Bacafá

Bacafá

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Bares de NY celebram 75 anos do "Bloody Mary"

Milhares de bares e locais de Nova York comemoram nesta segunda-feira o 75º aniversário da criação do drink "Bloody Mary", o conhecido coquetel de vodca e suco de tomate.

Para a ocasião, as autoridades de Nova York decidiram instaurar o Dia do "Bloody Mary", que é lembrado com diversos atos por todo o Estado, entre eles um brinde em Times Square em homenagem à neta do garçom francês Fernand Petiot, a quem atribui a invenção do coquetel, em 1933.

Além disso, está previsto a distribuição deste tipo de drinks pelas ruas de Nova York durante o dia todo, assim como pelos Estados vizinhos de Nova Jersey e Connecticut.
Uma famosa rede de restaurantes decidiu oferecer o "Bloody Mary" a um preço similar ao que tinha quando foi criado, de US$ 0,99, para comemorar o surgimento da bebida.

A mistura, que costuma ser recomendada como remédio caseiro para curar a ressaca, foi chamada inicialmente de "Red Snapper" e diz-se que foi criada por Petiot em um bar de Paris em 1920, mas há controvérsias.

A mais popular afirma que quando Petiot trouxe o drink a Nova York e começou a servi-lo no Hotel St. Regis com tabasco é que foi adotado o nome de "Bloody Mary".

A receita costuma incluir um terço de vodca e dois de suco de tomate, com um toque de limão, tabasco, sal e pimenta.


Ingredientes:

- 45 ml de Vodka
- 90 ml de Suco Concentrado de Tomate
- 15 ml de Suco de Limão Taiti
- Molho Inglês
- Pimenta do Reino
- Sal
- Tabasco
- Gelo

Modo de Preparo:
- Pode ser feito utilizando coqueteleira ou montado no copo diretamente.
- Em um copo do tipo Highball coloque o gelo, a vodka, o suco de limão e de tomate.
- Mexa bem e tempere a mistura com o molho inglês, sal, pimenta do reino e o tabasco à gosto.
- Coloque um talo de salmão como decoração se desejar.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Quando O Globo não lê O Globo

O leitor de O Globo, que pensa em vender seu carro usado para comprar um novo, está em apuros. A se guiar pelas informações que obtém no caderno de Economia do jornal, ele não sabe se deve abandonar seus planos ou se pode procurar o veículo que deseja e negociar com calma. É uma decisão a ser tomada de acordo com a página lida.

Afinal, deve dar crédito aos vaticínios da analista de economia Miriam Leitão, para quem vivemos na véspera do apocalipse, graças à conjugação da crise internacional com a falta de prudência do governo? Ou confiar que, passado um momento de instabilidade, a tendência da economia brasileira é se normalizar com as medidas que vêm sendo tomadas pelo Banco Central de abrir linhas para o financiamento do comércio exterior e de flexibilização do compulsório. Henrique Meirelles ou Miriam, eis a questão? Mantega ou Gustavo Franco, qual o norte a ser seguido?

Estamos na iminência de um brutal contingenciamento de crédito ou, como assegura Fábio Barbosa, presidente da Febraban "o mercado está pouco a pouco retornando à normalidade"? No Globo essa é uma questão que assume dimensões esquizofrênicas. A leitura da edição de domingo (23/11) é fundamental para entendermos o que anda acontecendo na imprensa nativa.

Sintoma de tempos em que a análise dos fatos se confunde com o desejo das fontes e dos especialistas de plantão.

Na página 28, em sua coluna, Miriam Leitão pontifica:

"As locadoras brasileiras estão recusando terceirização de frota por que não conseguem comprar carros novos, nem repassar os velhos. Locadoras funcionam assim: usam sempre carros novos e revendem os já usados, às vezes para as próprias montadoras, mas esse giro agora está difícil, por dificuldades de captação de financiamento numa ponta, e falta de consumidor final na outra ponta do negócio".

Pronto, é melhor o leitor adiar o sonho de adquirir um novo veículo. O motor do setor automotivo engasgou por falta de ajuste de custos.

