Bacafá

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domingo, 15 de agosto de 2010

Another Brick In The Wall (Hey Ayatollah, Leave Those Kids Alone!).

Matéria sugerida pelo advogado Edemar Utpadel, que deu na Folha de São Paulo.

"MARCOS FLAMÍNIO PERES
DE SÃO PAULO

1979. No Reino Unido, vinha à luz "The Wall", o álbum conceitual do Pink Floyd que se tornaria um dos ícones da história do rock.
No Irã, a Revolução Islâmica comandada pelos mulás e aiatolás punha abaixo o governo secular e sangrento do xá Reza Pahlevi. "Another Brick in the Wall", o megahit de protesto do vinil da banda inglesa, rapidamente se transforma em referência para a juventude que saía às ruas da capital, Teerã.

2010. Dois irmãos iranianos cuja família se exilou no Canadá durante a revolução de 1979 recriam o clássico de Pink Floyd para atacar a opressão contra a mulher na sociedade de seu país.
Vitaminado pela polêmica em torno de Sakineh -que pode ser apedrejada até a morte por supostamente trair e assassinar o marido-, o vídeo do Blurred Vision (visão embaçada) rapidamente se torna sucesso no YouTube.

Às 12h07 de ontem, "Hey, Ayatollah, Leave Those Kids Alone!" (ei, aiatolá, deixe essas crianças em paz) -cruzamento bombástico entre o autoritarismo das salas de aulas britânicas do pós-guerra com a opressão do regime iraniano atual- já contava com 257.426 acessos.
Misturando ficção e cenas de violência contra manifestantes capturadas na internet, ele retrata uma jovem em fuga da perseguição de líderes religiosos.
Com um iPhone nas mãos, tenta passar desesperadamente, em tempo real, mensagens e imagens da opressão em seu país.

"A tecnologia é crucial para combater os regimes autoritários", diz Sepp, um dos membros do grupo. "O que nos motivou a realizar o projeto foram as cenas na web de mulheres sendo agredidas na cabeça ou torturadas", diz. "A ideia era captar a essência do que ocorre nas ruas do Irã e tornar o vídeo mais impactante", conclui.

Criador da versão original, Roger Waters, 66, se entusiasmou com o projeto desde o início. "Nosso herói", como Sepp define o baixista e vocalista do Pink Floyd, "nos levou a outro grau de determinação para tocar o projeto".

O CENTRO DA QUESTÃO

Com os parcos recursos da Universidade de Toronto, onde moram, foram atrás do premiado diretor Babak Payami, cuja carreira aborda os direitos da mulher.

O cineasta diz ter se inspirado abertamente no filme "The Wall", de 1982, dirigido por Alan Parker.
"Mas, para mim, o grande desafio era trabalhar com a versão do Blurred Vision sem repetir visualmente ou copiar o que já estava feito [por Parker]", diz Payami.

Na comparação dos dois vídeos, é evidente o paralelo entre as crianças humilhadas nas salas de aula (Pink Floyd) e as mulheres atacadas (Blurred Vision). As mulheres, afirma Payami, "estão no centro do conflito nas sociedade religiosas repressivas, especialmente no contexto da repressão monoteísta".
Mas a música pode transformar balas em flores? Sepp abranda o tom messiânico e pondera: ""Pode ser. Mas o mais importantes é que ela pode nos revelar que coisas assim estão acontecendo no Irã -não só com Sakineh, mas com outros presos"."

O vídeo:

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Quitação eleitoral.

Você ainda guarda aquelas tirinhas de papel ridículas para comprovar que votou nas últimas eleições? Afinal de contas sem essa comprovação não dá para tirar Passaporte, CTPS, etc. não é mesmo?

Pois pode jogar todas as suas tirinhas no lixo! Seus problemas acabaram!!!

Basta apresentar a Certidão de Quitação Eleitoral que não custa um centavo sequer e que você mesmo imprime em casa.

É só acessar o site abaixo e preencher com os dados que você encontra no seu Título de Eleitor:

http://www.tse.gov.br/internet/servicos_eleitor/quitacao_blank.htm

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Vara Criminal transmite audiências ao vivo e juiz usa Twitter

Nos idos do final do século a 1ª Vara Criminal de Campinas (SP) foi pioneira a colocar em prática a Lei 9.800/99, que permite a entrega de petições por meios de transmissão de dados, como fax e e-mail. O juiz Edison Aparecido Brandão baixou portaria regulamentando o uso dos equipamentos.

A 2ª Vara Cível de Mogi das Cruzes (SP), presidida pelo juiz Marcos de Lima Porta, também foi uma das pioneiras a receber petições pela internet.

Já o juiz Luiz Augusto Barrichello Neto, titular da 2ª Vara Criminal de Limeira (SP), resolveu ser bem mais rápido que o seu parente automobilista e está transmitindo audiências ao vivo via site e utilizando o Twitter. Criou uma espécie de “TV Justiça Limeira”.

