cada um dos músicos que se apresentaram lá naquele belo palco. E os flashes, o que dizer? O próprio teatro passa um aviso em bom tamanho e audível som dizendo que é proibido o uso de máquinas com flashes. Há motivos para tal. Ver diversos cidadãos (ou que pensam que são), inclusive autoridades, tirando fotografias com flashes em total desrespeito ao solicitado é vergonhoso. Para encerrar, na saída do espetáculo, motoristas apressadinhos primaram pela grosseria e "criação" de mão única na via lateral para conseguirem ser mais "espertos" que os outros e chegarem em casa dois minutos mais cedo.
É, cidadão de primeira. O que interessa, contudo, é o espetáculo, que supera estes desvios de caráter do ser humano. Parabéns aos organizadores e aos patrocinadores.
Abaixo o vídeo de divulgação deste ano:
sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Eu canto, eu choro, eu grito.
Será que eu sou um maluco?
Um dia desses, numa dessas séries cômicas brasileiras, num desses canais da tv fechada, ouvi uma dessas músicas que ficam na cabeça. Não tinha reconhecido a voz naquela hora, mas nada como o deus moderno para tirar nossas dúvidas, pois, como se diz por aí, se não está no google não ecziste!!
Pois é: existe. Mundo maluco, na voz de Moacyr Franco. Para nos lembrar que todo mundo tem um pouco de louco, e para que o final de semana seja mais divertido.
Um dia desses, numa dessas séries cômicas brasileiras, num desses canais da tv fechada, ouvi uma dessas músicas que ficam na cabeça. Não tinha reconhecido a voz naquela hora, mas nada como o deus moderno para tirar nossas dúvidas, pois, como se diz por aí, se não está no google não ecziste!!
Pois é: existe. Mundo maluco, na voz de Moacyr Franco. Para nos lembrar que todo mundo tem um pouco de louco, e para que o final de semana seja mais divertido.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
Contos de quinta (versão verão): A tenda.
Como já é conhecido dos frequentadores destas plagas, quinta-feira costumava rolar um "Contos de quinta" pra divertir ou chatear os leitores. Alguns fizeram sucesso, outros foram muito mal falados, hehe. Abaixo, para quem não leu ou quer lembrar, a ligação para a relação dos contos. Na sequência, o primeiro da temporada. Como expliquei na terça, serão contos leves, sobre verão, praia, até eu pegar o jeito novamente. Grande abraço, boa leitura e boa sorte!!
Podem ler clicando aqui (a relação grande) e aqui (o último depois da relação).
A tenda.
Sábado de sol. Muito sol. O cidadão acorda relativamente cedo e vai com sua mulher para a praia. Duas quadras separam sua casa da areia. Como chegou antes da muvuca, escolhe um bom lugar, e arma seu guarda-sol. Arruma a cadeira da mulher, estende a toalha para ela torrar um pouquinho. Apesar do céu limpo, sem nuvens, de um belíssimo azul, ainda não está terrivelmente quente. Horário de verão tem suas vantagens.
Senta na sua cadeira, abre seu livro de autoajuda e afunda-se em regras de salvação própria. Entre um mandamento e outro, dá uma espiada sobre seus óculos nas bundas que passam caminhando. Disfarçadamente, claro, para a esposa não perceber.
O tempo passa e vão chegando casais, famílias, turmas. O silêncio inicial, rebatido apenas pelas poucas ondas, se desfaz por completo. Não se ouvem mais as ondas, inclusive. Um porcalhão aqui, outro ali. Uma criança reinenta aqui, outra ranhenta lá. E assim caminha a humanidade praiana. Todos dentro da civilidade possível. Claro, sempre passa um molequinho correndo e levantando aquela agradável areia sobre as mulheres ao sol. Invariável, assim como o é o adolescente que passa na beirinha do mar chutando a água para acertar a irmã e acerta todo mundo, menos a irmã.
A convivência tranquila e pacífica entre as famílias e seus guarda-sóis. Espaço razoável para todos, afinal. Uma água de coco para hidratar, um picolé de manga para refrescar. Claro, tem o chatinho que passa com o seu celular pendurado sabe-se lá onde, fazendo todo mundo ouvir o que ninguém quer.
Tudo corria normalmente quando, porém, chegou uma família. Uma família grande. Uma família de pai, mãe, filha, namorado da filha, filho, esposa do filho, ou vice-versa, uma netinha de uns dois anos e outro de uns cinco, tia e mais alguém não identificável. Uma família e piscininha, baldinhos, pazinhas, brinquedos diversos, bola, bolsa de neném (aquelas que a mãe carrega com todos os apetrechos dos pequenos), um cooler e um isopor. Uma família e sete cadeiras, cinco toalhas, não se sabe quantos bonés e chapéus e alguns tubos de bronzeador. Uma família e uma tenda, destas que são montadas para proteger a tropa toda do sol, dessas que só tem a parte de cima e as quatro pernas de sustentação. Branca com detalhes cinza.
O cidadão olha para a esposa que devolve o olhar. Alojou-se, a família, bem ao lado do casal. Bem na frente de outra família que tinha acesso para o mar. Não que fosse o último lugar da praia. Não. Havia muita areia para a família da tenda se apoderar. Mas tinha que ser ali. Todo mundo fez cara feia. Menos a família, que estava fazendo força para montar o barraco.
O cidadão baixa o livro e discretamente comenta com a esposa:
- Gente sem noção, hein? Tanto lugar pra se acomodar e tem que ser logo aqui. Na frente daquela família. Agora os pobres coitados vão ter que ficar contornando.