Na página seguinte, em matéria assinada pelo jornalista Bruno Rosa, intitulada "Itens usados em alta", o mesmo leitor fica sabendo que...

"A crise já fez o consumidor brasileiro mudar de hábitos.As roupas novas deram lugar a remodelagem de peças antigas esquecidas no armário. O dinheiro aplicado no banco foi resgatado para adquirir um carro usado, que já está vendendo mais que os similares zero quilômetro".

Boas novas, o sonho não morreu. Seu carro novo é uma possibilidade real.

O que explica que, na mesma edição, encontremos informações tão desencontradas? A resposta faria corar qualquer estudante de jornalismo. A colunista confiou na fonte e descuidou da apuração. Relegou a segundo plano a checagem do que noticiava. Produziu uma ficção econômica, permitindo que a fonte produzisse o fato.

O repórter Bruno, ao contrário da experiente jornalista, foi a campo e trouxe a notícia que desmentia a coluna. No meio disso tudo, um editor dormia em berço esplêndido, deixando claro que nem O Globo lê O Globo. Se o jornalismo deve ser o resultado de uma prática honesta, não há como deixar de perguntar se o nosso hipotético leitor compraria um carro usado de Miriam Leitão.

A resposta deve estar na sua preferência por páginas pares ou ímpares. Será esse o novo critérios de noticiabilidade: a velha prática do par ou ímpar, dependendo da aposta da fonte que pauta? A que ponto chegou o "rigor jornalístico"

Por Gilson Caroni Filho em 27/11/2008, no Observatório da Imprensa - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=513IMQ010

Pergunta: alguém ainda presta atenção no que a Miriam Leitão fala?

domingo, 30 de novembro de 2008

O poder da chuva e do sol

As chuvas que caíram em Santa Catarina, no litoral e no vale, deixaram um rastro de destruição, mortes e tristeza. Mais de cem vítimas fatais, quase 80 mil pessoas desalojadas, prejuízos financeiros ainda incalculáveis.

A chuva não destruiu apenas os prédios e ruas. Deixou em frangalhos o espírito lutador da gente catarinense. Em cada dia que despontava uma esperança de sol, a força se esvaía rapidamente com o retorno das águas que vinham dos céus. A chuva estava detonando as forças daqueles que perderam tudo materialmente ou, pior, que perderam entes queridos. A chuva diária, entre raros raios de sol, insistente à noite também, fazia com que as pessoas perdessem a esperança de uma solução rápida ou mesmo de alguma solução, apenas.

A chuva vinha, dia a dia, noite a noite, destruindo o moral, o humor e a dignidade de todos os catarinenses vitimas da tragédia e de todos aqueles que se dedicavam a ajudá-los.

O sol nesse dia, contudo, renova as forças do povo de Santa Catarina, dá uma verdadeira injeção de ânimo, um fôlego para a recuperação da dignidade e da vontade de ultrapassar esse período obscuro de aflição e muita tristeza.

Que o sol persista, assim como persiste a força do povo!

sábado, 29 de novembro de 2008

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

MP quer prisão por preços abusivos em calamidades

A Associação Nacional do Ministério Público Criminal irá encaminhar, na próxima semana, ao Congresso Nacional, um projeto de lei para coibir os crimes econômicos praticados durante períodos de calamidade pública. Pelo projeto de lei, os crimes de relação de consumo passariam a resultar em uma pena de quatro a oito anos de prisão, mais multa.

O promotor público de Santa Catarina Andrey Amorim cita os problemas enfrentados no Vale do Itajaí durante as últimas enchentes. "A gasolina dobrou de preço, o gás de cozinha teve o seu custo triplicado e o quilo de carne passou a ser comercializado por até R$ 80. Essa é uma situação que precisa ser punida eventualmente", disse.

Segundo ele, a legislação brasileira não tem nada que puna esse tipo de situação. Para que a punição seja efetiva, será necessário constatar que o aumento dos preços é injustificado. "Sabemos que, em alguns casos, com a piora da situação das estradas e problemas de logística, parte desses preços são repassados ao consumidor. O que nós queremos punir é, por exemplo, aquele que tem gasolina em seu estoque e ainda assim aumenta os preços."

