Bacafá

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quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

The unbelievers.

Em português algo como Os descrentes ou Os Incrédulos (tradução oficial do filme). Assisti a esse documentário (de 2013) baseado em debates com e conversas entre Richard Dawkins e Lawrence Krauss, que contou, ainda, com a participação especial de  Woody Allen, Cameron Diaz, Stephen Hawking, Sarah Silverman, Bill Pullman, Werner Herzog, Bill Maher, Stephen Colbert, Tim Minchin, Eddie Izzard, Ian McEwan, entre outros artistas e cientistas.

Os colóquios tratam sobre a importância da ciência e da razão na consciência das pessoas e do porque discutir ciência em detrimento da religião, Dawkins, biólogo britânico, e Krauss, físico norte-americano, reconhecidos mundialmente em suas áreas, também são considerados dois dos maiores céticos (ou ateus, como queiram) que se dispõe a conversar e tratar do assunto.

Recomendo assistir o documentário, mesmo para quem é crente (no sentido amplo da palavra), eis que traz pontos de vista muito interessantes e, hoje em dia, talvez mais que em outros tempos, a reflexão é necessária. Estamos em época de Estado Islâmico e Boko Haram, entre outros fanáticos fundamentalistas, na mesma linha que a Igreja Católica estava alguns séculos atrás. Tudo isso se justifica?

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Punir pra que?

"Aquilo que chamamos de sanção penal não é, no fundo, senão uma defesa exercida por indivíduos para cujo lugar nós podemos nos transportar em espírito, contra outros cujo lugar não queremos nos colocar".

Jean-Marie Guyau, in Crítica da ideia de sanção (original de 1883, edição da Martins Fontes de 2007).

Ele coloca, mais adiante, ainda:

"Só com o tempo o homem percebe que não é mesmo útil, para sua conservação pessoal, proporcionar a pena infligida ao sofrimento recebido. Ele tende, portanto - e tenderá cada vez mais, no futuro -, a diminuir a pena. Economizará os castigos, as prisões e as sanções de todo tipo. (...). Assim, quanto mais avançamos, mais a verdade teórica impõe-se até mesmo às massas e modifica a necessidade popular de castigo. Hoje, quando a sociedade castiga, não é nunca pelo ato que foi cometido no passado, mas é por aqueles que o culpado ou outros, seguindo seu exemplo, poderiam cometer no futuro."

O cara escreveu no século XIX! Vale como reflexão. Recomendo o livro.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Contra um mundo melhor.

Li um livro interessante este final de ano. Contra um mundo melhor - ensaios do afeto (editora LeYa, 1a ed.), do filósofo brasileiro Luiz Felipe Pondé. Instigante, provocante e, o pior, com muitas coisas que eu concordo. Como gostei, vou compartilhar alguns pensamentos com meus leitores hoje e outros ao longo da vida. Tem coisa contundente. Concordo com algumas. Mas não se levem tão a sério. Nem quando a carapuça servir, ok?

"O que nos humaniza é o fracasso, homens e mulheres muito felizes não são homens e mulheres. Tenho medo de pessoas muito felizes. A consciência trágica, seja ela cósmica, seja miserável miúda e cotidiana, determina o horizonte onde se move o humano."

Eu tenho medo de pessoas lineares (que nunca se alteram, comedidas demais) e das que querem parecer muito certinhas.

"Segundo alguns sábios, a preguiça seria uma espécie de ceticismo da matéria, do corpo."

Aqui entre nós: é o segundo melhor dos pecados, né? Principalmente domingo de manhã com chuva.

"Todos são preocupados em construir um mundo melhor e suas carreiras profissionais. E como quase todas são pessoas feias, fracas e pobres, sem ideias e sem espírito inquieto, nada nelas brota de grandioso, corajoso ou humilde."

E o melhor:

"O grande escritor pernambucano Nelson Rodrigues costumava falar que vivemos numa época dominada pelos idiotas. Quem são esses idiotas? Como reconhecê-los? O que eles costumam falar? Antes de tudo, eles são maioria esmagadora e, como a democracia é um regime fundamentado na maioria, são vencedores pela simples força numérica. A luta contra os idiotas é uma batalha perdida. Falam demais. Acreditam que, apenas porque têm boca, podem emitir opiniões sobre tudo. Como viraram engenheiros e médicos e professores, porque o "conhecimento" virou ferramenta de ascensão social, hoje os idiotas têm diplomas."

Oh vida cruel...

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sanção pra quê?