- Sem comentários – responde a mulher, concordando com o marido.
- Onde vai parar esse mundo? Cadê o respeito? Será que não se tocam? Não conseguem ver que estão atrapalhando outras pessoas?
- E ainda por cima, ficam aí, falando alto. Ninguém precisa saber que os vizinhos deles brigam, que a tia fulana tomou um porre na virada, que o cachorro fez xixi no pé da visita...
- Esse povo tá mesmo sem educação. É cada um por si e o resto que se exploda. Que se exploda. Até tirou parte do nosso sol, olha só!
- E tá esquentando esse sol, né, amor?
- Vixe, se está...
E a praia continua. O sol vai fazendo seu caminho no céu. As crianças continuam correndo e gritando. Mais um picolé, uma água gelada, um capítulo do livro, uma marquinha de biquíni...
De repente os olhares do patriarca da família da barraca e do cidadão se cruzam. O cidadão faz cara de poucos amigos. O senhor da tenda sorri e oferece uma cerveja. O cidadão recusa, que é isso, não precisa, não. E engole a própria saliva, imaginando o quanto deve estar gelada e gostosa aquela loira. O senhor insiste, argumenta mais um pouco e o cidadão acaba aceitando, pois, afinal, fica chato recusar, assim, sem por que, toda essa solicitude.
- Pegue aqui, vizinho, está gelada esta cerveja. É das boas, importada. Você vai gostar. Sente-se aqui embaixo conosco; deve estar muito quente aí fora. Aproveita. Sinta a brisa aqui na sombra. O quadrado é grande, aprochegue-se, não fique encabulado. Sua esposa também não quer vir? Mais uma cerveja? Pegue aí no cooler, fique bem à vontade.
Os minutos vão passando, o cidadão, inicialmente desconfortável, passa a curtir a mordomia, seu novo amigo, a família dele, as cervejas dele. Lá pelas tantas, depois da décima latinha:
- Bacana essa sua tenda, hein? Sabe que eu tava pensando em comprar uma. Igualzinha essa sua aqui. A gente fica com um espaço bom na praia, né? Consegue marcar o território, hehe. A mulher, se quiser pegar sol, deita um pouco mais pra fora, a cerveja fica na sombra, e é mais difícil a molecada fica jogando areia na gente quando passa correndo. Muito boa essa barraca. Passa mais uma cerveja aí, meu amigo...
E assim caminha a humanidade...
Podem ler clicando aqui (a relação grande) e aqui (o último depois da relação).
A tenda.
Sábado de sol. Muito sol. O cidadão acorda relativamente cedo e vai com sua mulher para a praia. Duas quadras separam sua casa da areia. Como chegou antes da muvuca, escolhe um bom lugar, e arma seu guarda-sol. Arruma a cadeira da mulher, estende a toalha para ela torrar um pouquinho. Apesar do céu limpo, sem nuvens, de um belíssimo azul, ainda não está terrivelmente quente. Horário de verão tem suas vantagens.
Senta na sua cadeira, abre seu livro de autoajuda e afunda-se em regras de salvação própria. Entre um mandamento e outro, dá uma espiada sobre seus óculos nas bundas que passam caminhando. Disfarçadamente, claro, para a esposa não perceber.
O tempo passa e vão chegando casais, famílias, turmas. O silêncio inicial, rebatido apenas pelas poucas ondas, se desfaz por completo. Não se ouvem mais as ondas, inclusive. Um porcalhão aqui, outro ali. Uma criança reinenta aqui, outra ranhenta lá. E assim caminha a humanidade praiana. Todos dentro da civilidade possível. Claro, sempre passa um molequinho correndo e levantando aquela agradável areia sobre as mulheres ao sol. Invariável, assim como o é o adolescente que passa na beirinha do mar chutando a água para acertar a irmã e acerta todo mundo, menos a irmã.
A convivência tranquila e pacífica entre as famílias e seus guarda-sóis. Espaço razoável para todos, afinal. Uma água de coco para hidratar, um picolé de manga para refrescar. Claro, tem o chatinho que passa com o seu celular pendurado sabe-se lá onde, fazendo todo mundo ouvir o que ninguém quer.
Tudo corria normalmente quando, porém, chegou uma família. Uma família grande. Uma família de pai, mãe, filha, namorado da filha, filho, esposa do filho, ou vice-versa, uma netinha de uns dois anos e outro de uns cinco, tia e mais alguém não identificável. Uma família e piscininha, baldinhos, pazinhas, brinquedos diversos, bola, bolsa de neném (aquelas que a mãe carrega com todos os apetrechos dos pequenos), um cooler e um isopor. Uma família e sete cadeiras, cinco toalhas, não se sabe quantos bonés e chapéus e alguns tubos de bronzeador. Uma família e uma tenda, destas que são montadas para proteger a tropa toda do sol, dessas que só tem a parte de cima e as quatro pernas de sustentação. Branca com detalhes cinza.
O cidadão olha para a esposa que devolve o olhar. Alojou-se, a família, bem ao lado do casal. Bem na frente de outra família que tinha acesso para o mar. Não que fosse o último lugar da praia. Não. Havia muita areia para a família da tenda se apoderar. Mas tinha que ser ali. Todo mundo fez cara feia. Menos a família, que estava fazendo força para montar o barraco.
O cidadão baixa o livro e discretamente comenta com a esposa:
- Gente sem noção, hein? Tanto lugar pra se acomodar e tem que ser logo aqui. Na frente daquela família. Agora os pobres coitados vão ter que ficar contornando.