Fonte: portal Terra - leia mais em: http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3360387-EI8139,00-MPs+querem+coibir+aumentos+abusivos+em+calamidade.html

De fato, é inconcebível que pessoas queiram se aproveitar da desgraça dos outros de maneira tão vil e mesquinha. Punir exemplarmente quem aumenta os preços em situações de calamidade ou catástrofe é um bom caminho. A livre iniciativa e a concorrência, com a liberdade de preço, são inerentes à economia moderna e ao capitalismo. Mas nessas situações é safadeza, ignorância, ganância e vilania!!

Aborto e preconceito.

"Num caso inédito e polêmico, a Justiça de Mato Grosso do Sul está indiciando, julgando e condenando 150 mulheres acusadas de praticarem aborto em uma clínica de Campo Grande – o número total de envolvidas no caso, e que devem passar por uma investigação, é de 1,5 mil. De julho até o início deste mês, 150 já foram indiciadas e 26, condenadas a penas alternativas" (O Estado de S.Paulo, 16/11/2008).

A ministra Nilcéa Freire, citada pelo jornal O Estado de S.Paulo, diz: "Está em curso, em Mato Grosso do Sul, um episódio assustador e de intensa fúria persecutória contra os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres no Brasil."

O processo foi denunciado à Anistia Internacional. Diz a professora de Direito – e membro do movimento Jornadas pelo Aborto Legal – Samantha Buglione:"Um dos principais problemas apontados foi o desrespeito dos prontuários médicos, apreendidos sem um pedido especial e depois expostos à consulta pública por cerca de sete dias úteis. Tecnicamente, o prontuário médico é um documento sigiloso, tanto quanto os documentos encontrados nos escritórios de advocacia, tanto quanto as contas bancárias de cada pessoa. A única diferença é que, como há um julgamento moral sobre as mulheres nesse caso, esse sigilo foi totalmente desrespeitado e colocado à disposição dos curiosos, inclusive homens que iam até lá ver o nome das mulheres suspeitas" (O Estado de S.Paulo, 16/11/2008)."

Em 1995, o Brasil subscreveu a Declaração de Pequim, adotada pela 4ª Conferência Mundial sobre a Mulher, comprometendo-se a considerar a revisão de leis contendo medidas punitivas contra mulheres que tivessem feito abortos ilegais. Tendo nosso governo assumido claramente, no âmbito das Nações Unidas, posição contrária à penalização das mulheres que, por circunstâncias diversas e sempre difíceis, submetem-se a um aborto, parece incongruente o ímpeto punitivo de que foram acometidas autoridades de Campo Grande, onde, a partir de denúncias de um promotor estadual acolhidas por um juiz, 10 mil mulheres que freqüentaram determinada clínica de planejamento familiar respondem a inquérito policial por suspeita de prática de aborto" (Jornal do Brasil, 3/5/2008).

Voltamos ao dilema do choque de valores: vida x liberdade sexual e reprodutiva. Cada um com seu posicionamento e sua crença.

Texto do blog do advogado e amigo Darwinn Harnarck, PensAtivo: http://darwinn.blogspot.com/

A crueldade do ser humano.

Na tragédia é impensável que pessoas queiram se aproveitar do drama alheio. Mas acontece.

Não bastassem as pessoas que saqueiam as casas vazias ou atingidas, os falsos necessitados que aparecem nos centros de triagem para ganhar algum coisa nova (e só querem as novas), há duas espécies ainda mais infames.

Os comerciantes que superfaturam da noite pro dia os produtos básicos como água e pão, diante do desespero dos flagelados.

E os conhecedores da tecnologia, que mandam e-mails dando contas falsas (ou melhor, próprias) ou com vírus sob o pretexto de ajuda aos necessitados, aproveitando-se da boa vontade daqueles que querem ajudar e, ao mesmo tempo, da sua desatenção.

A Defesa Civil alerta que não manda nenhm pedido eletrônico, assim como nenhuma outra instituição que está ajudando e arrecadando dinheiro. O meio correto é acessar diretamente o site e anotar os números para fazer os procedimentos bancários.

ATUALIZADOS os números das enchentes em SC.

