Bacafá

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Finalmente: pena de morte para menores infratores.

Vi o vídeo abaixo na página do Facebook de Daniela Felix. Vi e não queria acreditar no que estava vendo. Vi e me senti mal. Vi e não me reconheci brasileiro. Não me reconheci ser humano. Vi e fiquei sem saber direito o que pensar. Vi e perdi um pouco da pouca esperança que tenho. Vi e continuo me fazendo perguntas. Vejam vocês também:



Como comentei lá no face da Daniela, não sabia se chorava ou se chorava. Pessoas que se entendem acima de qualquer suspeita querem metralhar o garoto, pura e simplesmente. Pena de morte, pura e simplesmente. Sem julgamento, sem ouvida, sem processo, sem nada. Essas mesmas pessoas, possivelmente, que querem um país mais honesto, mais justo, mais equilibrado, com menos corrupção, com mais honestidade, com mais seriedade, com mais sobriedade. Metralhar, a moça do vídeo falou. "Tem que metralhar, metralhar. Tiro na cabeça. É isso que tem que fazer" falou a infeliz. Homens e mulheres vestido com a bandeira do Brasil batendo no rapaz. Batendo por trás, batendo e escondendo a mão. Batendo e achando que têm razão.

Embrulhou meu estômago o tratamento dos civilizados, da elite branca, dos que querem mudar o brasil. E nem porque o menino é menor ou negro, como chama o título da matéria. É porque é pobre mesmo. Quantos estão querendo linchar o banqueiro ou o empreiteiro presos? Quantos? Quantos foram lá bater na cabeça do Odebrecht ou do Esteves? O que é isso, afinal? É reflexo da indignação daqueles presentes ou a sua simples inação cotidiana descarregada contra quem não consegue se defender naquele momento?

Eu entendi bem? Aquelas pessoas estão querendo contra o moleque (que provavelmente aprontou mesmo, mas que deve ser punido na Justiça e não justiçado na rua) o que não querem para seus filhos? Metralhar? Bater na rua na frente de todo mundo?

Discuti o assunto com uma das pessoas mais importantes pra mim hoje. Ela discorda de mim, e disse que nunca vivi o trauma de um canivete no pescoço para saber o que é a raiva acumulada daquela gente. Realmente, nunca vivi. E espero nunca viver. Mas ainda assim não consigo compreender isso. Na realidade, já passei por uma situação parecida, embora não violenta. Um garoto me apontou um canivete, um baita canivete, que depois descobri tinha sido furtado da loja do pai de uma amiga da minha filha. Acompanhei o tratamento dele com a equipe do social da prefeitura. Um garoto sem referências, e que a equipe do social se esmerou em tentar recuperar.

O fato é: alguém se pergunta de onde vêm essas crianças? Elas vêm daqui?



Ou elas vêm daqui?



Não quero dizer que pobre tem que ser marginal. Bem longe disso. Só quero nos lembrar que se as condições forem as de cima, as chances de vermos garotos aprontando o que talvez o do vídeo tenha aprontado serão infinitamente maiores.

Apenas para localizar o leitor, essa foto dos meninos dormindo no chão, eu ouvi falar numa palestra promovida pela Católica SC de um professor de Direito do Rio de Janeiro se não me engano. Infelizmente não localizei o autor. Sabe traduzir a foto, caro leitor? Nada mais do que garotos de rua que, provavelmente depois de cheirar alguma coisa para matar a fome, se amontoaram uns nos outros e em cima do vão do metrô para que o ar quente lá de baixo, que subia quando a composição passava, pudesse dar algum conforto numa noite fria de inverno. Entendeu a complexidade da necessidade?

São esses garotos sem perspectiva, sem referência, sem comida, sem Estado, sem nada, que apanham dos senhores indignados com os furtos que cometem. São esses garotos que não tem pai e não tem mãe e que vão fazer mais filhos sem pais ou mães que vão acabar nos matando num assalto mal sucedido temperado com alguma droga alucinógena. A culpa é deles? Algum daqueles bonitões corajosos na frente da polícia já deu um cobertor, uma comida ou um caderno pra esses moleques?

Ou a culpa é nossa?

Bons os tempos em que metralhar e não morrer era apenas a música punk da banda do Supla.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Um pouco de educação.


Diz o adágio popular que prudência e canja de galinha não faz mal a ninguém. Jorge Benjor (ainda sou do tempo do Jorge Ben) acrescenta dinheiro: “Olha aí meu bem, prudência e dinheiro no bolso, canja de galinha não faz mal a ninguém”. Se me permitirem vou acrescentar mais uma coisinha: educação. Prudência, dinheiro no bolso, canja de galinha e um pouco de educação não fazem mal a ninguém.

Segunda-feira estava, eu, voltando do almoço a pé quando, em um cruzamento, uma cidadã, minto, um “ser” jogou pela janela do seu belo carro um pedaço de papel. Acelerei o passo para devolver o que, talvez, tenha caído sem querer do carro, mas não deu tempo. O motorista, aproveitando uma brecha no trânsito, engatou a primeira e foram os dois embora para seu destino. O fluxo fluiu.

Divaguei, então, com meus botões, o que faz uma pessoa simplesmente jogar lixo pela janela do carro, como se não pudesse esperar até chegar em casa ou onde quer que fosse para colocar no lugar certo. O que faz pessoas jogarem bituca de cigarro pelas janelas dos prédios ou mesmo caminhando, no meio da rua, como se aquele pedaço babado de papel contaminado com milhares de produtos tóxicos fosse desaparecer num passe de mágica.