Do livro "Crítica da ideia de sanção", do filósofo Jean-Marie Guyau, reflete-se sobre a necessidade de punição social para aqueles que infringem as regras impostas. Com argumentos visionários, principalmente se considerarmos o ano de seus escritos (1883), Guyau trata de assunto mais atual do que nunca.

Separei um pequeno trecho:

"Assim, quanto mais avançamos, mais a verdade teórica impõe-se até mesmo às massas e modifica a necessidade popular de castigo. Hoje, quando a sociedade castiga, não é nunca pelo ato que foi cometido no passado, mas é por aqueles que o culpado ou outros, seguindo seu exemplo, poderiam cometer no futuro. A sanção só vale como promessa ou ameaça que precede o ato e tende mecanicamente a produzi-lo. Quando este se realiza, ele perde todo o seu valor: é um simples escudo ou um simples motor determinista, nada além disso."


sábado, 20 de outubro de 2012

Vida Maria

Dica do meu irmão Alexandre.



Mudar e deixar mudar e fazer algo para mudar.


segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A verdade.

"A verdade não pertence a ninguém (para ser comerciada) nem é um prêmio conquistado por competição. Ela está diante de nós como algo a ser procurado e é encontrada por todos aqueles que a desejarem, que tiverem olhos para vê-la e coragem para buscá-la."

Marilena Chaui, in Filosofia e sociologia, Ed. Ática.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Por que?

Há poucos dias estava lendo um texto simples sobre filosofia. A autora, Marilena Chauí, ensinava que filosofia é a arte de questionar, de se questionar, de questionar o mundo. Passamos a filosofar quando buscamos descobrir a verdade por trás dos fatos corriqueiros do dia, dos grandes acontecimentos da humanidade, das atitudes que tomamos ou das rotinas que adotamos. Filosofamos quando queremos descobrir “como” e “por que”.

Imediatamente minha mente voltou-se a duas pessoas pequeninas. Meu afilhado de quase três anos e minha sobrinha de pouco mais de um ano.

Ela ainda não fala, ou fala muito pouco. Adora gargalhar quando todos a sua volta estão rindo. Não tem a mínima ideia do motivo das risadas alheias, mas quer participar, quer interagir. Por enquanto, seu jeito é dando suas risadas quando todos riem. E acredito que existam poucas coisas no mundo que possam ser mais revigorantes para a cabeça de um adulto, que possam ser um passaporte de imediata saída do mundo das preocupações do que uma gargalhada de criança pequena. Talvez não haja nada melhor, divertido e revigorante de se ouvir. Tanto que uma instituição financeira aproveitou-se (no bom sentido) para conquistar nossas mentes (no mau sentido) de um vídeo da internet de uma criança gargalhando porque o pai simplesmente rasgava papel. Duvido que alguém não tenha no mínimo esboçado um sorriso com a cena!

Em breve minha sobrinha entrará na famosa fase dos “por ques?”.

Ele, por sua vez, meu afilhado, é um furacão. O que tem de serelepe e ativo, tem de inteligente. E já está na tal fase. Acontece alguma coisa: “Papai, por que?”. Alguém fala algo diferente: “Mamãe, por que?”. E assim vai, perguntando para avós, padrinhos, professoras “por que?”, “por que?”, “por que?”.

É um filósofo esse meu afilhado. E foi uma filósofa minha filha. Como perguntava “por que?”! Volta e meia continua filosofando. Voltando um pouco mais na linha do tempo percebi que também já fui um filósofo. Sendo mais abrangente, eureka!, fomos todos filósofos!

Dentro dessa viagem quase filosófica, então me perguntei: mas por que deixamos de filosofar? Por que deixamos de questionar as coisas com a avidez dos três, quatro, cinco anos de idade? Por que nos acomodamos tanto e passamos a pensar que “sempre foi assim” ou que “não adianta fazer nada mesmo”? Onde está aquela nossa desconfiança produtiva sobre o motivo das coisas, a razão dos atos, e que nos fez crescer mentalmente na infância?

Assim, resolvi filosofar um pouco hoje com meus caríssimos leitores:

- Por que a senhora prefeita de Jaraguá do Sul insiste em manter seus parentes apesar das leis locais que proíbem o nepotismo?
- Por que alguns vereadores fazem vistas grossas a esta situação, mesmo com as decisões já proferidas pelo TJSC?
- Por que a única empresa de transporte urbano coletivo da cidade simplesmente não cumpre os contratos firmados com a municipalidade?
- Por que nossas ruas são tão esburacadas?
- Por que cada vez mais vemos menos policiais nas ruas?
- Por que nossa polícia civil está sempre capenga de efetivo e equipamentos, sem que possa desenvolver as investigações da forma mais adequada?
- Por que o salário dos professores e dos policiais são tão baixos?
- Por que a saúde está na UTI?