Clique no seguinte link para ir ao post atualizado:

http://bacafa.blogspot.com/2008/11/novas-fotos-do-deslizamento-em-jaragu.html

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quando a omissão (da Rede Globo) vale ouro.

Texto de Urariano Mota.

Fonte: Observatório da Imprensa - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=513IMQ007 - Reproduzido do Direto da Redação, 19/11/2008.

Para o acontecido na segunda-feira (17/11), qualquer apresentador de telejornais poderia ter anunciado: "Tiros na Bolsa". Ou feito uma chamada de maneira mais extensa, evitando assim uma ambigüidade:

"Operador tenta suicídio durante pregão da Bolsa de Mercadorias e Futuro".

E depois do anúncio, entraria no corpo da notícia:

"O operador de pregão da corretora Itaú Paulo Sérgio Silva, de 36 anos, tentou suicídio hoje, pouco depois das três e meia da tarde. No meio do pregão, ele disparou um tiro contra o próprio peito. Paulo Sérgio foi socorrido imediatamente no ambulatório da Bolsa e transferido para a Santa Casa de São Paulo."

Isso feito, viriam imagens da Bolsa, e de operadores transtornados, enquanto o apresentador narraria:

"Segundo colegas, Paulo Sérgio falou ao celular com a esposa e os filhos minutos antes de disparar a arma. Uma testemunha, que não quis se identificar, declarou que ele elogiou os filhos, como numa despedida."

"Profundo respeito"

Corte para a imagem de um repórter, em frente ao prédio da Bolsa:

"Até o encerramento do pregão, o clima era de mal-estar e muitos estavam deprimidos. Funcionários da Bolsa e das corretoras saíam do prédio para fumar com o semblante fechado. A maioria descrevia com reticência a tarde de tensão. Alguns receberam ordem das corretoras em que trabalham para não comentar o incidente. Ainda assim, um deles informou que o operador é casado e tem quatro filhos, com idades entre 14 e 4 anos. Paulo Sérgio estaria com receio de ser demitido por conta da fusão do Itaú com o Unibanco. Ele havia comprado uma casa a prestação."

Corte para as declarações e imagens do presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Mercado de Capitais, Márcio Myeza:

"Duas horas antes da tentativa de suicídio, ele me procurou. E me disse que um amigo dele havia se matado. Ele queria saber os direitos da família nesses casos. Respondi que a família deveria procurar um advogado."

Volta para o apresentador, que lê, com os olhos no teleprompter:

"O presidente do sindicato disse ter notado que o colega estava `ansioso´, mas nada que sinalizasse a tentativa de suicídio."

E com a câmera no segundo apresentador:

"A assessoria de imprensa do Itaú informou, por meio de nota, que está dando total assistência ao funcionário e a seus familiares. A assessoria do Itaú declarou, abre aspas: em profundo respeito ao ser humano, não comentaremos o fato. Fecha aspas."

Simpáticos, esses bancos

Todas as linhas entre aspas escritas até aqui são a expressão da verdade: de fato, um operador da Bolsa de Mercadorias e Futuros, na última segunda-feira, meteu bala no próprio peito, em pleno pregão da tarde. De fato, ele temia pela sorte da família, a partir da fusão dos bancos Itaú e Unibanco. De fato, sabe-se que onde há reunião de duas empresas, os empregados não se somam. Subtraem-se, sempre, no processo conhecido como racionalização de atividades. Até aí foi a verdade.

As frases que antecedem as aspas são pura invenção poética porque a notícia não apareceu nos telejornais brasileiros. Ou, pelo menos, não apareceu nos telejornais da Rede Globo, com certeza. E notem a sucessão e crescimento de esquisitices sem notícia: se é um escândalo um suicídio público, se é um escândalo um suicídio em plena sessão da Bolsa e se é escândalo um tiro em um templo da economia em tempos de crise, o que dizer da ocultação da notícia, com a cara mais maquiada que o cinismo permite?

O que seria um escândalo, sob qualquer critério, gerou um grande e pesado silêncio. Mas há razões claras para isso, que podem ser vistas nos intervalos e abertura do Jornal Nacional: o patrocínio do noticiário pertence ao Banco Itaú. O operador era, se não morreu, empregado do banco. Como os telespectadores do Brasil poderiam ter uma notícia que mostrasse um mundo brutal, feroz, de quem promete os valores mais ternos, de amor à família, nos comerciais?