Quanto aos cigarros, meus amigos fumantes, alguns se dizendo perseguidos pelo politicamente correto (e olha que não gosto desta história de politicamente correto), questionam-me o que vão fazer com a tal bituca. Colocar no bolso?, perguntam-me eles sarcasticamente. Por mim poderia ser, já que eu coloco no bolso o papel das balas que compro, por exemplo.

As pessoas – algumas – parecem ter perdido a ideia dos bons modos. Empurram nas filas, não pedem desculpas e às vezes sequer olham para o lado. Falam alto em qualquer lugar como se todos fossem obrigados a ouvir suas aventuras da noite anterior. Comportam-se sem modos à mesa; falam palavrões na frente de crianças sem qualquer pudor; não dão lugar às pessoas mais velhas e muitas vezes nem as tratam com o mínimo respeito que a idade determina. Reclamam de tudo e não fazem nada para colaborar; acham que sempre têm razão; consideram-se superiores a todos.

Joga-se a culpa na família, na escola, nas amizades, por tamanha falta de educação. Até pode ser. Em parte. É um relaxamento geral. Os mal-educados são, na realidade, uns acomodados sociais. Não precisa ser gênio para perceber que desagrada pelo modo de se comportar. Firmeza de postura e falta de educação são coisas diferentes e todos percebem.

Ou seja, a culpa é principalmente do próprio mal-educado, que abusa da paciência alheia e não faz a mínima questão de se aprimorar como ser humano. O que não pode é este tipo de comportamento contaminar os demais, sob séria pena de daqui pouco tempo estarmos todos jogando papel pela janela do carro.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O escambau.

Semanas atrás recebi um e-mail (mais de um, na realidade) cujo título era mais ou menos assim “Você é o escambau”. Contava, o texto, não exatamente com as palavras que narro agora, que uma determinada pessoa (que aparentemente assinava a missiva) estava indignada porque um magistrado não aceitou ser chamado, em gabinete, de “você”. E mais, que o dito juiz de Direito ainda tinha lhe desferido um impropério: o tal “escambau”. Mais exatamente um “você é o escambau”.

O emitente do e-mail original – não os que recebi, que já eram replicados – parecia até letrado, pois discorreu sobre a origem etimológica da palavra “você”, que, segundo ele, está associada à expressão antiga “Vossa Mercê”. E pesquisou, também, a origem da palavra “escambau”, a qual, segundo essa pessoa, não seria possível precisar.

O intelocutor virtual estava indignado, embora em nenhum momento tenha sido indelicado ou mal educado, com a reação do magistrado ao ser chamado, como já falei, de “você”. “Você é o escambau” teria sido a resposta.

Um conselheiro antigo, chamado Jack, diria para irmos por partes. Vou tentar seguir tão sábia orientação, dividindo meus pensamentos em duas partes.

Na primera tenho que dizer que procurei nos seis dicionários (mais dois eletrônicos) que tenho em casa – alguns bem antigos, é verdade – e não encontrei a palavra “escambau”. Mas que a palavra existe, disso não tenho dúvida. Já a ouvi. Já a falei. E se está na boca do povo, existe. Contrariado conversei com o “todo-poderoso”. E o Google me levou a Sérgio Rodrigues, da Coluna Todoprosa. Fiquei ainda mais frustrado quando descobri que a palavra está no Houaiss, o dicionário que está na casa dos meus pais! Pode significar tanto “um monte de coisas” quanto ser um eufemismo de palavrão. Lendo o texto de Sérgio Rodrigues, tive a sensação que foi da mesma fonte que bebeu o indignado autor originário do e-mail.

Pois bem. Dadas as circunstâncias parece que o “escambau” do e-mail foi usado mais como uma retaliação (ok, outro eufemismo) do que como “Você é um monte de coisas”. Vá lá, eu não estava presente para saber se isso aconteceu ou não, mas não é coisa que se espera ouvir de um magistrado em um gabinete. Na realidade, não sei, também, se o dito autor do texto o realmente é.

Assim, chego ao segundo ponto. Pronomes de tratamento. Aprendi lá no primeiro grau, agora ensino fundamental, que “você” é utilizado para tratamento íntimo ou familiar. Nunca tratei meu tio desembargador ou meu padrinho juiz de “você” dentro de um fórum. Se bobear, nem fora, por simples questão de respeito. Aprendi, lá no primeiro grau, que magistrado se trata de “excelência” ou “meritíssimo”.

Aprendi, também, e aí foi em casa mesmo, que com intimidade se trata aqueles com quem se tem intimidade. E respeitosamente a todos. Quem me conhece sabe que não faço questão alguma de ser tratado por “doutor”. Contudo, até hoje trato pessoas que não conheço ou conheço pouco por “senhor” ou “senhora”, ainda que sejam mais novos do que eu, enquanto não me derem sinal de permitirem outro tratamento.

Vou mais longe. Penso que muito do desrespeito que parcela da molecada alimenta hoje decorre da falta da imposição de certas formalidades. Não é frescura. É respeito, puro e simples. É educação na sua vertente mais natural.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Seis erros cometidos pelos pais na educação dos filhos.

Do blog "Diga não à erotização infantil".