Filosofemos, filosofemos... Talvez cheguemos às necessárias respostas... E reflitamos sobre as conseqüências.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

São as prisões necessárias?

Provavelmente a resposta da maioria dos caros leitores foi imediatamente “sim”.

Dias atrás houve um motim no presídio regional de Jaraguá do Sul. Não quero entrar – novamente – no mérito do descaso do Estado com o sistema prisional como um todo. O presídio de Jaraguá do Sul, todavia, tem, possivelmente, uma das menos piores condições dos presídios estaduais e, talvez, nacionais. Tal situação é fruto do trabalho dedicado do seu administrador e sua equipe em conjunto com o Poder Judiciário e o Ministério Público locais e o Conselho Comunitário, formado pela ACIJS, OAB, assistentes sociais, arquitetos, líderes da comunidade, entre outros abnegados.

Ainda assim, nessas condições relativamente favoráveis – dentro do que pode ser considerado favorável quando se está preso – ocorreu a rebelião.

Nesse meio tempo li um livro e uma reportagem que tratavam, respectivamente, da punição e da índole das pessoas.

O livro é do filósofo francês Jean-Marie Guyau (1854-1888), conhecido como “o filósofo da vida”, e se chama “Crítica da ideia de sanção” (publicado primeiramente em 1883).

Discorrendo sobre diversos tipos de sanção (natural, moral, social, interior, religiosa e de amor) e sobre Justiça, o filósofo traz pensamentos que merecem reflexão. Diz e questiona: “Enquanto os seres espontaneamente maus perseverarem em querer a felicidade, não vejo que razão é possível invocar para tirá-la deles, a não ser razões de utilidade para eles ou para a sociedade da qual fazem parte. Há, dirão vocês, a razão, por si só suficiente, de que são maus. Será, portanto, apenas para torná-lo melhores que vocês recorrerão ao sofrimento? Não! Essa não é, para vocês, senão uma finalidade secundária, que poderia ser atingida por outros meios. Sua finalidade principal é produzir neles a expiação, ou seja, a infelicidade sem utilidade e sem objetivo. Como se para eles não bastasse serem maus!”

Segundo o autor, todavia, a ideia de pena é contraditória, mas contém em si, em alguns casos, uma bondade natural. Aponta, também, que o homem tem percebido que não é útil a ninguém tornar proporcional a pena infligida ao sofrimento recebido, e que naturalmente as sanções e os castigos diminuirão, buscando-se meios mais racionais para que os crimes não se repitam.

Reconheço que é um grande exercício intelectual conseguir acompanhar o raciocínio do filósofo. Necessita, por óbvio, certo desprendimento e uma análise despida de preconceitos. Mas é uma reflexão bem vinda, principalmente se associada ao artigo da revista Galileu de julho deste ano.

A matéria de capa é “De onde vem o mal?” e trata da afirmação científica polêmica de que maldade é doença e tem cura, o que poderia gerar o fim das prisões.

O texto faz uma interessante incursão por uma das cenas mais famosas do filme “Laranja mecânica”, baseado no livro homônimo, na qual o protagonista, assassino que tinha prazer no ofício, fica horas vendo cenas de violência explícita sem poder fechar os olhos, sendo dado, ao final, por recuperado.

Os métodos modernos sugeridos, claro, não vão nessa linha, mas, segundo a reportagem, identificam genes relacionados à crueldade. Um elenco de possíveis remédios e terapias é apresentado, e uma controvérsia à vista: como lidar com técnicas para “corrigir a mente”?

No final das contas, parece, mesmo, que o filósofo Guyau estava no caminho certo já lá no século XIX.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Sobre a sanção.

Do livro "Crítica da ideia de sanção", de Jean-Marie Guyau:

"Será, portanto, apenas para torná-los [os homens maus] melhores que vocês recorrerão ao sofrimento? Não! Essa não é, para vocês, senão uma finalidade secundária, que poderia ser atingida por outros meios. Sua finalidade principal é produzir neles a expiação, ou seja, a infelicidade sem utilidade e sem objetivo. Como se para eles não bastasse serem maus!"

........