Neste momento no modo “offline”, o aplicativo no site mostra trechos de audiências já ocorridas. Uma delas, inclusive, trata da venda de cds piratas.

Em que pese o grau de inovação e o Princípio da Publicidade, o potencial de polêmica é grande, especialmente por se tratarem de audiências criminais.

Cabe uma observação: o domínio “limeira2cr.com” não seria o mais indicado para utilização por um ente do Poder Judiciário brasileiro. Na falta ou impossibilidade de se fazer uso de um “jus.br” ou de qualquer outro “.br”, até mesmo o global “.info” se mostraria mais adequado que o “.com”.

Atualização: @Limeira2cr: “Existindo algum risco para as vítimas, suprimimos a imagem ou deixamos de transmitir. Já fizemos isso. Nossos procedimentos cumprem a Constituição Federal que exige a publicidade dos atos processuais art. 93, IX. Os casos de crimes sexuais, por exemplo, e os com segredo de justiça decretado não são transmitidos.”

Confira no site: http://limeira2cr.com/


quarta-feira, 29 de julho de 2009

Bilhar autoesporte.

Vai uma sinuca aí?
Uma mesa dessas lá em casa ia bem.

Aros cromados, pneus perfil baixo, muito couro e feltro preto. Isso é uma verdadeira mesa estilosa.
Sugestão de pauta do meu irmão Alexandre.
Visto primeiro no blog Bem legaus!
Para ver no original e mais fotos, clique aqui.

sábado, 18 de julho de 2009

Rubem Fonseca.

Mais alguns trechos, conforme prometido, do livro A grande arte, de Rubem Fonseca:

"Man created death" é a frase que mais aparece. Essa frase me fez pensar muito. O homem criou a morte. Porque sabe que a morte existe, o homem criou a arte, um pensamento nietzschiano. O nome do pensador alemão também aparece na balbúrdia de anotações. "Birth, copulation and death" é a segunda frase que mais aparece, e esta, como a outra, também me fez refletir demoradamente. Nascimento, cópula e morte. Afinal, isso talvez fosse, também, a história da minha vida. De todas as dívidas.

O negrito é por minha conta, mesmo. Será a arte uma forma de escapar da morte. De imortalizar a nossa vida?

O livro é de 1983, mas em certos momentos parece assustadoramente atual. Assustadoramente porque fica-se com a impressão que as coisas pioraram. No trecho a seguir, o narrador está falando de um soldado da PM que foi expulso da corporação por homicídio, chefe de um grupo de "proteção a comerciantes", e de um membro dessa gangue.

Eronides orgulhava-se de nunca ter matado um inocente. "A gente tem de ter certeza de que o cara é mesmo um assaltante peçonhento. Só então a gente vai lá e justiça ele." Mateus participou, com o grupo, da morte de quarenta e oito "vagabundos e bandidos".

Quem é o bandido mesmo? Este é o verdadeiro Estado total: investiga, acusa, julga e executa. Tudo junto. E sem apelação. Qualquer semelhança com a atual realidade deve ser pura coincidência com a ficção...

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Escolas podem salvar Mata Atlântica.

"O tema “meio ambiente” é bastante amplo e geralmente são negligenciados os problemas ambientais mais relevantes para a humanidade, onde o Brasil está no foco, como a questão do desmatamento que causa perda da biodiversidade, dos recursos hídricos, agravamento do aquecimento global etc.

Ninguém gosta de estimular as escolas a lidarem com estes temas porque batem de frente com os interesses econômicos, do lucro imediato de agentes locais. Então, dentro da temática ambiental o assunto preferido das escolas é trabalhar com reciclagem de lixo. Porém, a maioria sequer aborda corretamente este tema e simplesmente usam os alunos para catarem os recicláveis para levantamento de fundos, competindo com os catadores que tiram seu sustento da atividade.

A conseqüência disso é que estamos perdendo a Floresta Amazônica e o que resta da Mata Atlântica e a sociedade brasileira parece que não se importa muito. Aceita passivamente o desmonte da legislação ambiental, as investidas contra a Floresta Amazônica e o que resta da Mata Atlântica.

Quero mostrar um exemplo de como poderemos mudar esta realidade e salvar a Mata Atlântica e o futuro do nosso País.

A secretaria de educação do município de São João do Itaperiú (SC), que fica na região litorânea, com muitas áreas preservadas, convidou a equipe do Instituto Rã-bugio para trabalhar com as escolas do município.

Observe como dá resultados este trabalho que realizamos em parceria com as escolas. Acabamos de receber o projeto completo de Wilmar Delmonego, Professor de Ciências e Biologia da Escola de Educação Básica “Professora Elvira Faria Passos” do município de São João de Itaperiú (SC)."

Continue lendo no interessante blog Rã-bugio.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Karen Souza - Jazz

Apesar dessa música ter estourado com a banda Culture Club, eu gostava da versão do Pixies.
Agora ouvi outra versão, mais jazzística, digamos, que também ficou bem interessante. Na voz de Karen Souza, Do you really want to hurt me:

terça-feira, 9 de junho de 2009

Desafios do Judiciário.