Autores e especialistas listam e comentam os equívocos mais comuns dos pais no relacionamento com as crianças.

Elogiar muito uma criança pode estragá-la. Para um adolescente, discutir com os pais demonstra respeito. Estas são apenas algumas afirmações contidas em “Os 10 Erros Mais Comuns na Educação de Crianças” (Editora Lua de Papel), recém-lançado no Brasil e escrito pelos americanos Po Bronson e Ashley Merryman. No livro, os autores procuram desconstruir mitos atuais a respeito da educação das crianças a partir de resultados de pesquisas sobre o desenvolvimento infantil. Conheça alguns dos discursos equivocados mais comuns dos pais citados pelo livro e confira os comentários de especialistas.

“Sempre elogio meu filho”
“Deixo meu filho dormir um pouco mais tarde para ficar comigo”
“Ensino a meu filho que somos todos iguais”
“Não discuto com meu filho adolescente”
“Meu filho é superinteligente”
“Meu filho assiste a DVDs educativos”

Leia mais detalhes clicando aqui.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Adolescente pinta cabelo de azul e é barrada em escola.

Matéria indicada pelo mago Gelson Bini.

Uma adolescente de 16 anos foi impedida de assistir aula em Uberaba depois de pintar o cabelo de azul. A garota mudou a cor durante as férias e, na última segunda-feira (13), foi advertida pela direção da escola.

“Falei com a secretária e depois conversei com o diretor sobre a minha filha. Ele disse que ela foi advertida por causa da disciplina e que precisava controlar os alunos. Eu disse que conversaria com ela para saber se ela iria mudar o cabelo ou sair da escola”, contou o pai da estudante, Guilherme Diamantino. Nenhum representante do colégio quis falar sobre o assunto. A escola existe há 58 anos e conta com mais de três mil alunos.

Dois dias depois ela foi impedida de assistir aula. “Ela passou o cartão e o porteiro foi atrás dela. Falou que ela não podia ficar, que tinha ordem do diretor para ela não frequentar a aula e a tirou da escola”, acrescentou Guilherme.
O caso ganhou as redes sociais depois de um desabafo da adolescente e do pai dela na internet. O manifesto recebeu apoio de várias partes do país. Guilherme procurou entender o regulamento da escola. Ele é advogado e avalia a norma como subjetiva. “Ela prevê que o cabelo tem que estar dentro da normalidade, mas eu não sei o que isso quer dizer”, destacou.

Cintia Cunha é mãe de uma aluna da escola e também professora de ética em uma universidade. Ela protestou explicando que o regulamento não está disponível no site da escola e nem vem anexo ao contrato. “Essa é uma oportunidade única para a escola rever seu regime disciplinar em acordo com os alunos, que são os destinatários das normas”, disse.

Para o diretor do Sindicato dos Professores das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinproep), Marcos Gennari, o fato reflete a falta de uma norma única reguladora da educação privada no Brasil. “Por isso o Sindicato dos Professores, a Federação e a coordenação defendem que agora no mês de março, com dois anos de atraso, seja decidido o Plano Nacional de Educação incluindo a nossa proposta de regulamentação do ensino privado”, contou.

O pai da adolescente que pintou o cabelo de azul ainda não sabe se irá recorrer à justiça. “Não sei se isso é judicialmente necessário. É mais uma questão de conscientização da sociedade sobre o que acontece e todo mundo fica calado, do que uma ação de fato”, finalizou Guilherme. Mas independentemente do resultado da discussão, a estudante já está matriculada em outra escola.

Fonte e foto: Portal G1.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O bom dia do gari.

Reportagem do Jornal Santa Catarina remetida pela aluna Anne Karoline Reinert, da 10a fase do curso de Direito da Fameg, depois de ver o texto "O gari feliz".

Sob o sol do início da primavera, garis dividem-se para limpar a Praia Central de Balneário Camboriú. Na altura da Rua 2.000, um deles usa o rastelo e o sorriso largo para fazer mais do que o próprio trabalho. Todas as manhãs, ele escreve na areia um enorme bom dia. Encontrá-lo foi questão de minutos. A simpatia o denuncia.

Em meio a um grupo de idosos que praticavam atividades físicas à beira mar, lá estava Martins. Sorrindo, trabalhava e ganhava elogios pela arte recém traçada.

— Eu escrevo para animar. Às vezes vejo pessoas tristes pelos bancos da praia e acho que dessa maneira posso ajudar — conta o simpático homem de 45 anos.

O artista encanta quem mora nos arranha-céus da Avenida Atlântica e aos que visitam a orla. Os frequentadores mais assíduos já o batizaram de Amarelinho, inspirados na cor do uniforme que ele usa para trabalhar:

— Até os moradores dos prédios já me conhecem. De vez em quando um grita lá de cima "bom dia Amarelinho".

A cena também interrompe o passo sem pressa da moradora de Londrina (PR) Maria de Lourdes. De férias, ela caminhava com o olhar vago em direção ao mar quando encantou-se pelo bom dia de Martins. Feliz, seguiu em direção ao gari e o abraçou.

— Achei fantástico. Eu li o bom dia em vários pontos da praia e fiquei imaginando quem seria a pessoa que fez isso. Com certeza este homem ama muito a vida — opina emocionada.

Bom dia na areia é lição de vida

A atitude rendeu ao gari novas amizades. Para o comerciante, Lauro de Menezes Andrade, 38 anos, Martins é um exemplo.