No artigo "Globo e censura, tudo a ver", chamávamos a atenção para uma comunicação censurada do Sindicato dos Bancários porque os anúncios do Itaú e Unibanco, em rede nacional, bem pagos, não permitiam tal liberalidade. O que dizer agora, quando os dois bancos se unem? Os bancos brasileiros não são apenas os mais lucrativos de toda a Terra, em toda a história. Eles são muito mais. São até editores do que você, leitor, pode ou não pode ver na televisão. Simpáticos, esses bancos. Eles não querem vê-lo preocupado com homens que atentam contra a própria vida em um pregão de uma segunda-feira à tarde.

----------
Valem alguns comentários:

Há que se considerar o poderio econômico interferindo nas pautas dos jornais, quaisquer que sejam. Mas isso, por si só, não leva à conclusão de que toda omissão decorre de tal inteferência. Incompetência jornalística e linha editorial também fazem os nossos informativos diários, televisivos ou não, sabotarem notícias importantes ou diferentes.

Esse caso específico daria, com base num drama pessoal, infelizmente, um bom gancho para uma matéria sobre a preocupação do desemprego nas grandes fusões, podendo, inclusive, trazer outros exemplos nacionais e internacionais para os telespectadores.

Claro, tudo uma questão de ponto de vista. De quem vê e de quem paga. Eu não pago, logo, não escolho as matérias que vão ao ar.

Há, ainda, o argumento de que há uma espécie de consenso que suicídios não devam ser exaltados na televisão. Não sei se é verdadeiro ou falacioso, mas também é uma possibilidade.

O que de fato vemos, contudo, é que as informações que nos chegam pela mídia comum normalmente são parciais ou limitadas. E a internet abriu um importante caminho para uma discussão mais ampla sobre o assunto.

Bancos condenados a pagar cheque sem fundos de correntistas.

A 4ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça condenou o Bradesco a ressarcir os danos materiais causados a Cristiano Pires Pereira, que recebeu cheques sem fundo passados por correntista daquela instituição financeira. Para o relator da matéria, desembargador Eládio Torret Rocha, o banco prestou um serviço defeituoso ao ter concedido cheques sem as devidas cautelas e ter permitido que estes permanecessem em posse de cliente sem o devido respaldo monetário. "Deflui do especial regime de responsabilidade dos bancos o dever de agir com total cuidado, transparência e lisura, tanto no momento inicial de seleção de seus correntistas, como no posterior trato com seus clientes e o público em geral", afirmou. O magistrado lembra que a regulamentação da atividade bancária no Brasil cobra das instituições uma conduta responsável quanto à cessão de talonários de cheques e à observância da respectiva base financeira, mas destaca que esta, ao contrário, é realizada de modo "descontrolado e desmedido, haja vista a quase ilimitada possibilidade de acesso a talonários via caixas de auto-atendimento, operação destituída de qualquer fiscalização". Por último, garantiu que é um contra-senso os bancos lucrarem com a devolução de cheques e se eximirem da indenização aos beneficiários desse. "Não há nenhuma norma que obrigue o banco a providenciar o pagamento de cheque apenas se houver provisão de fundo na conta do correntista", finalizou. Os dois cheques somaram, em valores originais, R$ 1,8 mil. A decisão, unânime, reformou sentença da Comarca de Brusque. (Apelação Cível n. 2005.038361-7). Decisão de 25.11.2008.