"O sentimento que nos leva a desejar uma sanção é em parte excelente e em parte imoral. Como muitos outros sentimentos, ele tem um princípio muito legítimo e aplicações ruins. Entre o instinto humano e a teoria científica da moral existe, certa oposição."

Falarei mais da obra deste filósofo ao longo das próximas semanas.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

A importância do pensamento coletivo responsável.

Os cidadãos podem encarar a constituição como o projeto coletivo da realização cada vez mais ampla de um sistema já estabelecido de direitos básicos. Os cidadãos que se dedicam à realização desse projeto conjunto podem, com coerência, promover a melhoria das condições de acesso à política deliberativa e participação nesta, ao mesmo tempo que podem racionalmente esperar que as normas sejam devidamente respeitadas.

...

Em minha opinião, os princípios da justiça são institucionalizados por uma constituição democrática. A luta pela implementação de princípios específicos de justiça distributiva e as controvérsias que envolvem esses princípios devem ser submetidas a uma avaliação democrática, e não a especulações teóricas sobre como o mercado funciona ou deixa de funcionar."

Jürgen Habermas, in A ética da discussão e questão da verdade; Martins Fontes, 2007.

sábado, 30 de abril de 2011

O conhecimento.

"O conhecimento resulta de três processos simultâneos, que se corrigem entre si: a atitude de resolver problemas diante dos riscos impostos por um ambiente complexo, a justificação das alegações de validade diante de argumentos opostos e um aprendizado cumulativo que depende do reexame dos próprios erros.
...

Decerto concordo com Putnam quando diz que não existe uma linguagem do mundo - um livro da natureza que se imporia aos nossos espíritos. Só existem as linguagems que inventamos a partir de diversos pontos de vista. E, dependendo das linguagens teóricas que escolhemos, pode haver descrições diferentes - capazes de se referir, porém, às mesmas coisas."

Jürgen Habermas em "A ética da discussão e a questão da verdade" (Martins Fontes, 2007).

sexta-feira, 18 de março de 2011

Nobel sul-jaraguaense.

Quinta-feira passada, nessa mesma coluna Ponto de Vista, o estudante de Direito Cristiano Mahfud Watzko falou do Prêmio Nobel. Explicou como as intenções e os sonhos do inventor da dinamite, Alfred Nobel, se transformaram em um dos prêmios mais conceituados e cobiçados do mundo (seja pelo status, seja pelo valor econômico). De todo modo, como disse Cristiano, uma ideia que visa premiar pessoas que prestaram grandes serviços à humanidade nas áreas da paz, literatura, química, física e medicina.

Lendo seu texto fiquei imaginando quem premiaríamos se houvesse, pelas plagas de cá, alguma espécie de Nobel sul-jaraguaense. Quem nós poderíamos listar como candidatos a um glorioso prêmio por importantes serviços que tenha praticado em favor da comunidade nos últimos dez ou quinze anos, por exemplo?

Pensei, pensei e lembrei, quem sabe, de dois ou três nomes que fizeram a diferença, independentemente de seu escopo altruísta ou não. Pessoas que, por conta própria ou por amor ao próximo, agiram muito além do que se poderia exigir ou mesmo esperar delas. Falo de atos que tiveram conseqüências positivas ou favoráveis a toda comunidade; não aquelas atitudes obrigatórias de um ou outro político que reverberaram em melhoria de vida para alguns lugares, algumas pessoas ou algumas classes apenas.

Isso me impressionou e assustou um pouco, pois vivemos em uma região com índices acima da maioria das médias que medem tudo nesse país. Em especial o tal IDH, ou Índice de Desenvolvimento Humano. Temos potencial em vários aspectos e várias vertentes para convivermos com diversos “Prêmios Nobel Sul-jaraguense” ou mesmo “Prêmios Nobel do Vale do Itapocu”. Entretanto, aparentemente temos poucos nomes que poderíamos seriamente indicar para tão nobre premiação.

De certa forma essa reflexão lembrou-me de um dos mais festejados filósofos da atualidade, o alemão Jürgen Habermas. Em um debate com outros conceituados filósofos em Paris, em 2001, que virou o pequeno (em tamanho, apenas) livro “A ética da discussão e a questão da verdade”, Habermas afirmou que “uma pessoa só pode ser livre se todas as demais o forem igualmente”.

Habermas discorreu, em sua palestra, que uma comunidade moral é aquela formada de indivíduos livres e iguais que se sentem obrigados a tratar uns aos outros sem preconceitos ou diferenças. Claro que ele tem consciência da realidade e fala de outras teses pelas quais se defende ou se constata que algumas pessoas são mais livres do que outras.