— Ele não ganha nada a mais para escrever o bom dia na areia. Daí a gente para pensar né? Tem dias que acordamos e nem damos bom dia para quem mora com a gente. Para mim foi uma lição - revela.

Lição que não será esquecida pela moradora de Balneário Camboriú, Solange Mello, 65. No dia em que conheceu Martins, na Praia Central, até o humor mudou.

— Que coisa mais linda isso que ele faz. Que criatura iluminada. Com certeza o dia fica melhor. Fica um bom dia — disse sorrindo, depois de cumprimentar o gari.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Sustentabilidade na escola.

O vídeo abaixo, produzido pela filha de um grande amigo, está participando de um concurso sobre sustentabilidade da Rede Salesiana de Escolas. Veja, reflita e colabore com a iniciativa da Isabella. Quanto mais o vídeo for visto, mais chances para a Isabella.



Mais informações sobre a campanha "Meu S é de sustentabilidade" você pode ver no http://www.sdesustentabilidade.com.br/

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Orgulho do pai.

No facebook da Gabriela:

GOVERNADOR DECLARA: “Quem quer dar aula faz isso por gosto e não pelo salário. Se quer ganhar melhor, pede demissão e vai para o ensino privado". Cid Gomes - Governador do Ceará.


SE VOCÊ ACHA QUE O GOVERNADOR DEVE DOAR SEU SALÁRIO E GOVERNAR POR AMOR, COLE NO SEU MURAL.

Dá-lhe filha. Esse governador deveria ter salário de professor pra ver o que é bom.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

OAB quer ingressar como amicus curiae para defender cotas raciais no STF.

O Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou nesta segunda-feira (22), por unanimidade, seu pedido de ingresso, na condição de amicus curiae, na Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) número 186, que discute a constitucionalidade do sistema de cotas raciais nas universidades públicas. Após longo debate conduzido pelo presidente nacional da OAB, Ophir Cavalcante, e com base no voto do relator na OAB, o conselheiro federal Luiz Viana Queiroz (Bahia), os 81 conselheiros federais aprovaram o ingresso da entidade na ADPF em apoio à política afirmativa temporária de cotas. A ADPF foi ajuizada pelo Partido Democratas no Supremo Tribunal Federal em julho de 2009.

O relator da matéria na OAB defendeu o apoio da OAB ao sistema de cotas com base em princípios constitucionais como o da igualdade, mantendo-se a autonomia das universidades, e da dignidade da pessoa humana, com o fim de reverter as desigualdades históricas que existem no Brasil em relação aos negros. Outro ponto integrante do voto de Luiz Viana Queiroz é a necessidade de exame proporcional de cada caso, uma vez que a proporção de negros varia drasticamente de Estado para Estados no Brasil. O voto do relator teve como principal base a audiência pública realizada pela OAB Nacional sobre o tema em abril do ano passado.

A presidente da Comissão Nacional de Promoção da Igualdade da OAB, Silvia Nascimento Cerqueira, enalteceu a votação por aclamação da matéria e afirmou que toda a população negra do país aguardava com ansiedade o posicionamento da OAB sobre a matéria. "A partir da decisão da entidade máxima da advocacia tenho certeza de que esse tema será visto com outros olhos a partir de agora", afirmou.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

O pato e o bullying.

Dia desses encontrei uma caixa de fitas cassetes (sim, elas ainda existem!) e resolvi arrumá-las. Para os leitores mais jovens, que eventualmente não conhecem, fitas cassete, ou K-7, era o que escutávamos nos carros antes dos CDs. Nos toca-fitas. Ou em casa mesmo, quando gravávamos as músicas preferidas dos nossos discos de vinil (LPs/long play) ou de nossos amigos.

Pois bem. Nessa bagunça de fitas encontrei uma raridade (talvez nem tão rara assim). A fita de “A arca de Noé”, com músicas de Vinícius de Moraes e Toquinho, interpretadas por grandes nomes da MPB da época, que ganhei dos meus pais em 1980. Claro que coloquei a fita para tocar. Músicas como “O pato”, “A casa”, “A pulga”, entre outras, voltaram à memória.

E fiquei pensando. Seriam essas músicas hoje admitidas com o tal do “politicamente correto”? Entendo que temos que repensar muitas atitudes que banalizam preconceito e violência, principalmente quando voltadas às crianças. Mas às vezes vejo que há exageros.

A letra da música “O pato” por exemplo:

“O Pato pateta/Pintou o caneco/Surrou a galinha/Bateu no marreco/Pulou do poleiro/No pé do cavalo/Levou um coice/Criou um galo” (o que diriam os mais radicais? Um incentivo à violência e ao bullying entre crianças. Onde já se viu o pato surrar a galinha e bater no marreco?)

“Comeu um pedaço/De genipapo/Ficou engasgado/Com dor no papo/Caiu no poço/Quebrou a tigela/Tantas fez o moço/Que foi prá panela” (aqui apareceriam os radicais dizendo que não houve o amplo direito de defesa do pato, condenado à morte sem um julgamento justo e que a pena de morte, por si só, é um crime contra a humanidade).