Na mesma linha, essa decisão 06.06.2008:

A 1ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça, em apelação sob relatoria do desembargador Carlos Prudêncio, condenou o Banco do Estado de Santa Catarina (BESC) ao pagamento dos valores – devidamente corrigidos - de um cheque devolvido por insuficiência de fundos do seu emitente. “A questão em debate não será tratada sob a ótica do direito cambiário (...), mas sim sob o enfoque constitucional (...), para responsabilizar civilmente o banco por descumprimento de um dever, com a incidência do Código de Defesa do Consumidor”, explicou o magistrado, em seu voto. Para o desembargador Prudêncio, as instituições financeiras auferem lucros fabulosos a partir do oferecimento de diversos serviços bancários, entre eles o contrato de conta corrente. Com a simples apresentação de carteira de identidade, CPF e atestado de residência, completa, o cidadão vira correntista e passa a dispor de talonários de cheques para efetuar suas transações comerciais. “Os bancos, agindo sem cautelas efetivas no fornecimento de cheques a seus clientes, pensando tão-somente na maximização de seus lucros e no cumprimento de metas exclusivamente capitalistas, acabam prestando um serviço viciado. Digo viciado por que ao não ter qualquer espécie de controle sobre a liberação dos cheques, hoje retirados em qualquer caixa eletrônico e em quantidade ilimitada, está-se incitando o calote geral, mascaradamente, para obter lucro quando cobra tarifa por cada cheque devolvido sem provisão de fundos”, anotou Prudêncio. Segundo o raciocínio do magistrado, os bancos ganham tanto com a manutenção da conta corrente quanto com a devolução dos cheques sem fundo. Por isso, em seu entender, não é justo que se eximam de indenizar os infelizes portadores dos cheques sem provisão. “Eles detêm todos os instrumentos para vedar o locupletamento ilícito do emitente, devendo melhor analisar as condições patrimoniais destes antes do fornecimento de talões”, concluiu. No recurso em questão, o Besc terá que pagar R$ 341,00 acrescido de correção monetária e juros moratórios em benefício de Cristiano Pires Pereira. O magistrado lembrou que o banco tem, a seu dispor, o direito de regresso no sentido de cobrar tais valores do correntista inadimplente. A decisão da 1ª Câmara de Direito Civil do TJ foi por maioria de votos. (Apelação Cível n. 2005.005907-7).

Fonte: TJSC - www.tj.sc.gov.br

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

The Who - Behind blue eyes

No one knows what its like, to be the bad man, to be the sad man.



Com todo respeito aos que gostam da versão enlatada do Limp Bizkit (afinal, o que significa esse nome, alguém sabe??), o original é muito melhor, mais rock and roll.
Essa apresentação já era de 1979; infelizmente não consegui achar uma mais antiga ao vivo. Eles voltaram a se apresentar, com um show muito mais produzido, óbvio. Contudo, vale a pena rever nos primórdios.

Atualizada a postagem sobre os números das enchentes em SC.

Clique no seguinte link para ir ao post atualizado:
http://bacafa.blogspot.com/2008/11/novas-fotos-do-deslizamento-em-jaragu.html

Desabafo

Texto e fotos enviados por Débora Hartmann.

Hoje é um dia muito triste em Jaraguá do Sul e para mim, no bairro Barra do Rio Cerro bem pertinho da minha casa, aconteceu umas das piores tragédias que esta cidade já viveu. Nunca havia presenciado algo tão horrivel em todos estes anos de vida.

Ao acordar me dirigi imediantamente ao local do acidente, movida pela curiosidade mas também pela sensação de realizar algo. E foi isso que fiz, conversando com os brigadianos do local, consegui ficar na area reservada a impresa. Fiquei fotografando os lances do desastre bem como fazendo pequenos videos, para constatar que agora depois que tudo foi posto abaixo pela terra, que a defesa civil estava agindo, que agora os brigadianos estavam controlando o transito, que agora os bombeiros estavam trabalhando não só no resgate a vítimas mas tambem verificando o grau de perigo nas casas ao lado.

O que se nota nesta tragédia é a inercia do poder municipal que abandonou a população a própria sorte. Em nenhum momento antes do desmoronamento do morro viu-se qq medida de prevenção, somente areas onde a própria população chamava a defesa civil para ir, que eram consideradas areas de risco. Em nenhum momento a defesa civil realizou um plano preventivo, analisando as areas potencialmente de risco da cidade. Pq meus amigos onde o morro foi abaixo, não havia nenhum sinal evidente de perigo, mas o morro foi cortado para passar o dito progresso, e com a chuva torrencial , foi o golpe de misericordia.