- Sem comentários – responde a mulher, concordando com o marido.
- Onde vai parar esse mundo? Cadê o respeito? Será que não se tocam? Não conseguem ver que estão atrapalhando outras pessoas?
- E ainda por cima, ficam aí, falando alto. Ninguém precisa saber que os vizinhos deles brigam, que a tia fulana tomou um porre na virada, que o cachorro fez xixi no pé da visita...
- Esse povo tá mesmo sem educação. É cada um por si e o resto que se exploda. Que se exploda. Até tirou parte do nosso sol, olha só!
- E tá esquentando esse sol, né, amor?
- Vixe, se está...
E a praia continua. O sol vai fazendo seu caminho no céu. As crianças continuam correndo e gritando. Mais um picolé, uma água gelada, um capítulo do livro, uma marquinha de biquíni...
De repente os olhares do patriarca da família da barraca e do cidadão se cruzam. O cidadão faz cara de poucos amigos. O senhor da tenda sorri e oferece uma cerveja. O cidadão recusa, que é isso, não precisa, não. E engole a própria saliva, imaginando o quanto deve estar gelada e gostosa aquela loira. O senhor insiste, argumenta mais um pouco e o cidadão acaba aceitando, pois, afinal, fica chato recusar, assim, sem por que, toda essa solicitude.
- Pegue aqui, vizinho, está gelada esta cerveja. É das boas, importada. Você vai gostar. Sente-se aqui embaixo conosco; deve estar muito quente aí fora. Aproveita. Sinta a brisa aqui na sombra. O quadrado é grande, aprochegue-se, não fique encabulado. Sua esposa também não quer vir? Mais uma cerveja? Pegue aí no cooler, fique bem à vontade.
Os minutos vão passando, o cidadão, inicialmente desconfortável, passa a curtir a mordomia, seu novo amigo, a família dele, as cervejas dele. Lá pelas tantas, depois da décima latinha:
- Bacana essa sua tenda, hein? Sabe que eu tava pensando em comprar uma. Igualzinha essa sua aqui. A gente fica com um espaço bom na praia, né? Consegue marcar o território, hehe. A mulher, se quiser pegar sol, deita um pouco mais pra fora, a cerveja fica na sombra, e é mais difícil a molecada fica jogando areia na gente quando passa correndo. Muito boa essa barraca. Passa mais uma cerveja aí, meu amigo...
E assim caminha a humanidade...
quarta-feira, 15 de janeiro de 2014
Contra um mundo melhor.
Li um livro interessante este final de ano. Contra um mundo melhor - ensaios do afeto (editora LeYa, 1a ed.), do filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé. Instigante, provocante e, o pior, com muitas coisas que eu concordo. Como gostei, vou compartilhar alguns pensamentos com meus leitores hoje e outros ao longo da vida. Tem coisa contundente. Concordo com algumas. Mas não se levem tão a sério. Nem quando a carapuça servir, ok?
"O que nos humaniza é o fracasso, homens e mulheres muito felizes não são homens e mulheres. Tenho medo de pessoas muito felizes. A consciência trágica, seja ela cósmica, seja miserável miúda e cotidiana, determina o horizonte onde se move o humano."
Eu tenho medo de pessoas lineares (que nunca se alteram, comedidas demais) e das que querem parecer muito certinhas.
"Segundo alguns sábios, a preguiça seria uma espécie de ceticismo da matéria, do corpo."
Aqui entre nós: é o segundo melhor dos pecados, né? Principalmente domingo de manhã com chuva.
"Todos são preocupados em construir um mundo melhor e suas carreiras profissionais. E como quase todas são pessoas feias, fracas e pobres, sem ideias e sem espírito inquieto, nada nelas brota de grandioso, corajoso ou humilde."
E o melhor:
"O grande escritor pernambucano Nelson Rodrigues costumava falar que vivemos numa época dominada pelos idiotas. Quem são esses idiotas? Como reconhecê-los? O que eles costumam falar? Antes de tudo, eles são maioria esmagadora e, como a democracia é um regime fundamentado na maioria, são vencedores pela simples força numérica. A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam que, apenas porque têm boca, podem emitir opiniões sobre tudo. Como viraram engenheiros e médicos e professores, porque o "conhecimento" virou ferramenta de ascensão social, hoje os idiotas têm diplomas."
Oh vida cruel...
"O que nos humaniza é o fracasso, homens e mulheres muito felizes não são homens e mulheres. Tenho medo de pessoas muito felizes. A consciência trágica, seja ela cósmica, seja miserável miúda e cotidiana, determina o horizonte onde se move o humano."
Eu tenho medo de pessoas lineares (que nunca se alteram, comedidas demais) e das que querem parecer muito certinhas.
"Segundo alguns sábios, a preguiça seria uma espécie de ceticismo da matéria, do corpo."
Aqui entre nós: é o segundo melhor dos pecados, né? Principalmente domingo de manhã com chuva.
"Todos são preocupados em construir um mundo melhor e suas carreiras profissionais. E como quase todas são pessoas feias, fracas e pobres, sem ideias e sem espírito inquieto, nada nelas brota de grandioso, corajoso ou humilde."
E o melhor:
"O grande escritor pernambucano Nelson Rodrigues costumava falar que vivemos numa época dominada pelos idiotas. Quem são esses idiotas? Como reconhecê-los? O que eles costumam falar? Antes de tudo, eles são maioria esmagadora e, como a democracia é um regime fundamentado na maioria, são vencedores pela simples força numérica. A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam que, apenas porque têm boca, podem emitir opiniões sobre tudo. Como viraram engenheiros e médicos e professores, porque o "conhecimento" virou ferramenta de ascensão social, hoje os idiotas têm diplomas."