Deu na página da OAB/SC:

O Judiciário de São Paulo tem em suas mãos um desafio: decidir se duas crianças podem ser registradas como filhas de duas mulheres homossexuais, que vivem juntas e pretendem criá-las em família. O mesmo desafio foi colocado nas mãos de um juiz de Porto Alegre, que tomou a primeira decisão conhecida no país no sentido de reconhecer o novo modelo de família e permitir que o nome de duas mulheres constassem na certidão de nascimento como genitoras da criança.

Quem cuida do drama da família em São Paulo é a advogada Maria Berenice Dias, ex-desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e conhecida por inovar ao reconhecer novos modelos de família. Na quinta-feira (4/6), ela ajuizou uma ação declaratória de filiação no Fórum Regional de Santo Amaro (SP) para que as duas mulheres registrem os filhos gêmeos com o nome de ambas: duas mães na certidão de nascimento e nenhum pai. O mesmo pedido foi feito no mês de abril, quando as crianças nasceram, mas a liminar foi negada. Por enquanto, no registro das crianças, só consta o nome da mãe biológica.


As duas crianças e as duas mulheres são personagens de uma rara história de amor. As crianças têm, de fato, duas mães: uma biológica e a outra de gestação. Os óvulos fecundados de uma das mulheres com espermatozóide de doador não conhecido foram inseridos no útero da outra.

“Impedir o estabelecimento de vínculo jurídico, negando a outra mãe o direito de figurar no registro, significa suprimir indevidamente a possibilidade de exercer encargos e direitos inerentes ao poder familiar, com evidente prejuízo aos filhos”, argumenta Maria Berenice.

Em dezembro do ano passado, o juiz Cairo Roberto Rodrigues Madruga, da 8ª Vara de Família e Sucessões de Porto Alegre, reconheceu a união estável homoafetiva de duas professoras que viviam juntas há cerca de 10 anos. O juiz também permitiu que constassem o nome das duas no registro de nascimento de um menino e uma menina, também concebidos por inseminação artificial.

Ao analisar o pedido, o juiz destacou que não se pode esquecer que as relações afetivas entre pessoas do mesmo sexo são fatos sociais que geram efeitos jurídicos não só de ordem patrimonial, mas também de ordem pessoal, “razão pela qual o reconhecimento da existência de mera sociedade de fato, cujos efeitos se resumiriam às questões materiais, como partilha dos bens amealhados pelo esforço comum, seria uma solução reducionista”, registrou o juiz na ocasião.

Ele também destacou que, independentemente do nome que se dá a esse tipo de relacionamento, a realidade é que inúmeras pessoas, por motivos ainda não suficientemente esclarecidos pela ciência, sentem atração sexual por pessoas do mesmo sexo. Movidas por esse sentimento muitas vezes acabam criando laços afetivos e formando uma verdadeira entidade familiar, pautada pela intenção de construir uma vida em comum, com os mesmos atributos de continuidade, assistência mútua e fidelidade de que se reveste a união estável.

O juiz Cairo Madruga destacou ainda que, “se é admissível a adoção de pessoas com essa orientação sexual, não vejo motivos para que não se admita no presente caso o reconhecimento da maternidade/filiação sociafetiva ou sociológica, com a consequente alteração registral pretendida, independentemente do cumprimento das formalidades da adoção, cujo demorado procedimento certamente levaria o mesmo resultado”.

Para a advogada Sylvia Maria Mendonça do Amaral, especialista em direito de família e sucessões, não importa se as crianças foram concebidas por inseminação artificial. O importante é que a Justiça brasileira vem abrindo precedente para que casais homossexuais não fiquem juridicamente desguarnecidos. “Contamos com decisão nesse sentido para uma Justiça mais justa, célere e de todos. Decisões assim é que farão com que o legislativo se mova”, ressalta Sylvia.

Também especialista em Direito de Família, o advogado Luiz Kignel ressalta que ainda não há legislação que efetivamente autorize esta inserção no registro civil de crianças, mas que o Judiciário brasileiro caminha nesse sentido. O advogado acredita que logo a situação estará regulamentada.
(...)

“É importante ressaltar que em Direito de Família a lei não 'inventa' situações, mas regulamenta o que a sociedade passa a aceitar. A lei não inventou a união estável, mas regulamentou o que a sociedade passou a achar legítimo e que no passado era considerado imoral. Trilhamos para o mesmo caminho nas relações homoafetivas. O que era imoral passa a ser aceitável. Como nossos legisladores são lerdos para legislar, os tribunais abrem caminho para garantir o direito de igualdade entre os cidadãos.”

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É fato que vivemos numa sociedade hipócrita e conservadora. E é imperioso que o Poder Judiciário não feche os olhos às questões sociais que demandam respostas.