Até quando vamos viver mergulhados nesta inercia, nesta ausencia do poder municipal? Pq o município foi negligente não somente com essas pessoas q infelizmente morreram, mas conosco tb. Se as coisas estão piores por aqui, não é culpa unicamente do tempo mas tb do poder municipal q foi omisso. Este desastre não pode ser esquecido, pois um povo sem memória não cresce, não evolui, não vive. Ficam meu desejo e minhas orações que não aconteça mais nenhum desastre, que ninguem mais morra. Espero que Santa Catarina volte a sorrir. Que nosso povo sobreviva mas aprenda a lição.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Junky, de Willian Burroughs

Maconha não induz ninguém ao crime. Nunca vi ninguém ficar belicoso sob o efeito do fumo. Fumetas são uma raça de sociáveis. Sociáveis demais pro meu gosto. Não entendo porque as pessoas que acusam a maconha de instigadoras de crimes não vão mais longe e pedem também a proibição do álcool. Todos os dias você vê bêbados cometendo crimes que não aconteceriam se estivessem sóbrios.

...

Ouve-se falar que pessoas enlouquecem por causa da maconha. De fato, pode ocorrer um certo tipo de demência com o uso excessivo da erva, caracterizada por um tipo de raciocínio demasiado alusivo e abstrato. Todavia, a maconha vendida nos Estados Unidos não é forte o suficiente para cozinha os miolos de um cidadão; nos States é muito raro se encontrar casos de psicose de maconha. ... Quem fuma uns poucos cigarrinhos por dia está tão sujeito a pirar quanto um sujetio que toma seus drinques antes de jantar.

Mais uma coisa sobre maconha: uma pessoa fumada fica completamente inepta para dirigir automóvel. A maconha perturba a percepção do tempo e, em conseqüência, também das relações espaciais. Uma vez, em Nova Orleans, tive de parar no acostamento e esperar o barato baixar. Eu não conseguia avaliar as distâncias entre as coisas, nem calcular o momento certo de virar ou pisar no freio.

Junky, de Willian S. Burroughs, é um livro que me foi apresentado e emprestado pelo Gelson da Grafipel, e narra a história de um viciado em drogas pesadas (junky) no período final e pós II Grande Guerra, que vivia nos Estados Unidos, ou States, como ele fala no livro.

Mostra o mundo desses viciados e tudo o que os cerca com uma linguagem curta e contundente, crua e fria, característica dos escritores beat (isso deduzi das lições do Gelson sobre essa rara safra de escritores).
Nesta parte que transcrevi, o personagem faz uma interessante análise comparativa entre a maconha e o álcool e nos demonstrando como a HIPOCRISA que já existia naquele tempo persiste até hoje.

Vale destacar que o livro foi escrito em 1953 e essa edição que estou lendo é da Editora Brasiliense, de 1984 (sem código de barras, pai?, como questionou minha filha) e a capa é exatamente essa aí de cima (com exceção do 2a. edição).

Números da enchente - ATUALIZADO em 29.11 às 19:15

Fotos do deslizamento ocorrido no bairro Barra do Rio Cerro em Jaraguá do Sul, de onde foram retirados nove corpos e uma pessoa com vida (recebidas por email há instantes):







No total já morreram, até agora, em Jaraguá do Sul, 13 pessoas.

A mobilização na cidade, entretanto, foi exemplar, tanto das pessoas individualmente quanto das empresas. Quem não pôde colaborar com bens, está trabalhando na Central de Atendimento, dando seu esforço em nome da nobre causa. A solidariedade foi e está sendo muito importante, eis que muita coisa ainda há a se fazer.

Há que se ressaltar, contudo, a existência de muitas áreas de risco, com inúmeras pessoas desalojadas (que saíram de casa, mas estão nas casas de parentes ou conhecidos) e desabrigadas (que estão em alojamentos públicos). A chuva, aqui, diminuiu, mas os terrenos estão ainda extremamente molhados, razão das preocupações, sem contar que há notícia de chuvas mais fortes para as próximas horas.

Nas outras cidades a situação também é crítica, em especial em Blumenau, Itajaí e, agora, Ilhota com a destruição completa do Morro do Baú. Para quem viu na TV as imagens são aterradoras.