Oh vida cruel...
terça-feira, 14 de janeiro de 2014
O retorno, com FEMUSC, notícias, citações e até, talvez, Contos de Quinta.
Muito tempo sem escrever, muito tempo sem dar a atenção que esse blog merece, e algumas cobranças dos amigos leitores. Cada vez menos cobranças, é verdade, por pura desconfiança que pudesse ressuscitar.
Mas, ressuscitei. Talvez por ter assistido na última semana "A volta dos mortos-vivos", clássico trash dos anos 80,"Guerra mundial Z", com Bradd Pitt fazendo o papel de salvador do mundo contra também zumbis e, para encerrar, "Meu malvado favorito 2", que estranhamente parece a versão desenho animado do "Guerra mundial Z", com destaque para a cena em que os zumbis (sim, mais zumbis!!) sobem o muro amontoando-se uns nos outros (fora tantas outras referências, que não sei se foram acidentais ou não - para falar a verdade nem sei qual filme foi lançado antes). Sem contar que estou aguardando a nova temporada de The walking dead.
Mortos-vivos à parte, o fato é que voltei para cá. Tentarei retomar os Contos de quinta, agora no verão numa versão praia, menos sombria, mais humorada. Depois, quando entrar no ritmo, tentarei buscar a verve assassina ou deprimida novamente. Tentarei também, mas isso vai levar, ainda, alguns dias ou semanas retomar "O escritório 2" ou seja lá que título vá ter. Para quem não conhece o 1 tem um trecho ali na coluna da esquerda.
Hoje, porém, vou apenas mencionar o FEMUSC. Não sou especialista, não entendo quase nada de música (só sei que não sou fã de sertanejo e pagode), mas gosto de ouvir o que me agrada. E música erudita sempre soou bem aos meus ouvidos, desde quando ouvia os LPs do meu pai há uns 30 anos aproximadamente, sem saber pronunciar Bach, Tchaikovsky, Beethovem, Brahms, Mozart e diversos outros. Dessa forma, sou um empolgado pelos eventos que promovem música erudita com seus clássicos e suas desconhecidas.
E tive a sorte de morar na cidade que tem o MAIOR FESTIVAL ESCOLA de música clássica da América Latina e um dos maiores do mundo. Aos poucos este evento está sendo conhecido do grande público no país, como se percebe com a matéria na Globo News que pode ser conferido abaixo. Eu recomendo.
Mas, ressuscitei. Talvez por ter assistido na última semana "A volta dos mortos-vivos", clássico trash dos anos 80,"Guerra mundial Z", com Bradd Pitt fazendo o papel de salvador do mundo contra também zumbis e, para encerrar, "Meu malvado favorito 2", que estranhamente parece a versão desenho animado do "Guerra mundial Z", com destaque para a cena em que os zumbis (sim, mais zumbis!!) sobem o muro amontoando-se uns nos outros (fora tantas outras referências, que não sei se foram acidentais ou não - para falar a verdade nem sei qual filme foi lançado antes). Sem contar que estou aguardando a nova temporada de The walking dead.
Mortos-vivos à parte, o fato é que voltei para cá. Tentarei retomar os Contos de quinta, agora no verão numa versão praia, menos sombria, mais humorada. Depois, quando entrar no ritmo, tentarei buscar a verve assassina ou deprimida novamente. Tentarei também, mas isso vai levar, ainda, alguns dias ou semanas retomar "O escritório 2" ou seja lá que título vá ter. Para quem não conhece o 1 tem um trecho ali na coluna da esquerda.
Hoje, porém, vou apenas mencionar o FEMUSC. Não sou especialista, não entendo quase nada de música (só sei que não sou fã de sertanejo e pagode), mas gosto de ouvir o que me agrada. E música erudita sempre soou bem aos meus ouvidos, desde quando ouvia os LPs do meu pai há uns 30 anos aproximadamente, sem saber pronunciar Bach, Tchaikovsky, Beethovem, Brahms, Mozart e diversos outros. Dessa forma, sou um empolgado pelos eventos que promovem música erudita com seus clássicos e suas desconhecidas.
E tive a sorte de morar na cidade que tem o MAIOR FESTIVAL ESCOLA de música clássica da América Latina e um dos maiores do mundo. Aos poucos este evento está sendo conhecido do grande público no país, como se percebe com a matéria na Globo News que pode ser conferido abaixo. Eu recomendo.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
Concurso público para a prefeitura de Jaraguá do Sul.
Edital com todas as informações para os candidatos estará disponível no site da Sociesc neste mesmo dia
Será publicado nesta quarta-feira (7) o edital do próximo Concurso Público da Prefeitura de Jaraguá do Sul no site da Sociedade Educacional de Santa Catarina (Sociesc) que irá organizar e realizar o processo seletivo. .O período das inscrições será das 10 horas desta quarta-feira (07 de agosto) até às 18 horas do dia 06 de setembro de 2013, horário oficial de Brasília. Para inscrever-se, o candidato deverá acessar o site www.sociesc.org.br/concursos , durante o período de inscrições, preencher o Formulário Eletrônico de Inscrição e imprimir o boleto para o pagamento do valor da inscrição.