Em discussão com um colega na cadeira de Direito de Família, nos tempos da Especialização, o qual era radicalmente contra qualquer tipo de união homossexual (modernamente camada de homoafetiva) ou sua proteção legal, eu disse que entendia a sua formação religiosa ou recebida em casa (embora não entenda até hoje certos radicalismos e preconceitos), mas que ele deveria fazer um paralelo com os casamentos interraciais no início (ou nem tão no início assim) do século passado. Era praticamente um escândalo.

Apesar de alguns ainda não acreditarem, negros, brancos, amarelos ou vermelhos são todos iguais, humanos. Da mesma forma, acredito, vamos evoluir a ponto de não discriminarmos as opções sexuais alheias. E, se existem, talvez nossa próxima discriminação seja entre casais de sistemas estelares diferentes...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Consultórios devem pagar por TV ligada na recepção

Mas o títulos também poderia ser: A voracidade do ECAD.

Deu no CONJUR.

"Consultórios médicos são locais de circulação de pessoas e, por isso, devem pagar direitos autorais sobre a transmissão de obras audiovisuais. O entendimento é do Juízo Especial de Angra dos Reis, que aceitou o argumento do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) em ação movida por Paulo Carlos de Saboia Bandeira de Mello Neto. Ele é proprietário de uma clínica e queria ter de volta os valores já pagos ao Ecad.

A entidade cobrou pelas composições musicais veiculadas em seu consultório médico por meio dos programas exibidos na televisão da recepção. Além do reembolso, o dono da clínica pediu o cancelamento das cobranças mensais e o pagamento de indenização por danos morais pelo Ecad.

Para o juiz, o Ecad seguiu a Lei 9.610/98 (dos Direitos Autorais). Ele entende que a instituição é reconhecida pela Justiça para efetuar a cobrança. "Em se transmitindo uma telenovela, um programa de televisão ou um filme, também se transmitem, necessariamente, as composições musicais que integram a obra audiovisual. Tratando estes estabelecimentos comerciais de local de circulação, no qual a transmissão se dá de maneira indistinta para a totalidade do público presente, temos uma hipótese de execução pública de fonogramas", afirmou.


O autor da ação alegou que seu consultório era restrito aos pacientes que marcavam horário, não sendo aberto ao público em geral. Para o juiz, uma clínica não recebe poucas pessoas e ainda se enquadra na caracterização de lucro indireto por atrair clientes com o diferencial oferecido na recepção. "Ainda que se considere que o autor não aufere lucro em sua atividade liberal, fato é que o televisor ligado na sala de espera, constitui atrativo para a sua clientela, o que certamente guarda repercussão econômica, o que poderia ser considerado analogicamente como lucro indireto", ressaltou."

Clique aqui para ler a decisão.

Quem me conhece sabe o quanto defendo a questão dos direitos autorais. Mas me parece um certo exagero querer cobrar do profissional liberal ou do profissional autônomo pelas composições artísticas veiculadas na sala de espera através de uma TV ou de um radinho de pilha. É certo que não será a programação, muitas vezes inútil, da TV ou do rádio que irá fazer o paciente ou o cliente escolher seu cardiologista ou seu encanador. Quem dera os profissionais liberais e autônomos em geral comprassem meus livros e permitissem que seus pacientes ou clientes lessem alguns capítulos nas salas de espera.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Saya, a professora-robô.

A professora robô japonesa faz a chamada, sorri e dá bronca nas crianças, causando risadas entre os alunos por conta de seu rosto estranhamente realista. Mas o criador do aparelho diz que seu objetivo não é substituir os professores humanos.

Ao contrário dos robôs de aparência mais mecânica como o Asimo, criado pela Honda, a professora robô, que atende pelo nome de Saya, é capaz de expressar seis emoções básicas - surpresa, medo, repugância, raiva, felicidade e tristeza - porque sua pele de borracha é movimentada por meio de motores e de cabos conectados aos olhos e à boca, pelo lado interno.

Em uma demonstração, a robô ficou boquiaberta, com os olhos arregalados e as sobrancelhas arqueadas, expressando surpresa. Saya moveu os lábios para produzir um sorriso, e utilizou frases simples e pré-programadas como "muito obrigado", enquanto seus lábios se moviam em uma expressão de satisfação.

"Os robôs que parecem humanos tendem a ser grande sucesso com as crianças pequenas e as pessoas mais velhas", disse Hiroshi Kobayashi, professor de ciências da Universidade de Tóquio e responsável pelo desenvolvimento de Saya, à Associated Press, na quarta-feira. "As crianças chegam a chorar quando levam bronca da professora-robô".

Continue lendo no Terra.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ortopé, ortopé, tão bonitinho...

Quem tem mais de 30 lembra desse jingle e dos anúncios publicitários da Ortopé.
O tempo passou e a imagem foi trabalhada. O vídeo abaixo é baseado na nostalgia de ser criança. No fundo, nos traz boas lembranças, ou, pelo menos, as lembranças boas.

Vi pela primeira vez no Criança & Mídia, blog interessante que recomendo. Vale a pena e o tempo.

sábado, 4 de abril de 2009

Juízes e suas sentenças.