A última contabilização da Defesa Civil do Estado aponta 11o mortos e quase 79.000 desabrigados ou desalojados. Há cerca de 20 pessoas desaparecidas no Estado.

VITIMAS FATAIS:
Brusque: 01
Gaspar: 15
Blumenau: 24
Jaragua do Sul: 13
Pomerode: 01
Bom Jardim da Serra: 01
Luís Alves: 06
Rancho Queimados: 02
Ilhota: 37
Benedito Novo: 02
Rodeio: 04
Itajaí: 02
São Pedro de Alcântara: 01
Florianópolis: 01
T O T A L: 110


Fonte: Defesa Civil de Santa Catarina - http://www.defesacivil.sc.gov.br/ e http://www.desastre.sc.gov.br/

No seguinte endereço há uma entrevista com o Governador do Estado com mais imagens impressionantes: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/2008/11/25/ult5772u1722.jhtm

Suspensão de prazos judiciais.

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina e a Justiça Federal suspenderam os prazos judiciais ontem e hoje no Estado.

A Justiça do Trabalho suspendeu, além dos prazos, as audiências no mesmo período.

Existe a possibilidade desta suspensão ser reavaliada de acordo com as chuvas e problemas que se verificarem nas próximas horas ou dias.

Informações:

www.tjsc.gov.br
www.jfsc.gov.br
www.trt12.gov.br

Enchente e tragédia em Santa Catarina

Mais uma imagem impressionante veiculada no país em rede nacional. O desmoronamento de uma encosta em cima de uma casa, que parece de papel, tão grande a fúria da natureza. O triste episódio dessa vez ocorreu em Blumenau.


Fonte: www.youtube.com

Em Joinville, Florianópolis, Itajaí, Balneário Camboriú e cidades vizinhas o estrago também foi bastante considerável. Conforme informações divulgadas, o número de mortos no Estado já chega a 65, sendo que pelo menos 12 são aqui de Jaraguá do Sul. Em Gaspar 10 pessoas morreram em deslizamento. Na Capital, na rodovia que liga o centro às praias do norte ocorreu um grande desmoronamento e há suspeita de carros e vítimas embaixo dos entulhos.

Diversos municípios estão isolados nessa madrugada: São Bonifácio, Luiz Alves, São João Batista, Rio dos Cedros, Garuva, Pomerode, Itapoá e Benedito Novo.

Segundo contato diretamente ontem na Central de Operações de Jaraguá do Sul, os produtos mais necessários no momento são: fraldas descartáveis, material de limpeza, material de higiene pessoal, colchões, leite (em caixa ou em pó) e água.

Nesse momento a solidariedade de cada um e de todos faz a diferença.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Eu sou a lenda.

Com Will Smith e uma cadela pastor alemão.


O que aconteceria se você pensasse ser um dos poucos sobreviventes sãos de um mundo dominado por humanos mutantes por conta de uma infecção que esterminou 98% da população?

Não enlouquecer já seria uma grande vitória.

De todo modo, não entendi bem ao certo qual deveria ser a moral do filme, mas até que vale a pena pelo divertimento. Afinal tudo começou porque alguém descobriu a cura para o câncer.

Em DVD o filme tem dois finais. Pode-se escolher qual quer se ver e, é claro, vi os dois.

Acredito que o que passou nos cinemas foi o primeiro. E, particularmente, achei melhor esse mesmo. Mais surreal, um tanto quanto impossível, pra falar a verdade. Entretanto o outro foi improvável e meloso demais para um filme onde durante todo o tempo não se acredita mais na "humanidade" dos humanos infectados.

Fotos da tragédia em Jaraguá do Sul

A chuva, que não dá tréguas, causa mais uma tragédia na região.
No sábado morream mãe e duas filhas, de 3 e 6 anos, todas soterradas na própria casa depois de um desmoronamento.
Nessa madrugada, por volta das duas horas, houve outro gigantesco desmoronamento de encosta, interrompendo completamente uma via, destruindo casas, comércio e causando a morte de, segundo informações ainda não confirmadas, pelo menos 11 ou 12 pessoas.

Abaixo as fotos da tragédia: