A estrada, de Cormac McCarthy é um daqueles livros angustiantes que valem a pena ser lidos (em matéria de agonia, só o comparo ao Lolita, de Vladimir Nabokov). A história de pai e filho num mundo apocalíptico (ou pós) onde tudo sempre está em jogo, em especial os conceitos que um ensina ao outro."Nesta estrada não há homens inspirados por Deus. Eles se foram e eu fiquei, eles levaram consigo o mundo. Pergunta: como faz aquilo que nunca será para ser diferente daquilo que nunca foi?"
Embora alguns diálogos tenham me parecido um tanto confusos, o autor, de 75 anos, e com já vários romances na carreira, envolve o leitor com o perturbador medo do que vai acontecer com os dois, pai e filho. Os cenários, sempre devastados, são muito bem descritos, fazendo com que se possa não só imaginar, mas ter a sensação de que estamos observando tudo escondidos atrás de uma árvore próxima (chegando perto do primor das descrições do impressionante Memórias de Adriano, de Marguerite Yourcenar).
"As pessoas estavam sempre se preparando para o amanhã. Eu não acreditava nisso. O amanhã não estava se preparando para elas. Nem sabia que elas estavam ali."
Esse livro apareceu sorrateiramente na minha mesa quando estava tomando um chocolate quente na livraria que freqüento aqui em Jaraguá. Só posso agradecer ao amigo e verdadeiro livreiro Gelson Bini, que me apresentou à obra, instigando-me com resumo-suspense.