Alguns magistrados definitivamente não têm nenhum respeito pelo trabalho dos advogados. A impressão que passam, através de suas sentenças, é que ou são causídicos frustrados ou são juízes inconformados com o sucesso alheio.

A advocacia é, sem dúvida, uma das profissões mais bonitas que existem (sou suspeito, eis que a coloco em primeiro lugar ante tudo que a envolve). Entretanto, quando se depara com certas decisões dá um verdadeiro desânimo. Menos mau que os tribunais, na maioria das vezes que isso acontece, não fecha seus olhos.

Estou falando, hoje, especificamente daquelas decisões onde os sentenciantes, apesar do trabalho e dos valores envolvidos, determinam honorários ridículos e irrisórios. Vejam a notícia:

"A quantia fixada pelas instâncias ordinárias a título de honorários advocatícios somente pode ser alterada se demonstrado o exagero ou quando fixada de forma irrisória, sob pena de incidência da Súmula 7 do STJ. Com essa observação, a Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, aumentou de R$ 500,00 para R$ 100 mil os honorários que devem ser pagos a advogados do Rio de Janeiro num processo da Companhia Fluminense de Habitação (Cofluhab) contra a Caixa Econômica Federal (CEF), cujo valor da causa era de aproximadamente R$ 5 milhões em 1999.

"Havendo dúvida sobre a liquidez da dívida e impedido o juiz de aferir o quantum a ser executado, há que ser reconhecida a nulidade da execução”, afirmou o TRF. Determinou, ainda, o pagamento de honorários no valor de R$ 500 aos advogados da companhia. Ambas as partes interpuseram embargos de declaração, mas foram rejeitados. Posteriormente, a companhia entrou novamente com embargos, mas foram rejeitados.


No recurso para o STJ, a Confluhab alegou violação dos artigos 20, parágrafos 3º e 4º, e 535 do Código de Processo Civil, além de apontar a existência de dissídio jurisprudencial. O recurso foi provido. “Nas causas em que não há condenação, os honorários advocatícios devem ser fixados com base nos parâmetros do artigo 20, parágrafo 4º, do Código de Processo Civil, consoante apreciação equitativa do Juiz”, observou a relatora do caso, ministra Nancy Andrighi.

Segundo destacou a relatora, nos casos de apreciação equitativa dos honorários, o julgador deve basear-se nos seguintes parâmetros: a) o grau de zelo do profissional; b) o lugar de prestação do serviço; c) a natureza e importância da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço; não ficando restrito aos limites percentuais mínimo e máximo previstos para os casos em que há condenação.

Ao dar provimento ao recurso, a ministra afirmou que a decisão do tribunal carioca limitou-se a transcrever o disposto no parágrafo 4º do artigo 20 do CPC, sem, todavia, esmiuçar as razões que o levaram a estabelecer em R$ 500,00 o valor da verba honorária, nem um pouco razoável, pois não reflete a importância da causa nem se mostra compatível com a responsabilidade que recaiu sobre os patronos da recorrente. “Constata-se que os advogados da recorrente têm atuado há aproximadamente 10 anos com zelo e diligência, período durante o qual opuseram os imprescindíveis embargos do devedor e interpuseram, oportunamente, os recursos cabíveis”, asseverou.

A ministra destacou que o provimento de um destes, o apelo, acarretou a reforma da sentença que havia julgado improcedente o pedido formulado nos embargos à execução e terminou por extinguir a execução de um título de aproximadamente R$ 5 milhões (valores de 1999).”Em que pese o êxito dos embargos ter sido obtido mediante a alegação de que os cálculos apresentados pela recorrida eram confusos e não demonstravam com exatidão o valor da dívida, não representando, portanto, uma solução definitiva sobre a inexistência de um crédito que porventura possa ser exigido por outra via, é inarredável a conclusão de que, se não fosse o trabalho desempenhado pelos advogados, a recorrente teria sido constrangida a pagar o valor pleiteado pela recorrida”, concluiu Nancy Andrighi."

Fonte: STJ. Notícia remetida pelo advogado Edemar Utpadel.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Um trilhão de dólares.

Recebi através de e-mail do amigo Adriano Skovronski:
O que lhe parece 1 trilhão de dólares? Toda essa conversa de "pacote de estímulos" e "salvamentos financeiros..."1 bilhão de dólares...100 bilhões de dólares...800 bilhões de dólares...1 TRILHÃO de dólares...O que isso significa?

Bem, vamos começar com uma nota de $100 dólares. Atualmente, é a maior nota em circulação nos E.U.A. Muitas pessoas já viram uma delas, poucos possuem uma no bolso, e é garantia de fazer amigos onde quer que se vá.



Um pacote de cem notas de $ 100 dólares é inferior a 1/2 polegada de espessura e contém $ 10.000 dólares. Encaixa facilmente no seu bolso e é mais do que suficiente para uma semana ou duas de diversão da melhor (ou pior) espécie.