Para que consigamos, então, atingir o patamar de uma sociedade com expoentes dignos de serem lembrados por seus atos em prol da coletividade, resta claro que precisamos ser todos livres. Não apenas conceitualmente.

Ademais, como ensinou o ilustre jurista Miguel Reale em palestra intitulada “A ética do juiz na cultura contemporânea”, de 1993, “quem se distingue, por virtudes de excelência, não pode pretender ser superior à sociedade, pois, no momento em que ele se ergue, eleva consigo a sociedade a que pertence”.

Pertencemos a uma sociedade forte em diversos aspectos, como já disse acima. No momento em que tivermos membros dessa sociedade distinguindo-se por atos construtivos, todos ganharão, haverá menos desigualdade, menos medo e mais qualidade de vida.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Pergunta da noite.

"Por fortuna logo aprendi a separar o preconceito teológico do moral, e nao mais busquei a origem do mal por trás do mundo. Alguma educação histórica e filológica, juntamente com um inato senso seletivo em questões psicológicas, em breve transformou meu problema em outro: sob que condições o homem inventou para si os juízos de valor "bom" e "mau"? E que valor têm eles? Obstruíram ou promoveram até agora o crescimento do homem? São indício de miséria, empobrecimento, degeneração da vida? Ou, ao contrário, revela-se neles a plenitude, a força, a vontade da vida, sua coragem, sua certeza, seu futuro?"

Friedrich Nietzsche, em Genealogia da moral.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O absurdo.

"Só existe um problema filosófico realmente sério: o suicídio. Julgar se a vida vale ou não vale a pena ser vivida é responder à pergunta fundamental da filosofia. O resto, se o mundo tem três dimensões, se o espírito tem nove ou doze categorias, vem depois. Trata-se de jogos; é preciso primeiro responder. E se é verdade, como quer Nietzsche, que um filósofo, para ser estimado, deve pregar com o seu exemplo, percebe-se a importância dessa resposta, porque ela vai anteceder o gesto definitivo. São evidências sensíveis ao coração, mas é preciso ir mais fundo até torná-las claras para o espírito."

Primeiro parágrafo do Capítulo I, O absurdo e o suicídio, do livro O mito de Sísifo, de Albert Camus.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Perguntas da noite.

O que é considerado honesto e virtuoso pela sociedade pode ser considerado anti-ético ou imoral pela consciência individual?


Pode, a ética, variar no tempo?

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Equilibrium.


O que você acha de uma sociedade sem guerras, sem disputas, sem depressão decorrente da ansiedade ou das derrotas? Que tal uma sociedade sem violência, sem tráfico de drogas, sem pobreza?

É essa a sociedade Libra, num futuro qualquer, após uma guerra apocalíptica qualquer. E é esse o tema do filme Equilibrium, de 2002, dirigido por Kurt Wimmer, com Dominic Purcell, Christian Bale e Sean Bean. Os clérigos são uma espécie de fiscais ou policiais com capacidade de perceber o que as pessoas sentem e treinamento de luta especial e são os responsáveis por identificar os criminosos (ou seja, as pessoas que têm algum sentimento - o que não é permitido nesta nova sociedade - ou bens que possam levar a algum pensamento sentimental, como discos, livros, obras de arte). Para que todos se mantenham neste estado praticamente anestésico, o governo distribui e todos têm que se autoaplicar diariamente uma determinada droga.

O enredo traz os questionamentos que um desses clérigos passa a se fazer depois de ver sua esposa presa por crime sensorial (ter sentimentos) e ter que matar seu parceiro pelo mesmo motivo (foi pego lendo um livro escondido). Em diversos momentos o filme lembra Matrix.

E aqui fica o meu questionamento: por uma sociedade sem crimes ou pobreza, poderíamos abrir mão de nossas liberdades de expressão e de ir e vir?

terça-feira, 27 de abril de 2010

quinta-feira, 11 de março de 2010

Pergunta da noite.

Qual o limite ético-profissional para o preceito que determina que "É direito e dever do advogado assumir a defesa criminal, sem considerar sua própria opinião sobre a culpa do acusado"?

quinta-feira, 4 de março de 2010

Pergunta do dia.

Os fins justificam os meios quando o objetivo é buscar a segurança da sociedade?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Pergunta do dia.

O que é considerado honesto e virtuoso pela sociedade pode ser considerado anti-ético ou imoral pela consciência individual?