O valor da taxa de inscrição para cada um dos níveis de escolaridade é o seguinte:
a) R$ 35,00 (trinta e cinco reais) para os cargos de nível de ensino fundamental;
b) R$ 65,00 (sessenta e cinco reais) para os cargos de nível de ensino médio;
c)R$ 90,00 (noventa reais) para os cargos de nível de ensino superior
A aplicação das provas está prevista para o dia 29 de setembro de 2013. Também pelo site da Sociesc. O candidato deverá consultar a partir do dia 23 de setembro de 2013 o local, data e horário das provas. Ao todo a Administração Pública jaraguaense irá ofertar 173 vagas sendo 78 delas de nível superior, 46 de nível médio e 49 de nível fundamental. Mais informações referente aos cargos e prazos do concurso estarão disponíveis no próprio edital.
Mais informações e anexos, clique aqui.
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terça-feira, 23 de julho de 2013
Refis Jaraguá do Sul 2013.
Normativa prevê redução de até 80% nos juros e multa de mora para contribuinte que fizer esta opção
Foi aprovada a Lei Complementar nº 134/2013 que institui o Programa de Recuperação Fiscal de Jaraguá do Sul (RefisJaraguá 2013). De acordo com o Secretário Municipal da Administração e Fazenda da Prefeitura de Jaraguá do Sul, Sergio Kuchenbecker, a dívida relativa aos tributos, multas administrativas e preços públicos municipais giram em torno de R$ 69 milhões atualizados.
A Lei do RefisJaraguá 2013 descreve como objetivo principal promover a regularização de créditos do município, oferecendo opções para os contribuintes inadimplentes colocarem suas contas em dia com a prefeitura jaraguaense. A proposta abrange débitos com fato gerador ocorrido até 31 de dezembro de 2012, “inscritos ou não como dívida ativa, em execução fiscal ou a executar, parcelados ou não administrativa ou judicialmente, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não...”
Para incentivar o pagamento antecipado em parcela única em agosto a Secretaria Municipal da Fazenda prevê redução de até 80%”nos juros e multa de mora, dependendo da data de adesão ao programa e modalidade escolhida para o pagamento.
Os prazos de pagamento dos tributos com descontos a titulo de incentivo para o contribuinte neste projeto de lei estão fixados para ocorrer entre o dia 05 de agosto a 29 de novembro de 2013, sem possibilidade de prorrogação, no setor de Tributação da Prefeitura de Jaraguá Sul (rua Walter Marquardt, nº 1111, Rio Molha) no horário das 8 às 11 horas e das 13 às 16 horas. Podem ser negociados no RefisJaraguá 2013 débitos relativos a Imposto Predial e Terrritorial Urbano IPTU) Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN)ISSQN, Contribuição de Melhoria e outros descritos na Lei Complementar nº 134/2013.
O secretário Sergio Kuchenbecker voltou a afirmar que a receita proveniente do RefisJaraguá 2013 será revertida em benefícios sociais a toda comunidade do município
SERVIÇO – REFISJARAGUÁ 2013
O QUE É: uma forma dos contribuintes inadimplentes colocarem suas contas em dia com a Prefeitura de Jaraguá do Sul. Prevê, por exemplo, redução de até 80% nos juros e multa de mora para quem optar no pagamento em parcela única em agosto
QUANDO: o prazo estabelecido para a quitação começa no dia 05 de agosto e termina em 29 de novembro deste 2013, sem possibilidade de prorrogação
ONDE: O cidadão interessado em aderir ao Refis Jaraguá deve se dirigir no setor de Tributação da Prefeitura de Jaraguá Sul (rua Walter Marquardt, nº 1111, Rio Molha) no horário das 8 às 11 horas e das 13 às 16 horas.
QUEM DEVE ADERIR: contribuintes com débitos relativos a Imposto Predial e Terrritorial Urbano IPTU) Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), Contribuição de Melhoria e outros descritos na Lei Complementar nº 134/2013.
PORQUE ADERIR: a receita do RefisJaraguá 2013 será revertida em benefícios sociais e obras para a própria comunidade de Jaraguá do Sul.
Mais detalhes sobre este Programa podem ser obtidos através do link “Refis 2013” localizado no menu à esquerda no portal da Prefeitura (www.jaraguadosul.sc.gov.br).
Fonte: Portal do Município de Jaraguá do Sul.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Pedágio urbano.
Uma das boas consequências dos protestos pela melhoria dos transportes públicos foi o aumento de pressão contra os automóveis particulares - o que facilitou o anúncio da prefeitura de colocar mais corredores nas principais vias da cidade.
Prepare-se. motorista: para quem tem carro a cidade já é um inferno, e só vai piorar.
A população( e com boas razões) não quer mais impostos, afinal a carga é alta e se tem a sensação (correta) de que o dinheiro público é desperdiçado.
Mas o fato é que para melhorar o transporte público é necessário ter menos carros nas ruas (quase todos concordam). E para investir nas melhorias o dinheiro tem de sair de algum lugar (e não pode ser do aumento indiscriminado dos impostos). Mais sensato cobrar de quem usa a rua.
Mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter a coragem, apoiado por segmentos expressivos da população, de propor o pedágio urbano, destinando 100% do que for arrecadado para a melhoria da mobilidade urbana. De quebra, serve como combate à poluição.
É daquelas ideias que hoje provocam horror nos políticos.
Mas, como vimos agora, o levante das ruas é capaz de mudar as ideias e apressar soluções.
*
Aliás, o aumento do imposto para quem consome gasolina (a Cide) já é um tipo de pedágio urbano camuflado.
O preço exorbitante dos estacionamentos também é pedágio urbano, com a diferença que o dinheiro vai apenas para empresários.
Texto de Gilberto Dimenstein no Portal da Folha de São Paulo.