Acredite ou não, esta pequena pilha abaixo é de US$ 1 milhão de dólares (100 pacotes de $ 10.000). Você poderia colocar esta quantia em um saco de papel de supermercado e passear por aí com ele facilmente.


Enquanto que a merreca de $ 1 milhão parece bem inexpressiva, $ 100 milhões é um pouco mais respeitável. Ele se encaixa perfeitamente em um palete de madeira padrão, veja:

E $ 1 bilhão de dólares... agora parece que estamos chegando a algum lugar...

Em seguida, vamos olhar para um trilhão de dólares. Este número é o que temos ouvido nos últimos meses nas notícias do mercado financeiro e sobre a crise mundial. O que é um trilhão de dólares? Trata-se de um milhar de milhões. É o número 1 seguido por 12 zeros. Está pronto para isto? É bastante surpreendente.
Senhoras e senhores ... Eu lhes apresento o tamanho de $ 1 trilhão de dólares ...
(E repare que os paletes são pilhas duplas)

Portanto, da próxima vez que você ouvir alguém falar por aí de "trilhões de dólares" ... é disso que eles estão falando.

Meu comentário: não diziam por aí, antes da tal crise mundial, que com alguns milhões de dólares conseguiriam frear a fome mundial? Parecia tão mais simples do que mexer com tantos paletes duplos de dinheiro!!

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Fidelity.

Existe, hoje nos EUA, em especial no Estado da Califórnia, uma campanha a favor da união homossexual, ou melhor, contra o preconceito.

Foi votada uma alteração na Constituição daquele Estado que determinou que "somente o casamento entre um homem e uma mulher é válido ou reconhecido na Califórnia". Essa inclusão anula os casamentos de homossexuais que tinham se realizado até então, impedindo-os dali em diante. Mais uma vitória do conservadorismo burro e inútil.

Ocorre que agora no dia 05 de março acontecerá uma audiência na Suprema Corte da Califórnia para que os representantes dos movimentos que estão tentando acabar com essa lei apresentem seus argumentos e solicitem que a questão entre, novamente, em votação. Se a proposição for confirmada aproximadamente 18 mil casais serão "divorciados".

Casais e familias reais mandaram suas fotos com o pedido “não nos separe” para o vídeo abaixo. Um vídeo emocionante, diga-se.

Mais informações aqui.



Afinal, somos todos iguais. Ou não?

Obrigado pela dica, Carina (direto da Alemanha).

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Jaraguá do Sul ganha mais um prêmio.

Ou deveria ganhar.
Além da cidade do futsal, da Schützenfest, do alto IDH, agora Jaraguá do Sul pode ser conhecida como a de cidade campeã de buracos em vias públicas.
Buracos para todos os gostos.
Buracos grandes e buracos pequenos. E enormes também (mas estes entram na classificação de crateras).
Buracos estreitos e buracos largos.
Buracos rasos e buracos fundos (que cabem um adulto dentro e, às vezes, mais de um).
Buracos nas vias de asfalto, nas vias de paralelepípedo e nas vias de barro.
Buracos novos (todo dia tem um) e buracos antigos (de muitos meses).
Buracos que quebram carros, buracos que quebram bicicletas, buracos que quebram pernas (ou braços ou narizes ou costelas ou tudo junto...).
Buracos, buracos, buracos e mais buracos.
Sai gestão, entra gestão e continuam os buracos...

(Aceito fotos dos buracos das ruas da cidade para publicar aqui. Daqui a pouco seremos conhecidos como Buracolândia).

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Brasil: lixão hi-tech.

"Em 2006, o Brasil foi parte do lixão high-tech da Califórnia. De acordo com dados obtidos pela Folha no DTSC (sigla em inglês para Departamento de Controle de Substâncias Tóxicas da Califórnia), 1.190 toneladas de lixo eletrônico foram enviadas do Estado norte-americano ao Brasil naquele ano.

Os dados indicam que o Brasil pode ter ignorado a Convenção da Basileia, um tratado internacional do qual o país faz parte e que tenta combater o trânsito internacional de resíduos perigosos dos países desenvolvidos para nações em desenvolvimento.

O lixo eletrônico --televisores, computadores, celulares e outros aparelhos eletrônicos descartados para o uso-- é considerado perigoso, pois possui em sua composição substâncias tóxicas como mercúrio e chumbo.

Televisores e monitores de computador, por exemplo, possuem de 20% a 25% de chumbo em sua composição."



Fonte: Jornal Folha de São Paulo: http://www1.folha.uol.com.br/folha/informatica/ult124u500301.shtml

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Fotografe um cinema antes que vire uma igreja.

Campanha interessante lançada pelo blog Moviola e que tomei conhecimento pelo blog Roliude (de Glauber Rocha a Indiana Jones). Para conhecer e participar clique aqui.