E da letra da música “A casa”:

“Era uma casa/Muito engraçada/Não tinha teto/Não tinha nada/Ninguém podia/Entrar nela não/Porque na casa/Não tinha chão/Ninguém podia/Dormir na rede/Porque na casa/Não tinha parede/Ninguém podia/Fazer pipi/Porque pinico/Não tinha ali/Mas era feita/Com muito esmero/Na rua dos bobos/Número zero.” (nessa os radicais diriam que é uma música que fomenta a luta entre classes, pois a casa do pobre não tem nada e lá só moram os bobos).

E da música “A pulga”?

“Um, dois, três/Quatro, cinco, seis/Com mais um pulinho/Estou na perna do freguês/Um, dois, três/Quatro, cinco, seis/Com mais uma mordidinha/Coitadinho do freguês/Um, dois, três/Quatro, cinco, seis/Tô de barriguinha cheia/Tchau/Good bye/Auf Wiedersehen” (um completo desrespeito às normas de proteção ao consumidor, diriam os politicamente chatos).

São simples músicas, caros leitores. Simples na sua concepção, razão de sua genialidade. Vinícius e Toquinho fizeram essas músicas em homenagem a seus filhos e pensando, provavelmente, na pureza e simplicidade da infância. Sem preocupações outras. E há mais de trinta anos ouvimos essas músicas em diversas versões (até rock’n’roll).

Até onde sei ainda não implicaram com essas músicas. Talvez pela grandeza de seus autores. Mas já vi gente querendo mudar “Atirei o pau no gato”, “O cravo brigou com a rosa” e “Boi da cara preta”, alegando violência e racismo. Não quero dizer, repito, que não devamos prestar atenção aos desvios e muito menos que bullying não seja algo sério e a se combater. Mas sem exageros. Eu mesmo passei a usar óculos aos quatro anos de idade e fui chamado de “quatro olhos” boa parte da minha infância e adolescência. E não acredito que tenha ido mais ou menos longe por causa disso. Os tropeções ocorreram, no máximo, por causa da minha hipermetropia.

Abaixo as músicas:

O pato - do musical "A arca de Noé" exibido pela rede globo em 10 de outubro de 1980 (acima comentado). MPB4, com participação especial da menina Aretha, filha da cantora Vanusa.



A casa - do mesmo musical, com o grupo Boca Livre.



A pulga - também do especial "A Arca de Noé", com Bebel Gilberto:

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Gafes da semana passada.

A semana passada foi pródiga em eventos e acontecimentos para o Ponto de Vista de hoje. Os critérios adotados para a classificação, como não poderia deixar de ser, são totalmente pessoais, ou seja, meus.

Quarto lugar: a demora da saída do multiplicador de peixes Antônio Palocci do Ministério. Nada contra vinteplicar sua fortuna em quatro anos, mas a demora nas explicações (explicações?) e na demissão serviram apenas para tentativas de desestabilização do Governo e paralisação do que importa ser feito: política de alto nível e trabalho.

Terceiro lugar: o comentário do advogado de defesa de um dos suspeitos de assassinatos do estudante da USP. O acusado se apresentou à Polícia, disse que participou da tentativa de assalto e afirmou que foi seu comparsa quem deu o tiro fatal. Mas não deu o nome do sócio de crime. O que doeu foi a justificativa do advogado, em entrevista coletiva, para o silêncio do meliante: “Como em qualquer profissão, ladrão também tem sua ética”. De sair chorando com uma resposta desta. Desde quando ladroagem é profissão, caro causídico? No meu blog (www.bacafa.blogspot.com) tenho um ícone (na coluna do lado esquerdo) intitulado “juizite” que uso para absurdos saídos das penas dos magistrados. Pelo jeito vou ter ampliar o leque para outras profissões.

Segundo lugar: o impasse entre o Governo Estadual e os professores que gera um atraso absurdo no ano letivo dos alunos e, sem qualquer sombra de dúvida, um prejuízo no aprendizado, pois todos sabemos que o ritmo acelerado que será implementado em nada vai contribuir para a melhoria da educação.

Primeiríssimo lugar: o estratagema ardiloso (pareceu redundante? É para frisar mesmo) utilizado por alguns vereadores da casa legislativa de Jaraguá do Sul. Ao lançarem mão da lamentável apresentação de uma emenda reduzindo a proposta inicial de 19 para 15 vereadores em cima da hora, estes vereadores deram a nítida impressão de que tiveram medo de enfrentar a manifestação popular que estava se desenhando para aquela noite que seria, possivelmente, a do maior exemplo de democracia da cidade de Jaraguá do Sul. Digo e repito: respeito todas as opiniões sobre o assunto (enquanto não utilizarem argumentos falaciosos), mas esperar até o último instante para suspender a votação de tão sério assunto, frustrando a expectativa de toda a sociedade, é muito triste. Pergunto: por que não apresentaram tal emenda antes? Sem contar que não foi dos atos mais producentes prolongar uma discussão dessas quando a opinião pública já parece tão clara. Teve até uma vereadora que, bem ao estilo Fernando Henrique Cardoso, pediu para que esquecessem o que já tinha falado em entrevista sobre sua posição a respeito dessa matéria.

Por outro lado, ficam aqui meus parabéns aos demais vereadores que assumem verdadeiramente sua posição, seja defendendo a manutenção do número de vagas em 11, seja argumentando em favor do aumento para 19 (pois não se renderam ao artifício maroto para tentar “convencer o povo”), assim como para o presidente da Câmara de Vereadores (que tentou a concertação e manutenção da votação para a data prevista, tendo que ceder em obediência à legislação).