Tenho falado disso já há algum tempo... É uma possibilidade que deve ser levada a sério, ainda que impopular. Uma maneira, como disse o texto, de estimular o transporte coletivo.
Prepare-se. motorista: para quem tem carro a cidade já é um inferno, e só vai piorar.
A população( e com boas razões) não quer mais impostos, afinal a carga é alta e se tem a sensação (correta) de que o dinheiro público é desperdiçado.
Mas o fato é que para melhorar o transporte público é necessário ter menos carros nas ruas (quase todos concordam). E para investir nas melhorias o dinheiro tem de sair de algum lugar (e não pode ser do aumento indiscriminado dos impostos). Mais sensato cobrar de quem usa a rua.
Mais cedo ou mais tarde, alguém vai ter a coragem, apoiado por segmentos expressivos da população, de propor o pedágio urbano, destinando 100% do que for arrecadado para a melhoria da mobilidade urbana. De quebra, serve como combate à poluição.
É daquelas ideias que hoje provocam horror nos políticos.
Mas, como vimos agora, o levante das ruas é capaz de mudar as ideias e apressar soluções.
*
Aliás, o aumento do imposto para quem consome gasolina (a Cide) já é um tipo de pedágio urbano camuflado.
O preço exorbitante dos estacionamentos também é pedágio urbano, com a diferença que o dinheiro vai apenas para empresários.
Texto de Gilberto Dimenstein no Portal da Folha de São Paulo.
Tenho falado disso já há algum tempo... É uma possibilidade que deve ser levada a sério, ainda que impopular. Uma maneira, como disse o texto, de estimular o transporte coletivo.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Sanção pra quê?
Do livro "Crítica da ideia de sanção", do filósofo Jean-Marie Guyau, reflete-se sobre a necessidade de punição social para aqueles que infringem as regras impostas. Com argumentos visionários, principalmente se considerarmos o ano de seus escritos (1883), Guyau trata de assunto mais atual do que nunca.
Separei um pequeno trecho:
"Assim, quanto mais avançamos, mais a verdade teórica impõe-se até mesmo às massas e modifica a necessidade popular de castigo. Hoje, quando a sociedade castiga, não é nunca pelo ato que foi cometido no passado, mas é por aqueles que o culpado ou outros, seguindo seu exemplo, poderiam cometer no futuro. A sanção só vale como promessa ou ameaça que precede o ato e tende mecanicamente a produzi-lo. Quando este se realiza, ele perde todo o seu valor: é um simples escudo ou um simples motor determinista, nada além disso."
Separei um pequeno trecho:
"Assim, quanto mais avançamos, mais a verdade teórica impõe-se até mesmo às massas e modifica a necessidade popular de castigo. Hoje, quando a sociedade castiga, não é nunca pelo ato que foi cometido no passado, mas é por aqueles que o culpado ou outros, seguindo seu exemplo, poderiam cometer no futuro. A sanção só vale como promessa ou ameaça que precede o ato e tende mecanicamente a produzi-lo. Quando este se realiza, ele perde todo o seu valor: é um simples escudo ou um simples motor determinista, nada além disso."
terça-feira, 25 de junho de 2013
É uma grande mentira.
De um dos contos mais famosos do filósofo e escritor Jean-Paul SARTRE, "O muro", trouxe o seguinte trecho para dividir com vocês:
"... levava tudo a sério, como se fosse imortal.
Neste momento, tive a impressão de que teria toda a vida pela frente e pensei: 'É uma grande mentira'. Não valia nada, pois havia acabado. Perguntei-me como conseguira passear, diverti-me com mulheres; não teria movido um dedo se imaginasse que acabaria desse jeito. Tinha toda a vida diante de mim, fechada como um saco, e entretanto tudo quanto estava lá dentro continuava inacabado. Tentei, num momento, julgá-la. Quisera dizer: foi uma bela vida. Mas não podia se fazer um julgamento, pois ela era apenas um esboço; eu passara o tempo todo fazendo castelos para a eternidade, não compreendera nada. Não tinha saudades de nada; havia uma porção de coisas das quais poderia sentir saudades, do gosto da manzanilla, dos banhos que tomava no verão numa enseadinha perto de Cádis; a morte, porém, roubara o encanto de tudo."
O personagem que faz essa reflexão está em uma situação limítrofe, que não vou contar aqui para não estragar aos que se interessarem pelo conto. Entendo a posição dele, mas tendo a não concordar.
Mais adiante ele continua pensando:
"No estado em que me achava, se viessem me avisar que eu poderia voltar tranquilamente para casa, que a minha vida estava salva, eu ficaria indiferente; algumas horas ou alguns anos de espera dão na mesma, quando se perdeu a ilusão de ser eterno".
Autor ácido em relação às coisas prosaicas da vida e ao comportamento humano padrão.
Recomendo.
"... levava tudo a sério, como se fosse imortal.
Neste momento, tive a impressão de que teria toda a vida pela frente e pensei: 'É uma grande mentira'. Não valia nada, pois havia acabado. Perguntei-me como conseguira passear, diverti-me com mulheres; não teria movido um dedo se imaginasse que acabaria desse jeito. Tinha toda a vida diante de mim, fechada como um saco, e entretanto tudo quanto estava lá dentro continuava inacabado. Tentei, num momento, julgá-la. Quisera dizer: foi uma bela vida. Mas não podia se fazer um julgamento, pois ela era apenas um esboço; eu passara o tempo todo fazendo castelos para a eternidade, não compreendera nada. Não tinha saudades de nada; havia uma porção de coisas das quais poderia sentir saudades, do gosto da manzanilla, dos banhos que tomava no verão numa enseadinha perto de Cádis; a morte, porém, roubara o encanto de tudo."
O personagem que faz essa reflexão está em uma situação limítrofe, que não vou contar aqui para não estragar aos que se interessarem pelo conto. Entendo a posição dele, mas tendo a não concordar.
Mais adiante ele continua pensando:
"No estado em que me achava, se viessem me avisar que eu poderia voltar tranquilamente para casa, que a minha vida estava salva, eu ficaria indiferente; algumas horas ou alguns anos de espera dão na mesma, quando se perdeu a ilusão de ser eterno".
Autor ácido em relação às coisas prosaicas da vida e ao comportamento humano padrão.
Recomendo.
segunda-feira, 24 de junho de 2013
Justiça tributária: como atrapalhar o funcionamento do Judiciário.
Texto de Raul Haidar no Portal Conjur:
Todos nós desejamos um sistema tributário de boa qualidade. Quando nos vemos diante de algum problema que dependa de solução jurídica, queremos aquilo que se chama Justiça Tributária.
Mas, infelizmente, tudo indica que há pessoas, instituições ou mecanismos legais que atuam em sentido contrário, seja incentivando a criação de problemas que não deveriam existir, seja impedindo que as possíveis soluções para eles possam ser encontradas e mesmo evitando que elas sejam colocadas em prática, ainda que óbvias, claras e simples.
Segundo divulgado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), no final de 2010 havia mais de 83 milhões de processos em tramitação no Judiciário do país. Desse total, pelo menos 32% seriam execuções fiscais, ou seja, cerca de 27 milhões de processos.
O número é expressivo, mas poderia diminuir bastante se fossem afastados os mecanismos já disponíveis nesse setor (execuções fiscais) e que não são acionados pelo Judiciário por simples acomodação ou mesmo desídia de seus dirigentes ou, talvez, por desinformação de alguns magistrados.
O primeiro e surpreendente caso que permitiria reduzir os processos, relaciona-se com uma enorme quantidade de créditos fiscais alcançados pela prescrição quinquenal.
A pretexto de defender o tal “interesse público”, tais ações permanecem indefinidamente ocupando espaço, até que o contribuinte, pressionado pelos odiosos mecanismos de controle de crédito, acaba sucumbindo e paga o que não deveria ser pago, porque extinto.
Continue lendo clicando aqui.
Todos nós desejamos um sistema tributário de boa qualidade. Quando nos vemos diante de algum problema que dependa de solução jurídica, queremos aquilo que se chama Justiça Tributária.
Mas, infelizmente, tudo indica que há pessoas, instituições ou mecanismos legais que atuam em sentido contrário, seja incentivando a criação de problemas que não deveriam existir, seja impedindo que as possíveis soluções para eles possam ser encontradas e mesmo evitando que elas sejam colocadas em prática, ainda que óbvias, claras e simples.
Segundo divulgado pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça), no final de 2010 havia mais de 83 milhões de processos em tramitação no Judiciário do país. Desse total, pelo menos 32% seriam execuções fiscais, ou seja, cerca de 27 milhões de processos.
O número é expressivo, mas poderia diminuir bastante se fossem afastados os mecanismos já disponíveis nesse setor (execuções fiscais) e que não são acionados pelo Judiciário por simples acomodação ou mesmo desídia de seus dirigentes ou, talvez, por desinformação de alguns magistrados.
O primeiro e surpreendente caso que permitiria reduzir os processos, relaciona-se com uma enorme quantidade de créditos fiscais alcançados pela prescrição quinquenal.
A pretexto de defender o tal “interesse público”, tais ações permanecem indefinidamente ocupando espaço, até que o contribuinte, pressionado pelos odiosos mecanismos de controle de crédito, acaba sucumbindo e paga o que não deveria ser pago, porque extinto.
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domingo, 23 de junho de 2013
sábado, 22 de junho de 2013
Turismo religioso receberá incentivos em Jaraguá do Sul
O prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Janssen, esteve nesta quarta-feira (19/06), no município de Nova Trento. O objetivo foi conhecer o funcionamento do turismo religioso na cidade que abriga o Santuário da Santa Paulina.
Acompanhando do Presidente do Ipplan, Benyamin Parham Fard, do diretor da secretaria de Urbanismo, Carlos Engel, do vereador Arlindo Rincos e comitiva integrada por arquitetos e representantes da paróquia de Nereus Ramos, terra do Padre Aloísio Boing, o prefeito foi recebido pelos integrantes da Congregação das Irmazinhas da Imaculada Conceição e pelo secretário de Turismo de Nova Trento, Eluísio Antônio Voltolini. Na oportunidade conheceu a infraestrutura que envolve todo o sistema turístico, a mobilidade urbana para receber milhares de visitantes, a sinalização viária e turística, os acessos rodoviários aos santuário e a organização do setor para atender bem o turista que vai ao local renovar sua fé. Uma informação que chamou a atenção da comitiva foi a de que 80% da economia do município está voltada ao turismo religioso.
Nova Trento, com 12.544 habitantes, é conhecida nacionalmente por abrigar o Santuário Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, o que coloca a cidade como o segundo maior polo de Turismo Religioso do Brasil em virtude das peregrinações de fiéis que vão visitar a cidade onde morou Amábile Lúcia Visintainer.
O prefeito afirmou que fez questão de estar junto nesta visita, pois os trabalhos desenvolvidos em Nova Trento são referência e que Jaraguá do Sul pode aprender muito com os exemplos aplicados.
Entre os objetivos da visita, explicou Dieter Janssen, é conhecer exemplos onde a modalidade do turismo religioso funciona bem, para investir também em Jaraguá do Sul. De acordo com ele, Jaraguá do Sul poderá ter o Padre Aloísio Boing, de Nereu Ramos, consagrado beato pela realização de milagre.
Padre Aloísio
Nasceu no dia 24 de dezembro de 1913, em Vargem do Cedro - São Martinho SC. Seus pais foram João e Josefina Boeing, uma família de sete irmãos legítimos e dois adotivos. Dos sete, dois sacerdotes e uma religiosa.
Em 1925, aos onze anos, foi para o seminário em Brusque SC, onde completou o segundo grau. Em 1932, foi transferido para Corupá SC, sendo da primeira turma de seminaristas deste, onde estudou um ano, voltando para Brusque para fazer o noviciado. Foi professor em Corupá por dois anos. Cursou filosofia em Brusque e teologia em Taubaté SP, onde também foi ordenado no dia 01 de dezembro de 1940.
Trabalhou em Varginha MG e, depois de voltar à Corupá, foi nomeado mestre de noviços, primeiro em Brusque, depois em Jaraguá do Sul SC, onde atualmente permanece o noviciado, na Barra do Rio Cerro.
Em 1974, iniciou a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus, em Jaraguá do Sul. Durante seis anos, foi pároco em Pomerode SC.
No ano de 1983, foi transferido, como diretor espiritual, da Casa de Retiros Padre Dehon, em Brusque.
No ano seguinte, passou a residir em Nereu Ramos, bairro de Jaraguá do Sul, e a pedido do então bispo diocesano, D. Gregório Warmeling, assumiu a comunidade Nossa Senhora do Rosário.
Seu grande desejo sempre foi formar bem os leigos na espiritualidade, num grande amor à Eucaristia, no amor e na reparação ao Sagrado Coração de Jesus, desenvolvendo uma devoção à Nossa Senhora, na vivência da Sagrada Escritura. (Fonte: dehonbrasil)
Acompanhando do Presidente do Ipplan, Benyamin Parham Fard, do diretor da secretaria de Urbanismo, Carlos Engel, do vereador Arlindo Rincos e comitiva integrada por arquitetos e representantes da paróquia de Nereus Ramos, terra do Padre Aloísio Boing, o prefeito foi recebido pelos integrantes da Congregação das Irmazinhas da Imaculada Conceição e pelo secretário de Turismo de Nova Trento, Eluísio Antônio Voltolini. Na oportunidade conheceu a infraestrutura que envolve todo o sistema turístico, a mobilidade urbana para receber milhares de visitantes, a sinalização viária e turística, os acessos rodoviários aos santuário e a organização do setor para atender bem o turista que vai ao local renovar sua fé. Uma informação que chamou a atenção da comitiva foi a de que 80% da economia do município está voltada ao turismo religioso.
Nova Trento, com 12.544 habitantes, é conhecida nacionalmente por abrigar o Santuário Santa Paulina do Coração Agonizante de Jesus, o que coloca a cidade como o segundo maior polo de Turismo Religioso do Brasil em virtude das peregrinações de fiéis que vão visitar a cidade onde morou Amábile Lúcia Visintainer.
O prefeito afirmou que fez questão de estar junto nesta visita, pois os trabalhos desenvolvidos em Nova Trento são referência e que Jaraguá do Sul pode aprender muito com os exemplos aplicados.
Entre os objetivos da visita, explicou Dieter Janssen, é conhecer exemplos onde a modalidade do turismo religioso funciona bem, para investir também em Jaraguá do Sul. De acordo com ele, Jaraguá do Sul poderá ter o Padre Aloísio Boing, de Nereu Ramos, consagrado beato pela realização de milagre.
Padre Aloísio
Nasceu no dia 24 de dezembro de 1913, em Vargem do Cedro - São Martinho SC. Seus pais foram João e Josefina Boeing, uma família de sete irmãos legítimos e dois adotivos. Dos sete, dois sacerdotes e uma religiosa.
Em 1925, aos onze anos, foi para o seminário em Brusque SC, onde completou o segundo grau. Em 1932, foi transferido para Corupá SC, sendo da primeira turma de seminaristas deste, onde estudou um ano, voltando para Brusque para fazer o noviciado. Foi professor em Corupá por dois anos. Cursou filosofia em Brusque e teologia em Taubaté SP, onde também foi ordenado no dia 01 de dezembro de 1940.
Trabalhou em Varginha MG e, depois de voltar à Corupá, foi nomeado mestre de noviços, primeiro em Brusque, depois em Jaraguá do Sul SC, onde atualmente permanece o noviciado, na Barra do Rio Cerro.
Em 1974, iniciou a Fraternidade Mariana do Coração de Jesus, em Jaraguá do Sul. Durante seis anos, foi pároco em Pomerode SC.
No ano de 1983, foi transferido, como diretor espiritual, da Casa de Retiros Padre Dehon, em Brusque.
No ano seguinte, passou a residir em Nereu Ramos, bairro de Jaraguá do Sul, e a pedido do então bispo diocesano, D. Gregório Warmeling, assumiu a comunidade Nossa Senhora do Rosário.
Seu grande desejo sempre foi formar bem os leigos na espiritualidade, num grande amor à Eucaristia, no amor e na reparação ao Sagrado Coração de Jesus, desenvolvendo uma devoção à Nossa Senhora, na vivência da Sagrada Escritura. (Fonte: dehonbrasil)
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