Para ir direto ao blog Roliude, mais um dos que vale a pena e o tempo, acesse diretamente no http://www.roliude.wordpress.com/

Notícias do mundo cinematográfico, dos nacionais aos enlatados americanos.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Lei de Zeca Pagodinho x Lei de Gérson

Há alguns anos, alguns bons anos, não lembro exatamente quanto, Gérson, o canhotinha de ouro da seleção tri-campeã de futebol, foi o protagonista de um anúncio publicitário dos cigarros Vila Rica.

Nesse anúncio, como vocês podem conferir abaixo, o ex-jogador, fumando um Vila Rica, ensinava que o importante era levar vantagem em tudo. “Gosto de levar vantagem em tudo. Leve você também”. Claro, a conotação não era bem essa que acabou assumindo no dito popular...

Daí, entretanto, para o brasileiro aproveitar o jargão e querer, literalmente, levar vantagem em tudo, foi um passo. E isso ficou conhecido como a Lei de Gérson: o importante é levar vantagem. Não interessava se estamos nos furtando de nossas responsabilidades, se estávamos enganando ou prejudicando alguém, se era contra a lei. Nada mais importava, afinal, a questão era levar vantagem em tudo.

Muito tempo depois assisti a uma entrevista do craque e ele falou que se arrepende de poucas coisas na vida. Uma delas a de estrelar este comercial. Falou que foi ingênuo e que jamais pensou que pudesse repercutir tão forte e negativamente.

Pois bem. De lá pra cá muita coisa mudou. Óbvio, não por culpa do Gérson, mas por culpa da natureza humana, da impunidade e, em minha opinião, da frouxidão na educação das crianças. Não só os diversos problemas na educação escolar, dos quais já estamos cansados de ouvir falar e de ver que nossas autoridades nada fazem. Mas, principalmente, pela falta de educação do dia a dia, de palavras como bom dia, obrigado, por favor; de respeito aos mais velhos; de respeito às regras mais simples.

E nessa sucessão de mudanças não muito agradáveis, foi promulgada uma nova lei: a Lei de Zeca Pagodinho. Mais grave e contundente que a Lei de Gérson.

Por essa lei, não importa o que se falou ou o que se contratou: se alguém aparecer com algo melhor, engole-se o que foi dito ou rasga-se o contrato e pula-se para o outro barco.

Pelo menos foi isso que transpareceu com o episódio dos anúncios publicitários da Nova Schin e da Brahma tendo como garoto propaganda o Sr. Jesse Gomes da Silva Filho, conhecido artisticamente como Zeca Pagodinho.

Assim, o que se vê é um upgrade da Lei de Gérson. A Lei de Zeca Pagodinho é para quem não tem vergonha na cara e quebra qualquer contrato, como se fosse a coisa mais natural do mundo. E depois ainda tripudia do outro contratante ao fazer propaganda ridicularizando-o. Cousas de quem não tem educação. Não aquela dos bancos escolares; a outra.

Entretanto, para redimir um pouquinho a população séria, absoluta maioria, em uma ação indenizatória que Primo Schincariol Indústria de Cerveja e Refrigerantes entrou contra Jesse Gomes da Silva Filho e sua produtora, pela quebra de contrato, o juiz determinou uma condenação em favor daquela em 930 mil reais por danos materiais e mais 930 mil reais por danos morais em decisão de primeira instância.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Jennifer Aniston recusa US$ 4 milhões

A atriz Jennifer Aniston, 39, recusou US$ 4 milhões (cerca de R$ 9,2 milhões) para posar nua na revista "Playboy". O convite foi feito diretamente pelo criador e dono da revista, Hugh Hefner despois que ele a viu na capa da revista "GQ", em que aparece usando somente uma gravata.

Considerando, ainda, a participação nas vendas da revista, o pagamento poderia chegar a US$ 10 milhões (cerca de R$ 23 milhões).

Infelizmente para seus fãs e muitos outros marmanjos ela recusou a proposta do milionário.
Será que tem alguma beldade no Brasil que vale US$ 10 milhões para posar nua numa revista masculina? Bom, considerando que tem muita ex-isso e ex-aquilo partindo para nova carreira nos "filmes adultos", não se pode duvidar de nada...

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Quando a omissão (da Rede Globo) vale ouro.

Texto de Urariano Mota.

Fonte: Observatório da Imprensa - http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=513IMQ007 - Reproduzido do Direto da Redação, 19/11/2008.

Para o acontecido na segunda-feira (17/11), qualquer apresentador de telejornais poderia ter anunciado: "Tiros na Bolsa". Ou feito uma chamada de maneira mais extensa, evitando assim uma ambigüidade:

"Operador tenta suicídio durante pregão da Bolsa de Mercadorias e Futuro".

E depois do anúncio, entraria no corpo da notícia:

"O operador de pregão da corretora Itaú Paulo Sérgio Silva, de 36 anos, tentou suicídio hoje, pouco depois das três e meia da tarde. No meio do pregão, ele disparou um tiro contra o próprio peito. Paulo Sérgio foi socorrido imediatamente no ambulatório da Bolsa e transferido para a Santa Casa de São Paulo."

Isso feito, viriam imagens da Bolsa, e de operadores transtornados, enquanto o apresentador narraria:

"Segundo colegas, Paulo Sérgio falou ao celular com a esposa e os filhos minutos antes de disparar a arma. Uma testemunha, que não quis se identificar, declarou que ele elogiou os filhos, como numa despedida."

"Profundo respeito"

Corte para a imagem de um repórter, em frente ao prédio da Bolsa:

"Até o encerramento do pregão, o clima era de mal-estar e muitos estavam deprimidos. Funcionários da Bolsa e das corretoras saíam do prédio para fumar com o semblante fechado. A maioria descrevia com reticência a tarde de tensão. Alguns receberam ordem das corretoras em que trabalham para não comentar o incidente. Ainda assim, um deles informou que o operador é casado e tem quatro filhos, com idades entre 14 e 4 anos. Paulo Sérgio estaria com receio de ser demitido por conta da fusão do Itaú com o Unibanco. Ele havia comprado uma casa a prestação."

Corte para as declarações e imagens do presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Mercado de Capitais, Márcio Myeza:

"Duas horas antes da tentativa de suicídio, ele me procurou. E me disse que um amigo dele havia se matado. Ele queria saber os direitos da família nesses casos. Respondi que a família deveria procurar um advogado."

Volta para o apresentador, que lê, com os olhos no teleprompter:

"O presidente do sindicato disse ter notado que o colega estava `ansioso´, mas nada que sinalizasse a tentativa de suicídio."

E com a câmera no segundo apresentador:

"A assessoria de imprensa do Itaú informou, por meio de nota, que está dando total assistência ao funcionário e a seus familiares. A assessoria do Itaú declarou, abre aspas: em profundo respeito ao ser humano, não comentaremos o fato. Fecha aspas."

Simpáticos, esses bancos

Todas as linhas entre aspas escritas até aqui são a expressão da verdade: de fato, um operador da Bolsa de Mercadorias e Futuros, na última segunda-feira, meteu bala no próprio peito, em pleno pregão da tarde. De fato, ele temia pela sorte da família, a partir da fusão dos bancos Itaú e Unibanco. De fato, sabe-se que onde há reunião de duas empresas, os empregados não se somam. Subtraem-se, sempre, no processo conhecido como racionalização de atividades. Até aí foi a verdade.

As frases que antecedem as aspas são pura invenção poética porque a notícia não apareceu nos telejornais brasileiros. Ou, pelo menos, não apareceu nos telejornais da Rede Globo, com certeza. E notem a sucessão e crescimento de esquisitices sem notícia: se é um escândalo um suicídio público, se é um escândalo um suicídio em plena sessão da Bolsa e se é escândalo um tiro em um templo da economia em tempos de crise, o que dizer da ocultação da notícia, com a cara mais maquiada que o cinismo permite?

O que seria um escândalo, sob qualquer critério, gerou um grande e pesado silêncio. Mas há razões claras para isso, que podem ser vistas nos intervalos e abertura do Jornal Nacional: o patrocínio do noticiário pertence ao Banco Itaú. O operador era, se não morreu, empregado do banco. Como os telespectadores do Brasil poderiam ter uma notícia que mostrasse um mundo brutal, feroz, de quem promete os valores mais ternos, de amor à família, nos comerciais?

No artigo "Globo e censura, tudo a ver", chamávamos a atenção para uma comunicação censurada do Sindicato dos Bancários porque os anúncios do Itaú e Unibanco, em rede nacional, bem pagos, não permitiam tal liberalidade. O que dizer agora, quando os dois bancos se unem? Os bancos brasileiros não são apenas os mais lucrativos de toda a Terra, em toda a história. Eles são muito mais. São até editores do que você, leitor, pode ou não pode ver na televisão. Simpáticos, esses bancos. Eles não querem vê-lo preocupado com homens que atentam contra a própria vida em um pregão de uma segunda-feira à tarde.

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Valem alguns comentários:

Há que se considerar o poderio econômico interferindo nas pautas dos jornais, quaisquer que sejam. Mas isso, por si só, não leva à conclusão de que toda omissão decorre de tal inteferência. Incompetência jornalística e linha editorial também fazem os nossos informativos diários, televisivos ou não, sabotarem notícias importantes ou diferentes.

Esse caso específico daria, com base num drama pessoal, infelizmente, um bom gancho para uma matéria sobre a preocupação do desemprego nas grandes fusões, podendo, inclusive, trazer outros exemplos nacionais e internacionais para os telespectadores.

Claro, tudo uma questão de ponto de vista. De quem vê e de quem paga. Eu não pago, logo, não escolho as matérias que vão ao ar.

Há, ainda, o argumento de que há uma espécie de consenso que suicídios não devam ser exaltados na televisão. Não sei se é verdadeiro ou falacioso, mas também é uma possibilidade.

O que de fato vemos, contudo, é que as informações que nos chegam pela mídia comum normalmente são parciais ou limitadas. E a internet abriu um importante caminho para uma discussão mais ampla sobre o assunto.