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Jovem sem ensino médio completo cursará medicina.

A acadêmica Isabel Tolentino garantiu na Justiça o direito a cursar medicina na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, mesmo sem ter concluído o ensino médio. Em 2010, ainda no segundo ano escolar, a jovem de 16 anos ficou entre os aprovados com a nota obtida no Exame Nacional de Ensino Médio (Enem).

Uma das exigências para a matrícula era o certificado de conclusão do ensino médio, cuja emissão foi negada pela Secretaria Estadual de Educação. O órgão alegou que Isabel não tinha idade mínima de 18 anos para obter a certificação por meio do Enem. A família da adolescente que mora em Campo Grande acionou em fevereiro o Tribunal de Justiça (TJ/MS), que concedeu liminar para que o documento fosse emitido.

Em maio, os desembargadores da 2ª Seção Cível mantiveram a decisão favorável à Isabel. A confirmação da vitória judicial veio no dia 2 de junho, quando a Procuradoria-Geral do Estado informou ao TJ/MS que não recorreria da sentença.

A jovem contou ao G1 que sempre teve as melhores notas da classe, resultado de muita dedicação aos estudos, foco nos objetivos e manutenção da calma. Tanto empenho não comprometeu a vida social, diz Isabel. "Eu saía nos fins de semana, ia ao cinema com os amigos. Mas nada de baladas, até porque nem tinha idade para isso".

O ingresso na tão sonhada faculdade demorou um pouco: ela foi a 72ª em uma lista inicial de 60 aprovados. A matrícula só foi possível na terceira chamada e através de um mandado de segurança. Assim que começou a frequentar as aulas de medicina, Isabel ganhou da turma um apelido: prodígio.

A diretora pedagógica do colégio onde a Isabel cursou o ensino médio, Anete Valéria Lima, apontou um diferencial que ajudou Isabel a ganhar projeção. "Já no primeiro ano do ensino médio ela começou a fazer cursinho preparatório. Enquanto os outros levavam dois, três anos para ver todos os conteúdos, ela se antecipava e ia treinando. Não adianta o aluno fazer cursinho no último ano achando que vai fazer um milagre na hora do Enem", afirma a diretora.

O desempenho da filha encheu mais ainda o pai Sílvio Tolentino de orgulho, que já estava acostumado às sucessivas notas 9 e 10 de Isabel no colégio. Mas teve um dia em que o pai estranhou os 8,5 obtidos em uma prova de medicina. "Era uma prova super difícil, foi uma das notas mais altas da turma", explica a estudante, que tempos depois gabaritou um exame.

Encerrada a pendência judicial, tanto o pai como a educadora avaliam que o sistema educacional brasileiro deveria incentivar os alunos a ingressar na faculdade, independentemente da idade que tenham ou da série que cursem. "Minha filha provou maturidade e competência. A idade não pode ser o critério definitivo para dizer se o aluno é capaz de fazer curso superior", diz Sílvio Tolentino.

A assessoria da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) informou, nesta terça-feira (7) que com a decisão do Tribunal de Justiça de MS não vai contestar a validade da matrícula.

Continue lendo no Portal Jornal Jurid.

terça-feira, 24 de maio de 2011

Desabafo.

Como colocar um ponto de vista sem radicalizar, por mais que o assunto seja importantíssimo.
Parabéns a essa professora que, apesar de falar de seu Estado, traz um retrato da Educação em boa parte do país.
Aqui em Santa Catarina, por exemplo, os professores já tiveram que apelar para a greve para tentarem ser ouvidos pelo governo.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Blog anti-bullying.

Bela a iniciativa da oitava série da escola Teresa Ramos, em Corupá, de criar um blog para discussões sobre problemas relacionados ao bullying.

Segue o endereço: http://www.teresabullying.blogspot.com/

domingo, 3 de abril de 2011

Religião na escola.

Texto de Hélio Schwartsman, publicado no Folha.com.

"O que são as histórias da Bíblia? Fábulas, contos de fadas?", pergunta a professora do 3º ano do ensino fundamental. "Não", respondem os alunos. "São reais!"

A cena, que teve lugar numa escola pública de Samambaia, cidade-satélite de Brasília, abre a reportagem de Angela Pinho sobre o ensino religioso no Brasil, publicada no último domingo na Folha. É um retrato perfeito da encrenca em que essa disciplina, que vem crescendo e hoje abarca mais ou menos a metade das escolas do país, nos lança.

Se as historietas bíblicas são reais, como quer a professora, então nós temos vários problemas. Procedamos por ramos do saber, a começar da física. De acordo, com Josué 10:12, Deus parou o Sol para que os israelitas pudessem massacrar os amorreus. Mesmo que eu não duvidasse da onipotência do Senhor, pelo que sabemos hoje de mecânica, nada na Terra sobreviveria a uma súbita interrupção de seu movimento de rotação. Em quem o aluno deve acreditar, no professor de religião ou no de ciência?

A física não o comoveu? Que tal a geologia? Pela Bíblia, a Terra tem cerca de 6.000 anos --5.771, a confiar nas contas dos rabinos. Pela geologia, são 4,5 bilhões. É difícil, para não dizer impossível, conciliar a literalidade das Escrituras com a existência de fósseis com idades substancialmente maiores que os seis milênios. Do lado de qual professor o aluno deve perfilar-se?

Talvez o problema esteja nas ciências "duras". Passemos às humanidades. A Bíblia, como todo mundo sabe ou deveria saber, é a fonte da moral, e os ensinamentos que ela traz nessa área são incontestáveis. Será? Em várias passagens, o "bom livro" autoriza ou mesmo manda fazer coisas que hoje consideraríamos horríveis, como vender nossas filhas como escravas (Êxodo 21:7) e assassinar parentes que abracem outras religiões (Deuteronômio 13:7). Se julgamos que a ética se aprende através de exemplos livrescos, sugiro trocar as Escrituras pelo mais benigno Marquês de Sade."

Continue lendo no Folha.com, clicando aqui.

sábado, 26 de março de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Férias, educação e Sabato.

Férias. Não posso reclamar das minhas últimas. Das férias em si, pelo menos. Esse ano o roteiro foi das praias aqui em Santa Catarina mesmo. De Piçarras a Laguna há diversos lugares paradisíacos. Nos lugares que pegamos congestionamento, já sabíamos deste risco. Não era novidade. Então, penso, quem reclama dos engarrafamentos nas praias já sabidamente sem estrutura viária, poderia fazer a opção de escolher outros lugares para descansar e aproveitar, sem perder tempo com o estresse. Não quero dizer, com isso, que devemos nos acomodar com as más administrações públicas. Nem, tampouco, que as vias principais de escoamento (como a BR 101, parte sul, e BR 280) devem ser esquecidas. Entretanto, em férias, ainda temos a possibilidade de optar.

Mas não é sobre isso que resolvi falar hoje. O assunto é a educação nas férias. Ou deseducação. E sobre como é fácil sermos corruptos, no sentido mais amplo da palavra. As situações mais corriqueiras demonstram o relaxamento ético pelo qual estamos, aparentemente, passando. Se por um lado temos mais consciência da importância do voto e da necessidade da cobrança de postura e trabalho dos eleitos, por outro nos acomodamos ou somos coniventes (por que não cúmplices?) com o mau comportamento alheio.

E o verão é fértil para estes arranjos. Nas praias: donos passeando com seus animais na areia onde, não raro, fazem suas necessidades; pais enterrando fraldas descartáveis recheadas na areia; filhos jogando embalagens de picolé no mar; jogadores praticando seu caquético futebol sem se importar com quem não quer tomar banho de areia ou levar bolada. Nas estradas: os campeões de audiência são a ultrapassagem pelo acostamento, as buzinadas que nada resolvem e os xingamentos gratuitos. Nos cinemas: furadores caras-de-pau de filas; comedores de boca aberta de salgadinhos fedidos; conversas ao telefone celular; piadas sem graça em alto tom sobre cenas do filme. Em todos os lugares: fumantes jogando sua fumaça para quem não quer cheirar e os restos de seus cigarros pelo chão, pela sacada ou pela janela do carro ou do apartamento.

Não tenho a menor sombra de dúvida que todos lembraram de alguma situação que presenciaram ou ouviram falar sobre a falta de educação alheia. Alguns, talvez, tenham se enxergado nos exemplos descritos.

Nessas horas lembro de Ernesto Sabato, um escritor argentino, já com experiência para dar e vender, quando diz, na sua obra A resistência, que “a vida dos homens centrava-se em valores espirituais hoje quase em desuso, como a dignidade, o desinteresse, o estoicismo do ser humano perante a adversidade. Esses grandes valores, como a honestidade, a honra, o apreço pelas coisas bem-feitas, o respeito pelo outro, nada disso era excepcional, mas coisas que se encontravam na maioria das pessoas. (...). Outro valor perdido é a vergonha. Vocês perceberam que as pessoas não têm mais vergonha, e que podemos encontrar qualquer sujeito acusado das piores corrupções misturado com gente de bem, com um largo sorriso no rosto, como se nada tivesse acontecido? Em outros tempos, sua família teria se enclausurado, mas agora tudo dá na mesma, e alguns programas de televisão até convidam o criminoso e o tratam como a um distinto senhor.”

Nem precisa ser um grande corrupto para não ter vergonha. Quem nunca se deparou com algum elemento que arrotou suas proezas por ter levado vantagem, seja por um suborno para não levar multa ou por um troco a mais que recebeu, percebeu e não devolveu?

E por que tudo isso? Por que essa irracionalidade quando a humanidade progride tanto em tantas áreas? Talvez o próprio Sabato nos dê uma idéia da resposta: “A televisão nos tantaliza, como que nos enfeitiça. Este efeito entre mágico e maléfico resulta, penso, do excesso de luz que nos toma com sua intensidade. Inevitável lembrar que ela produz o mesmo efeito nos insetos, e até nos grandes animais. Então não apenas é difícil afastar-se dela, como também perdemos a capacidade de olhar e ver o cotidiano”.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A (des)educação nos aeroportos.

Quando se está em um aeroporto, imagina-se que as pessoas que têm condições de pagar as passagens, à vista ou parceladamente, pouco importa, têm., também, discernimento de educação, de boa convivência, de respeito e de bom senso.

Mas falta de educação não tem classe, idade ou cor.

Primeiro episódio: voltando da SP, no aeroporto de Congonhas, esperando para entrarmos na fila do check-in, a Gabriela, nosso amigo Patrick e eu, aguardávamos a atendente da empresa explicar alguma coisa para uma senhora. Simplesmente, um cidadão (quer dizer, cidadão não, pois cidadania não teve) simplesmente passou por cima das bagagens da senhora, quase empurrando a funcionária, e nem querendo saber que estávamos na fila.

Segundo episódio: ainda no aeroporto de Congonhas, fomos comer alguma coisa e enquanto aguardávamos uma funcionária terminar de limpar um mesa recém desocupada, uma senhora, muito bem vista e com pinta de madame, fez que não nos viu e simplesmente sentou à mesa. Cara de pau do tamanho da corrente dourada que carregava no pescoço.

Em suma, como o final de semana foi muito bom, as festas com minha filha, os amigos Patrick e Elton, nosso anfitrião e cicerone, as amigas e amigos do Elton, a visita ao Museu do Futebol, ao Mercado Público, à Bienal do Livro e o retorno acompanhado por James Joyce, Pedro Juan Gutierrez, Joseph O'Neill, Guyau, Dimitri Dimoulis, Lon Fuller, Camus, entre outros, não me permitiram me estressar com esse tipo de gente. Voltei tranquilo e rindo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Ensino religioso nas escolas públicas é questionado em ADI.

"Com o objetivo de dar a interpretação conforme a Constituição Federal sobre o ensino religioso nas escolas públicas, a Procuradoria-Geral da República (PGR) propôs no Supremo Tribunal Federal a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4439, com pedido liminar. O ensino religioso está previsto no artigo 33, parágrafos 1º e 2º, da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD - Lei nº 9.394/96), e no artigo 11 do Anexo do Decreto nº 7.107/2010.

A procuradora-geral em exercício, Deborah Duprat, argumenta na ADI que a Constituição Federal (CF) estabelece o princípio de laicidade do Estado e a previsão de oferta de ensino religioso, de matrícula facultativa, pelas escolas públicas de ensino fundamental, no horário normal de aula. Desse modo, ela afirma que “em face da unicidade da Constituição, não é viável a adoção de uma perspectiva que, em nome da laicidade do Estado, negue qualquer possibilidade de ensino de religião nas escolas públicas”.

Pela relevância, complexidade e natureza interdisciplinar do tema, a procuradora-geral requer, de acordo com o artigo 9º, parágrafo 1º da Lei nº 9.868/99, a realização de audiência pública no Supremo.

A tese defendida pela PGR é a de que a compatibilização do ensino religioso nas escolas públicos e o estado laico corresponde à oferta de um conteúdo programático em que ocorra a exposição das doutrinas, das práticas, da história e de dimensões sociais das diferentes religiões, incluindo as posições não religiosas, “sem qualquer tomada de partido por parte dos educadores”."

Continue lendo na página da OAB/SC clicando aqui.

Sempre defendi a tese que religião não se aprende na escola, em especial nas públicas. No máximo, como pretende a procuradora, a história e os reflexos das diversas correntes religiosas existentes. Claro, faço ressalva às escolas particulares religiosas, onde passa a ser uma opção dos próprios pais, que conhecem o programa educacional.

Já acho errado, inclusive, nossa Constituição Federal ter em seu preâmbulo a expressão "sob a proteção de Deus". Estado e Igreja foram separados, nos países democráticos, há muito tempo. E somos um Estado laico.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Novas regras para faixa de pedestres.

Apontado como exemplo de cidadania e educação, o respeito que em geral os brasilienses têm em relação à faixa de pedestres pode ganhar apoio normativo para se difundir em todo o país. Projeto (PLC 26/10) em análise na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ), originário da Câmara dos Deputados, sugere alterações no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503, de 1997) para regulamentar gesto com o braço a ser feito pelo pedestre com o objetivo de solicitar a parada dos veículos até que ele possa concluir com segurança a travessia no trecho sinalizado.

A idéia é fazer valer o braço estendido à frente do corpo como sinal para que os veículos parem e dêem passagem a quem está a pé, reconhecidamente mais frágil. O gesto passou a ser gradativamente acolhido pelos motoristas brasilenses há 13 anos. O ponto de partida foi a campanha Paz no Trânsito, puxada pela mídia como reação aos elevados índices de mortes no trânsito na cidade. Comandado na época (1995-1998) pelo hoje senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o governo distrital acabou adotando várias medidas, inclusive campanha massiva para estimular o respeito à faixa do pedestre.

Pelo texto atual do Código de Trânsito, para cruzar pistas de trânsito de veículos, o pedestre sempre deverá utilizar as faixas ou passagens a ele destinadas quando essas existirem numa distância de até 50 metros dele. Além disso, conforme a regra, o pedestre tomará precauções de segurança que incluem levar em conta, em especial, a visibilidade, distância e velocidade dos veículos. Na prática, o projeto apresentado à Câmara pela deputada Perpétua Almeida (PCdoB-AC) insere o gesto com o braço entre as medidas antes da travessia, como pedido de parada.

Mas o braço estendido só deve prevalecer como sinal de preferência para o pedestre nas faixas sem semáforo ou na ausência de agente de trânsito para controlar a travessia. É o que prevê outro dispositivo do texto, que poderá receber emendas até o fim dos trabalhos do Senado nesta quinta-feira (22). Ainda pelo texto, para que não se prejudique a fluidez do trânsito em vias de grande fluxo, a solicitação de parada dos veículos deve ser preferencialmente feita quando se formar um grande número de pedestres interessados na travessia.

Continue lendo no Portal do Senado.